O site WikiLeaks disponibilizou online para consulta mais 400 mil documentos sobre a guerra no Iraque, que denunciam situações de tortura e abusos contra civis.

Os documentos revelam que os militares americanos tinham instruções para ignorar os excessos cometidos pelas forças iraquianas, o que os torna cúmplices da tortura sistemática cometida nas prisões do país, acusa Julian Assange, responsável pelo projecto que já mostrou ao Mundo mais de um milhão de textos classificados.

Tal como aconteceu em finais de Julho relativamente à guerra no Afeganistão, há relatos de incidentes nestes novos documentos nunca reportados pelos soldados dos EUA que vitimaram civis e que, durante meses marcaram o quotidiano dos iraquianos, a par das bombas, das batalhas nas ruas e das execuções. Estes incidentes traduzem-se em 66.081 civis mortos entre Janeiro de 2004 e Dezembro do ano passado, num total de mais de cem mil baixas, escreve o Jornal Público, números que o Pentágono sempre se recusou a divulgar.

As revelações levaram de imediato o relator especial da ONU sobre tortura a pedir ao Presidente norte-americano, Barack Obama, que ordene uma investigação ao envolvimento dos seus militares nestes abusos. Para além de Manfred Nowak, vários Governos e outras organizações de defesa dos direitos humanos exigem respostas sobre as atitudes das tropas americanas, pelos seus aliados e pelos iraquianos relativamente aos incidentes reportados nos documentos divulgados pelo WikiLeaks.

Gerido por uma organização sem fins lucrativos, o polémico site está no ar há três anos e meio e, entretanto, já "mostrou" mais de um milhão de documentos. Em Abril último tinha sido notícia por publicar um vídeo que mostra militares americanos a matar 12 pessoas em Baghdad, incluindo dois jornalistas.~

A informação divulgada não visa apenas questões governamentais. A iniciativa, que ganhou vários prémios por combate à censura, já publicou informação sobre actividades off shore de bancos suíços e sobre diversas empresas.

Portugal também surge contemplado na listagem de documentos disponíveis, com a publicação de documentos produzidos pela GNR na Guerra do Iraque em 2004, além de estudos sobre o TGV e notas relativas ao processo do desaparecimento de Madeleine McCann.

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