(Atualizada) A Apple precisa que o novo iPhone 7 seja um sucesso, uma vez que os smartphones são o principal driver de crescimento de toda a empresa. Só para que se tenha uma ideia, as vendas diretas do iPhone representaram 57% das receitas totais da marca da maçã no segundo trimestre.

A importância dos telefones para a Apple, contudo, vai além das vendas diretas, uma vez que suportam todo o ecossistema da gigante tecnológica na promoção das vendas dos outros dispositivos, desde os Apple Watch aos Macs, nota a IHS Technology.

Mas o que pode levar alguém a quebrar o ciclo de renovação do seu smartphone, normalmente de dois anos, quando este ainda responde àquilo que se pretende? Funcionalidades disruptivas, design inovador? Caraterísticas melhoradas face às versões anteriores é, definitivamente, um dos argumentos e isso o novo iPhone 7 tem. Mas será que é suficiente?

A consultora acha que sim e prevê que a Apple venda 209 milhões de unidades dos iPhone 7 ainda em 2016. Um dos principais argumentos para a renovação do “parque” iPhone pode ser a nova câmara - apesar da “estranha” falta de entrada para auriculares.

As melhorias ao nível da câmara são normalmente uma das razões que levam os consumidores a substituírem os seus telefones e aí o iPhone ganha pontos, não só em termos de hardware mas também de software, com as novas possibilidades oferecidas pelo iOS 10, que inclui organização automática de fotos, reconhecimento de imagem e criação de vídeo, considera a IHS Technology.

Por outro lado, a coisa pode não funcionar tão bem porque a Apple guardou uma das principais novidades da câmara, a lente dupla, para a versão Plus, modelos que segundo a consultora só representaram 21% das vendas de iPhones no segundo trimestre.

Na IDC defende-se a estratégia da gigante tecnológica. “É verdade que enquanto o iPhone 6 vendeu 23 milhões de unidades, o 6 Plus vendeu 8 milhões, mas a intenção é mesmo essa: ter funcionalidades diferenciadoras que levem as pessoas a comprarem o modelo de maior dimensão”, referiu Francisco Jerónimo ao TeK.

Outra caraterística que pode ter aspectos menos positivos é a resistência à água e poeira, uma “faca de dois gumes”, sublinha a IHS Technology, por todos os problemas que traz em termos de suporte pós-venda – problemas esses que levaram a Sony e a Samsung a condicionarem a ideia a poucos modelos.

Contudo esta é uma área em que a Apple poderá já ter alguma experiência, pois na prática a caraterística já existia, nomeadamente com a integração de algumas “técnicas de proteção” no iPhone 6, “só não era anunciada como tal aos utilizadores”, refere Francisco Jerónimo.

A retirada da entrada “tradicional” para headphones, trocada pela Lightning, foi fator de desagrado entre muitos utilizadores, um risco que a Apple assumiu com “coragem”, segundo referiu ontem no palco de São Francisco, e que tem esperança se revele numa aposta de sucesso – e na entrada de mais “algum” com a compra dos novos auriculares sem fios AirPods.

Usando o adaptador para os auriculares tradicionais, os utilizadores não vão poder ouvir música ou ligar colunas e carregar o telefone ao mesmo tempo.

Esta é contudo uma aposta ganhadora na opinião do analista da IDC. Algo disruptivo que “só a Apple pode dar-se ao luxo de fazer”. Francisco Jerónimo lembra que não é a primeira vez que a marca da maçã tem estes “atos de coragem”. Aconteceu com o Flash, aconteceu com os cartões SIM que agora são Micro SIM, recorda. “As pessoas criticam inicialmente, mas depois adaptam-se”.

A substituição da entrada para os auriculares e os próprios AirPods “são mudanças que vão gerar vendas do iPhone 7 e não condicioná-las”, acredita o analista.

 

Nota de Redação: A notícia foi atualizada com as declarações ao TeK de Francisco Jerónimo, da IDC

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