Nos palcos e nas redes sociais faz do humor a personagem principal e conta com quase 900.000 seguidores na conta de Instagram. António Raminhos é uma figura conhecida de muitos portugueses por isso mesmo, mas também aproveita as plataformas online para abordar preocupações "loucas" que qualquer pessoa, como ele, pode ter.

Em plena pandemia, e com a saúde mental a ser uma questão bastante falada por estes dias, António Raminhos tem partilhado um pouco mais sobre o transtorno obsessivo compulsivo com que foi diagnosticado. Pondo um pouco de parte a ideia de inspirar quem o segue, o humorista destaca em entrevista ao SAPO TeK uma vantagem das redes sociais e a forma como as utiliza para passar mensagens com as quais se identifica, dando o seu testemunho. “Não é tanto com a ideia de inspirar os outros, mas mais para que percebam que a sua vida não é diferente da minha e que, muitas vezes, as suas preocupações mais loucas eu, ou alguém no mundo, já as teve”, explica.

Esta semana, António Raminhos voltou a falar sobre um dia menos bom e a forma como reagiu na conta de Instagram.

Numa altura em que as doenças mentais estão ainda associadas a um estigma que parece persistir, o humorista português mostra-se satisfeito por saber que, de certa forma, está a conseguir sensibilizar algumas pessoas. “Recebo muitas mensagens de pessoas a agradecerem-me por falar porque parece que desbloqueia ali algo”, conta, reforçando a ideia que não há vergonha em pedir ajuda, algo que ele próprio fez.

Dando um exemplo de quando se tem um “dente podre” sentirmos a necessidade de ir ao dentista, questiona-se por que razão isso poderá não acontecer quando toca a doenças mentais. “Fazemos tudo para estar bem noutras áreas, porque não com a cabeça?”, levanta a questão.

As redes sociais são um vício?

António Raminhos admite que passa algum tempo nas redes sociais e esclarece que o seu vício é “mais profissional do que por «doença»”, garantindo que se “não tivesse esta profissão provavelmente não teria redes sociais”. A não ser para ver “moçoilas jeitosas na praia e tipos gostosos no ginásio”, afirma, brincando com a situação. Mas estas plataformas têm desempenhado um papel particular neste período de crise de saúde pública.

"As redes sociais foram importantes para manter-me ativo, ter trabalho e, mais importante, dar algo a quem me segue", explica António Raminhos

Acredita que do ponto de vista do utilizador, e não do criador de conteúdos, quem é viciado nas redes sociais pode ter ficado ainda mais devido à quantidade de tempo livre extra, mas António Raminhos também consegue ver um lado positivo neste contexto. “Muitas pessoas procuraram criar conteúdo que ajudasse a passar o tempo de modo mais leve”, nomeadamente com vídeos ou diretos, sobretudo no Instagram. Já o Facebook e o Twitter “vivem de escárnio, mal dizer e polémicas”, afirma.

“Nos primeiros dias de quarentena, quem ia ao Twitter lia que já estava meio mundo morto e outra metade a morrer. E a culpa da pandemia era do Benfica, claro”

E se as filhas de António Raminhos fossem redes sociais? Quais seriam?

Casado com Catarina Raminhos, o humorista tem três filhas que surgem muitas vezes nas redes sociais e trazem ainda mais humor às publicações. Desafiado a associar cada uma delas a plataformas online, António Raminhos não tem dúvidas em escolher.

As duas filhas mais velhas, a Maria Rita, de dez anos, e Maria Inês de oito, seriam claramente o Instagram, mas por razões diferentes. A mais velha pelo gosto da fotografia: “tem jeito e gosta mesmo de bons enquadramentos e bons cenários”. Já a Maria Inês seria esta rede social por ser “toda influencer e fashion stylist”.

A Maria Leonor, com 4 anos de idade, tem uma personalidade“espalhafatosa” e, por isso, o humorista opta por escolher o TikTok neste caso. No final, acaba por dizer “por mim podem ser a rede que quiserem, desde quando forem adultas não sejam o Tinder”, brinca.

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