Um grupo de empresas a operar na Internet, composto pela Microsoft, Google e Netflix, apresentou ao World Wide Web Consortium (W3C) uma proposta para que a nova linguagem Web, HTML5, passe a incluir "extensões de media encriptadas".

A ação volta a trazer para a ribalta a polémica questão dos DRM (Digital Right Management), com alguns especialistas a encararem a "investida" como uma tentativa de abrir espaço à implementação de tecnologias de proteção à cópia para a nova linguagem de markup, reportam meios internacionais especializados.

Recorde-se que se estima que com a implementação do HTML5 venham a perder terreno tecnologias proprietárias como o Flash ou o Silverlight, uma vez que o recurso à nova linguagem Web dispensa, por exemplo, a necessidade de instalação de plugins (extensões) para visualizar vídeos numa página.

A proposta tem sido maioritariamente recusada pelos membros do W3C, que invocam argumentos como o carater "antiético" da proposta e mesmo a impossibilidade de esta corresponder aos requisitos técnicos necessários para ser implementada.

Citado pelo The Register numa troca de emails entre os membros do consórcio, Adrian Bateman, da Microsoft, explica que a empresa, em conjunto com a Google e a Netflix, tem estado a trabalhar numa API que permita a criação de conteúdos de media encriptados no HTML, que os promotores acreditam que "poderão ser implementados em todos os browsers e suportar qualquer container/codec e encriptação de conteúdos sem necessidade de alterações de maior à especificação do elemento de HTML Media".

Os que contestam a proposta questionam também se a possibilidade de incluir estas extensões seria, de facto, capaz oferecer o nível de segurança que os fornecedores de conteúdos pretendem.

"Acredito que esta proposta é antiética e não devemos seguir em frente com ela", escreveu o editor de especificações WHATWG HTML e funcionário da Google, Ian Hickson, na mesma sequência de emails.

Citado pelo Arstechnica, o especialista acrescenta que "a proposta não oferece uma proteção de conteúdos robusta, pelo que não serviria sequer este propósito, mesmo que não fosse antiética".

Nota da Redação: Foi corrigida uma gralha na notícia.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Joana M. Fernandes

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