A alteração já está a ser implementada e tira partido do desenvolvimento de tecnologia de processamento de linguagem desenvolvido nos centro de inovação da Google. A tecnológica garante que esta mudança no algoritmo vai permitir entender melhor a forma como as palavras se relacionam dentro de uma frase, em vez de analisar cada palavra (ou keyword) individualmente.

Pandu Nayak, vice presidente da área de Search da Google, explica que até agora o algoritmo de pesquisa da Google olhava para as frases como um conjunto de palavras e que apesar de nos últimos anos a empresa ter tentado melhorar a compreensão do que os utilizadores pesquisam, nem sempre conseguiam acertar, especialmente em perguntas mais conversacionais.

Existe a noção de que as pessoas optam muitas vezes por colocar um conjunto de palavras chave na caixa de pesquisa em vez de fazerem uma pergunta, e este é o modelo mais natural que a Google quer que seja utilizado.

Na base das mudanças do algoritmo de pesquisa da Google está o BERT (Bidirectional Encoder Representations from Transformers), que usa uma tecnologia de redes neuronais open source que a empresa anunciou no ano passado e que olha para todas as palavras de uma frase de forma integrada. O sistema vai aprendendo com a experiência e está a ser treinado para aperfeiçoar os resultados.

Para já as mudanças devem estar a afetar cerca de 10% das pesquisas feitas em inglês nos Estados Unidos, com um roll out que vai abranger progressivamente outras regiões. O responsável da Google garante que é facilmente aplicada a outras línguas, e que isso está nos planos da empresa.

Nos "snippets" a Google está a usar os modelos de BERT em cerca de duas dúzias de países, e Pandu Nayak afirma que viu melhorias significativas em línguas como o coreano, hindi e português.

Mudanças a ter em conta para manter posição nos resultados

A forma como o algoritmo da Google realmente funciona é um dos "segredos" bem guardados, de forma intencional, e que quem trabalha em tecnologia procura entender da melhor forma. A partilha desta informação pode ajudar a ter um melhor entendimento sobre o processo, mas a verdade é que o BERT não vai ser usado em todas as situações.

Ainda assim, esta é uma mudança a que os donos de sites e publishers têm de estar atentos para se manterem nas primeiras páginas dos resultados do Google, um fator decisivo para quem está online e que já ajudou a promover muitos negócios.

No post do blog da Google, Pandu Nayak afirma que espera que as pessoas comecem agora a fazer pesquisas de forma mais natural, mas admite que mesmo com o BERT "nem sempre acertamos". E dá como exemplo a pesquisa de "que estado é a sul do Nebraska" onde a melhor resposta pode ser uma comunidade chamada “South Nebraska"

"O entendimento da linguagem continua a ser um desafio, e mantém-nos motivados para continuar a melhorar a pesquisa", afirmou Pandu Nayak.

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