(actualizada)

Acompanhando a tendência mundial, o spam em Portugal parece ser um problema cada vez maior, ao qual os fornecedores de serviços de correio electrónico têm tentado dar resposta. Ao que tudo indica, a percentagem de mensagens não solicitadas que circula entre as caixas de email nacionais deverá aproximar-se dos 50 por cento.



Existem várias soluções de detecção de mensagens de conteúdo promocional não solicitadas, como é o caso das chamadas block lists, usadas por serviços de correio electrónico nacionais como o Portugal Mail ou o IOL.


Face à disponibilidade no mercado, as block lists ao nível do servidor são a solução mais "prudente", na opinião de Lourenço de Almeida, da Media Capital Multimédia. A técnica é aplicada a todos os serviços de correio electrónico prestados pelo IOL, gratuito e pago.



O responsável da Media Capital Multimédia refere que entre as mensagens recebidas, 50 por cento são spam. "Neste momento, estamos a filtrar de forma bastante apertada e apanhamos cerca de 50 a 100 mil mensagens por dia", referiu em declarações ao TeK. "Os números de spam variam muito, sobretudo desde que os vírus passaram a actuar de forma a gerar este género de mensagens entre eles mesmos. Há picos em que se detectam ataques muito violentos, períodos em que o número das mensagens de spam aumenta muito".



O mesmo volume "circulante" de mensagens não solicitadas é apontado por Sérgio Carvalho, director técnico do Portugal Mail, que também falou ao TeK das ferramentas anti-spam oferecidas aos utilizadores dos seus serviços de email.



Sérgio Carvalho indica que a detecção é realizada a dois níveis: um nível primário onde se bloqueiam todas as mensagens oriundas de servidores conhecidos como emissores de larga escala desse género de correio e um outro nível em que, embora o incoming mail seja identificado como spam, deixa-se ao critério do utilizador da caixa de correio a possibilidade de futura filtragem automática das mensagens.



Equilíbrio necessário
Um dos principais problemas que se coloca à adopção de ferramentas anti-spam é a quantidade de "falsos positivos" que podem gerar, ou seja, o facto de algumas mensagens solicitadas serem impedidas de chegar ao seu destino. "Temos gerido o serviço de anti-spam de forma a minorar o risco de falsos positivos, aparentemente com algum sucesso uma vez que não temos tido queixas de utilizadores", assegura Lourenço de Almeida.



Actualmente com 300 mil caixas de correio activas - dados para os últimos 30 dias -, o IOL irá em breve acrescentar um segundo sistema de resposta ao spam que contará com o auxilio dos utilizadores, uma vez que se baseia na criação de "listas negras" individuais.



Este mesmo sistema é um dos já actualmente utilizados nos serviços de correio electrónico do Sapo e da Telepac, vertentes pagas e gratuitas, juntamente com as block lists. As chamadas "black lists" são geridas pelo serviço num processo semi-automático que se baseia maioritariamente na participação do utilizador que identifica e reporta a mensagem como spam, segundo Celso Martinho, responsável técnico do serviço em declarações ao TeK.


"As mensagens reportadas como spam são enviadas para uma base de dados que é posteriormente tratada e onde se verifica se existem mais ocorrências participadas por outros clientes e se analisa o seu conteúdo", explicita Celso Martinho.



Mas, nos serviços de correio electrónico que o Sapo e a Telepac prestam são utilizadas mais duas ferramentas de filtragem: o throttling e a autenticação de SMTO, que exige a identificação perante o sistema. "Quando somos atacados, os spammers consumem-nos recursos da plataforma prejudicando o serviço a nível global. O throttling permite detectar abusos de recursos e, em tempo real, bloquear o serviço", explicou Celso Martinho.



A eficácia desta ferramenta não pode ser ainda avaliada porque foi implementada há cerca de uma semana, por enquanto só ao nível do incoming mail, mas a sua utilização deverá ser alargada ao outgoing mail, ou seja para os próprios clientes do serviço, "que às vezes, inconscientemente, têm comportamentos de spammers", no prazo de um mês. As blocking lists e as black lists têm respectivamente níveis de eficácia de 25 e cinco por cento, segundo o adiantado ao TeK.



As quatro técnicas de filtragem de spam utilizadas nos serviços de correio do Sapo e Telepac serão no curto prazo complementadas por uma quinta, denominada bayesian analysis e que permitirá bloquear mais de 70 por cento do spam. "A bayesian analysis permitirá interceptar todo o conteúdo que entra na plataforma e detectar nele padrões de spam. A ferramenta consegue 'aprender' o que é spam para posteriormente passar a bloqueá-lo", explica o responsável.



Soluções à vista
Enquanto a maioria dos fornecedores contactados não distingue entre mensagens de conteúdos promocionais e mensagens de vírus ou worms, quando refere o volume de spam que circula, Celso Martinho dá números diferenciados. "Vírus e worms representam 30 a 40 por cento do tráfego que nos chega, sendo que em semanas de pico pode ultrapassar os 50 por cento".



A solução para o cada vez maior problema do spam passaria, na opinião de Victor Ruivo, administrador da Marketware, pela adopção massiva da assinatura digital. "Actualmente qualquer pessoa pode mandar um email em nome de outra porque as mensagens são anónimas". O responsável salienta que a reduzida popularidade destas ferramentas não terá necessariamentre a ver com o custo das mesmas, mas sim com a falta de informação.



Para Victor Ruivo, a comunicação entre pessoas terá que deixar de ser anónima sob pena da Internet se tornar "incomportável". "Se actualmente temos níveis de circulação de spam que rondam os 50 por cento, ao continuarmos desta forma, com cada vez mais gente a recorrer a estas técnicas de marketing directo e com o cada vez maior número de worms que se disseminam, 70 a 80 por cento da Internet será 'lixo'".



Até à descoberta de uma melhor solução, Celso Martinho considera ideal a conjugação das várias ferramentas para eliminar o spam por completo, ou pelo menos chegar a valores acima dos 90 por cento. "Não consigo garantir os 100 por cento porque os padrões dos spammers também mudam", referiu.



Nos últimos seis meses, o serviço de correio electrónico do Sapo registou 1.300 mil caixas activas (entre caixas dial-up, ADSL, pré-pagos ou serviço gratuito), enquanto o da Telepac tem 400 mil. Ao todo são recebidas cerca de seis milhões de mensagens de email diariamente entre todos os serviços.




Nota da Redacção: [2004/06/07 20:06:00] A notícia foi actualizada com mais informação.



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