O conceito é simples. A Unbabel desenvolveu uma plataforma que traduz automaticamente texto de uma língua para outra. Complementa a componente automática com uma validação de resultados em tempo real que é feita por uma comunidade de editores online, registada no site e que recebe por cada validação realizada.


O projeto junta cinco empreendedores, que identificaram nesta área uma oportunidade de negócio. Começaram por dirigir a oferta a startups globais, mas também já somam grandes empresas que podem usar os serviços da Unbabel para rapidamente traduzir um publicação numa rede social e empresas globais e garantem que conseguiram reunir condições para competir com as ofertas tradicionais do mercado com um produto que pode ser até 10 vezes mais barato.


Na segunda metade do ano passado o Unbabel esteve em beta, avançou entretanto para a versão final, já com um modelo de negócio de suporte e uma proposta comercial para empresas e tradutores virtuais. Às empresas o serviço custa 0,01€ por palavra traduzida. Quem ajuda a validar resultados da tradução automática garante 90% do valor pago pela tradução, num modelo de partilha de receita com a Unbabel. A prazo a empresa conta experimentar outros modelos, como o pagamento à hora.


As alterações que a empresa portuguesa anda a equacionar estão a ser pensadas a partir de São Francisco, onde a equipa está desde o início do ano. No ano passado a Unbabel mostrou-se no Seedcamp Lisboa e foi uma das startups escolhidas para ir até Berlim e garantir uma oportunidade de financiamento junto daquele que é um dos maiores fundos de investimento de capital semente a nível europeu. A oportunidade também abria portas à participação no programa de aceleração do Seedcamp mas a startup acabou por não a aproveitar porque na mesma altura soube que tinha sido selecionada para um dos mais conhecidos programas de aceleração de startups a nível mundial: o Ycombinator.


Por lá já passaram startups que hoje dispensam apresentações, como a Dropbox. Em conjunto as empresas que integraram o YCombinator valem qualquer coisa como 14 mil milhões de dólares. A Unbabel candidatou-se e foi escolhida. É a primeira empresa portuguesa a integrar o programa, numa maratona de três meses centrada na arte de saber vender, fazer contactos e encontrar os melhores caminhos para chegar aos clientes. Objetivo: chegar ao fim dos três meses com números de crescimento capazes de impressionar qualquer potencial investidor. Pelo caminho o programa cria oportunidade para chegar a vários, culmina com um Investor Day que é uma montra recheada de ouvintes habituados a conviver com as tecnológicas mais promissoras do mercado.


Sofia Pessanha, responsável pela área de marketing e comunicação da Unbabel diz que a experiência tem superado todas as expectativas e os números de crescimento também, sobretudo porque o grupo foi instigado a traçar metas que até aqui não tinha ousado fixar. O número de utilizadores da plataforma está a evoluir a um ritmo semanal entre os 10 e os 15%, contando já com cerca de 2.500 editores. As vendas estão a crescer a um ritmo de 136% por semana, uma média que em breve será batida graças a dois projetos grandes ganhos recentemente.


Na lista de clientes a Unbabel já tem algumas das maiores empresas de Internet do mundo cujos nomes, pelo menos para já, não podem ser revelados. A generalidade dos clientes da ainda são norte-americanos, mas a empresa quer divulgar a oferta pelo mundo e já começou a dar os primeiros passos, através da imprensa e de algumas ações nas redes sociais.


Os próximos passos do projeto passam pelo aperfeiçoamento da plataforma. No serviço às empresas têm vindo a ser introduzidas melhorias. Na interface com os editores que ajudam a validar resultados serão também feitos alguns ajustes. O principal objetivo é melhorar o tempo necessário para validar cada palavra, agilizando o processo. O capital levantado ainda em Portugal junto de duas entidades de capital de risco é suficiente para levar ao terreno os próximos passos previstos.


Nos planos para este ano está ainda o aperfeiçoamento da vertente móvel do Unbabel. Desde a primeira hora esta foi definida como uma das componentes chave da plataforma, que quer permitir aos utilizadores tirarem partido do dispositivo móvel para receber trabalho e realizá-lo também por essa via.


A aplicação para Android já está disponível. A versão para iOS também já está pronta e será disponibilizada ao longo do ano mas, como admite Sofia Pessanha, uma experiência 100% mobile ainda não é possível. A empresa quer que passe a ser nos próximos meses.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Cristina A. Ferreira

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