O Conselho de Administração da Portugal Telecom reagiu esta tarde à oferta pública de aquisição da Sonaecom sobre a companhia aconselhando os seus accionistas a rejeitarem a oferta e fundamentando a sua recomendação em seis pontos fundamentais.

Henrique Granadeiro sublinhou numa conferência de imprensa transmitida também via webcast para os trabalhadores do grupo, que a oferta da Sonaecom não contempla um prémio para os accionistas. Se na altura em que foi apresentada a OPA o valor de 9,5 euros representava um prémio de 16 por cento, o percurso da PT desde então anulou esse valor. “Não está a ser oferecido qualquer prémio de valor aos accionistas”, sublinhou o responsável.

O presidente executivo da PT apontou ainda o facto da Sonaecom ter prestado informações enganadoras aos accionistas da PT e ao mercado, uma acusação que fundamenta nos cálculos apresentados pela empresa nortenha relativamente ao encaixe das despesas com trabalhadores dispensados no prospecto definitivo da oferta, hoje registado pela CMVM.

Segundo a PT, também as elevadas sinergias da operação não estão a ser partilhadas com os accionistas, terceiro argumento para a rejeição da proposta. Henrique Granadeiro sublinhou o facto de não constar do prospecto definitivo menção às sinergias decorrentes da fusão, que num primeiro momento a Sonaecom avaliava em 2 mil milhões de euros. Independentemente do valor das sinergias elas existirão e serão significativas e os accionistas da PT não estão a ser remunerados por isso com o actual preço da oferta, defende.

Sonaecom vai poder manter todas as redes durante três anos limitando a concorrência



A concentração que resulta da operação é o quarto factor apontado pela administração da PT, que sublinha o facto da Sonaecom contar com um prazo de três anos para proceder à venda das redes que não decidir manter (no âmbito da decisão da Autoridade da Concorrência). Sobre este aspecto é ainda referida informação disponibilizada esta semana pela CMVM, que consta da versão confidencial da decisão da AdC e onde se admite a extensão do prazo concedido à Sonaecom para levar a cabo os processos de alienação a que está exigida.

Ainda neste ponto, a PT voltou a apresentar um conjunto de cálculos que apontam uma subida de quota na ordem dos 21 por cento para o móvel (para 67 por cento), 15 por cento para o DSL (para 90 por cento) e de 20 por cento para o tráfego de voz (para 73 por cento), depois da fusão.

O nível de endividamento que irá resultar da operação é também apontado como argumento de suporte à posição do CA, que o considera limitador do investimento e desenvolvimento da empresa.

O sexto e último argumento toca o plano de remuneração accionista proposto pelo CA da PT para o período 2006-2008, anunciado no ano passado. Henrique Granadeiro sublinhou que a proposta da PT para os accionistas prevê uma remuneração de 4,8 euros por acção, cerca de 50 por cento do valor da OPA, pelo que considera “a proposta da claramente superior à da Sonaecom”.

Nesta matéria, a administração da PT lembra ainda o plano para fundear a totalidade do défice do fundo de pensões num período máximo de quatro anos, contrapondo a falta de clareza da proposta da Sonaecom nesta matéria.

É com base nestes argumentos que “o CA rejeitou unanimemente a oferta da Sonae e recomenda aos seus accionistas que recusem também”, disse Henrique Granadeiro a iniciar e a fechar a sua intervenção, destacando que o “preço oferecido é inquestionavelmente baixo”.

Henrique Granadeiro vai convocar Conselho da Administração para votar realização da AG



O responsável continua a não querer comentar eventuais cenários de subida do preço da oferta, preferindo reagir a uma eventual alteração, apenas se esta acontecer.

É também apenas neste caso que a administração da PT considera poder fazer sentido uma nova análise de plano de remuneração accionista, que à data de apresentação a empresa considerou que podia vir a ser revisto.

Para que o processo da OPA prossiga é preciso ter lugar a desblindagem de estatutos da PT, que limita aos 10 por cento a posição máxima de um único accionista. Sobre esta matéria Henrique Granadeiro voltou a afirmar que irá convocar o conselho de administração que decidirá se vai ou não pedir a convocatória de uma Assembleia Geral de Accionistas. Se o CA recusar caberá à Sonaecom fazer esse pedido, apoiada numa posição accionista mínima de 5 por cento.



Na mesma apresentação Zeinal Bava, presidente da PT Multimédia, comentou os argumentos que a PT Multimédia enviou também hoje para a CMVM apontando razões idênticas para a rejeição da OPA. O responsável lembrou que também neste caso "a oferta é realizada a desconto e não a prémio", acrescentando que esta "não reflecte o bom desempenho operacional e financeiro da PT Multimédia.



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