
A tecnologia existe, tem cada vez menos barreiras à entrada e é preciso acelerar a sua utilização por parte das pessoas e das empresas para que Portugal possa tirar partido das vantagens da Inteligência Artificial. A mensagem ficou bem clara nas várias apresentações em dois eventos que decorreram em Lisboa na semana passada, o Building the Future 2025 e o Microsoft AI Tour, a 19 e 20 de fevereiro.
Em entrevista ao SAPO TEK, Andrés Ortolá, diretor geral da Microsoft Portugal, sublinhou a confiança e a urgência da mensagem. “O momento é agora, não podemos esperar”, explica, dizendo que “temos que acelerar a difusão da tecnologia de Inteligência Artificial". E apesar de muitas empresas ainda não terem atingido um grau de maturidade digital, há passos que podem ser dados para tirar já partido da tecnologia e ganhar produtividade e competitividade.
Para o diretor geral da Microsoft Portugal, as empresas podem já apostar em quick wins, projetos com ganhos rápidos.
“Não podemos esperar resolver primeiro um atraso tecnológico de muitas PME”, sublinha Andrés Ortolá, “temos já casos com impacto real, com melhorias de 30 a 40% na produtividade”.
Vários projetos de empresas que passaram a fase de experimentação e já estão a usar ferramentas de IA no negócio estiveram em destaque no Building the Future e no Microsoft AI Tour, e o diretor geral da Microsoft Portugal referiu o caso do Hospital de Santa Maria, com médicos a trabalhar com sistemas de IA para fazer algumas tarefas, e da NOS.
Para Andrés Ortolá o conceito chave é da difusão tecnológica, ”um conceito antigo mas que é importante retomar”, e que explica com o exemplo da difusão da eletricidade. “Se olharmos para os países mais desenvolvidos, com o PIB mais elevado, têm mais consumo de energia, e o mesmo acontece com a utilização da tecnologia”, destaca.
“Temos de desenvolver um tech stack”, defende, lembrando que esta difusão tem de ser mais rápida do que o que aconteceu com a energia, não pode demorar 150 anos, mas “é preciso acelerar”.
O executivo acredita que a aposta tem de ser feita em três áreas: a democratização do acesso, a reinvenção dos processos de negócio e a literacia. “A evolução tem de ser inclusiva, não podemos deixar ninguém para trás”, justifica.
Andrés Ortolá lembra que há muitos indicadores da capacidade de inovação, em paralelo com a capacidade de difusão, dizendo que há países onde está quase equiparada, como acontece com os Estados Unidos e a Suíça, enquanto noutros países, como a China, a capacidade de inovação é muito superior à da difusão e à possibilidade de passar essa inovação à economia real. “Portugal tem um gap significativo mas a boa notícia é que a inovação está aqui, e se trabalharmos em difundir a tecnologia vamos ter um impacto real”, explica.
Programa de formação para 6 milhões de portugueses
A formação é vista como um elemento chave nesta engrenagem. “Na Microsoft, acreditamos que a IA é tão poderosa quanto as pessoas que a utilizam”, afirma Andrés Ortolá.
O diretor geral da Microsoft Portugal anunciou um programa com o qual pretende garantir a formação de 6 milhões de portugueses nos próximos 5 anos. A quem pretende chegar e como? “Se forem mais, melhor”, explica, sublinhando que “parte do caminho está a ser feito” e assumindo que é uma formação no uso da IA. “Não pretendemos formar 6 milhões de data scientists”, justifica.
A iniciativa tem várias medidas, entre as quais se contam os programas de formação em IA que a Microsoft já tem disponíveis, mas também ações de comunicação mais dirigidas, que passam por comunicação em TV para explicar a aplicação prática da IA para as empresas, que o diretor da Microsoft diz que “é um veículo experimental” e que se chama “IA global”.
Há ainda uma parceria com a Nova SBE para apoiar a adoção das PME, de forma gratuita, com mentores da universidade e da própria Microsoft para ajudar a encontrar os pontos chave de melhoria nas empresas e adotar as tecnologias.
“É o programa de competências mais ambicioso de sempre”, destaca Andrés Ortolá.
O Copilot pode ser a porta de entrada no mundo da IA, com o desenvolvimento de agentes e a automatização de processos, avançando depois para a evolução dos processos numa plataforma segura e com a utilização de dados das empresas, no Azure Fabric.
“A IA tira partido dos dados das empresas, e quanto mais bem preparada estiver melhor, mas na produtividade pessoal, para sumarizar documentos ou entender um excel, não há limitação ou dependência tão grande dos sistemas legacy”, lembra.
A AI Factory é um dos instrumentos que a Microsoft Portugal tem usado para apoiar os clientes na evolução para a Inteligência Artificial e o diretor geral da empresa diz que “está a trabalhar espetacularmente bem, temos clientes a vir com problemas reais”. Lança ainda o convite a todos os que quiserem tirar partido do espaço e do conhecimento que está ali concentrado para avançarem mais depressa.
“A IA vai ser uma commodity, vai estar integrada nas várias ferramentas que usamos no dia a dia”, sublinha Andrés Ortolá, alertando para a necessidade de começar rapidamente a usar a tecnologia.
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