A grande prioridade do fundador do Facebook não é nova e continua a ser apresentada em forma de missão: levar a internet aos 4 mil milhões de pessoas que ainda não a usam. Para isso Zuckerberg explicou que e preciso vencer três tipos de barreiras: disponibilidade, preço e awarness.

A indisponibilidade de serviços de internet será hoje responsável pela falta de acesso à rede para mil milhões de pessoas e o preço dos serviços bloqueará o acesso de outros mil milhões, mas é a terceira barreira a que mais trava a chegada de novos utilizadores à World Wide Web. Cerca de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo não estão online porque não encontram argumentos que justifiquem o investimento neste tipo de serviço, defendeu Zuckerberg que esquematizou tudo num slide.

O plano do Facebook para os próximos anos passa por trabalhar as três áreas e eliminar todas as barreiras. O polémico Free Basics, que dá acesso gratuito a um conjunto de serviços online (com destaque para os serviços do grupo) já chega a 25 milhões de pessoas em 37 países e Zuckerberg quer continuar a fazer crescer os números.

É com esse intuito que a empresa vai continuar a investir em formas de levar a internet às zonas mais remotas do globo. Por terra e por ar. O primeiro satélite do Facebook será lançado nos próximos meses e dará mais força a uma estratégia que já usa este tipo de recursos, juntamente com outros, como os lasers  ou os drones.

Depois do acesso veem os serviços. Primeiro em forma de produtos e quando ganham massa crítica suficiente a como ecossistema. Sempre numa lógica de comunidade. A rede social Facebook foi a primeira a chegar lá, mas já não é a única.

Os 900 milhões de utilizadores do Messenger, como aplicação autónoma são a prova disso. A ascensão imparável do Instagram, outro ativo do grupo, mostra o mesmo. Graças a estes dois serviços (Messenger e Instagram) o Facebook processa diariamente qualquer coisa como 60 mil milhões de mensagens. Com a chegada dos chatbots ao serviço de messaging, confirmada na abertura da F8, é de esperar que o número aumente significativamente.

O Facebook não quer só utilizadores comuns no Messenger. Quer cada vez mais empresas e está a disponibilizar as ferramentas que permitem posicionar o serviço como uma alternativa aos canais de contacto tradicionais entre marcas e clientes. Adeus aos serviços de apoio ao cliente convencionais e às aplicações criadas pelas marcas para dinamizar a interação e as vendas em dispositivos móveis? Vamos ver, Zuckerberg acha que é possível.

Pelo caminho, o vídeo ganha cada vez mais destaque na estratégia da marca. Em dezembro a rede social tinha aberto a possibilidade de partilhar vídeo em direto a qualquer utilizador da aplicação móvel. Desde então já conseguiu apurar que os vídeos Live geram 10 vezes mais comentários que os vídeos normais e quer continuar a explorar esta área, dentro e fora de casa.

Para isso lançou uma API (Live) para que os programadores possam criar a partir da funcionalidade e levá-la mais longe, nas aplicações que criam. Num passado mais longínquo guardámos recordações físicas das coisas que nos marcaram, num passado mais recente guardámos fotos e hoje queremos partilhar tudo em vídeo. No futuro também será assim, acredita Zuckerberg que vê boa parte do potencial deste tipo de comunicação ainda por explorar.     

Nesta caminhada até à próxima década há mais dois palavrões no centro da estratégia do Facebook: Inteligência artificial e realidade virtual/realidade aumentada. A empresa já está a investir em ambos e quer acelerar, embora admite que o caminho é longo. Os Bots no Messenger são um exemplo poderoso do poder da inteligência artificial num serviço massificado. São o sinal de uma estratégia que passa por “construir sistemas que sejam melhores que as pessoas na perceção” de determinados aspetos, admitiu Zuckerberg na sua apresentação durante a sessão de abertura da F8.

Na realidade virtual a compra da Oculus VR posicionou a empresa para dar cartas num terreno que meio mundo (leia-se gigantes da tecnologia) anda a tentar desbravar. Esta terça-feira Zuckerberg disse que a realidade virtual pode tornar-se na maior das plataformas sociais e explicou porquê: é a mais imersiva. “É uma espécie de experiência social que nenhuma outra plataforma permite” definiu Zuckerberg, enquanto mostrava alguns dos jogos já criados para os recém-lançados Oculus Rift, capazes de trazer (virtualmente) para o mesmo espaço utilizadores dispersos por vários pontos do mundo. Mais tarde foi mostrado outro projeto da marca nesta área, uma câmara 360

A intervenção de Zuckerberg acabou como começou. A grande prioridade do Facebook é “construir tecnologia que junte as pessoas” e com isso dar voz a mais gente, um pouco por todo o mundo. Mais gente ligada, mais gente com voz ativa no mundo é o caminho para nos tornarmos mais otimistas em relação ao futuro da humanidade, acredita o 4º homem mais rico do mundo.      

Cristina A. Ferreira