Os organizadores da CeBIT consideram que, apesar de uma ligeira redução no número de visitantes - mas onde cerca de 85% eram profissionais -, a feira se afirmou definitivamente como o certame mundial das tecnologias de informação e das comunicações. Durante o evento foram fechados negócios de muitos milhões de dólares e o mesmo foi palco para as tendências emergentes, sendo mais de metade dos expositores empresas não alemãs.

O número final de visitantes rondou os 450 mil - o mais baixo de sempre desde que a CeBIT ganhou projecção internacional - mas os expositores não se queixam disso, pois terá sido bem superior a respectiva qualificação e predisposição para a realização de contratos. O proverbial inquérito dos organizadores entre os expositores revelou que estes consideraram que a "atmosfera de negócio" tinha saído reforçada.

Mais de 3300 dos 6262 dos expositores, bem como um terço dos visitantes, eram oriundos de outros países, o que terá conferido à edição deste ano da CeBIT o cunho mais universal dos últimos anos. Entre os países de origem dos visitantes que registaram maior crescimento estiveram os EUA - mais 28%, a maior recuperação desde o 11 de Setembro - e do Reino Unido veio o maior número de expositores estrangeiros. As empresas coreanas fazem cada vez mais da feira de Hanover a sua porta de entrada na Europa e de Taiwan estiveram presentes menos expositores, mas a qualidade média terá aumentado.

A CeBIT como oportunidade para evidenciar as tendências emergentes e futuras nas diferentes áreas das tecnologias de informação e das comunicações (TIC) foi, por outro lado, sublinhada: a profusão de serviços de voz sobre IP (VoIP), a TV móvel, os serviços e as tecnologias subjacentes ao triple play e a identificação por radiofrequência (RFID) foram as principais dessas tendências. Durante os 7 dias da feira, houve um seminário dedicado às pequenas e médias empresas.

Gerador de polémica, sobretudo entre os analistas alemães, foi a iniciativa Digital Living, no pavilhão 27, onde foi organizada uma mostra dos novos horizontes que a explosão de conteúdos, produtos e serviços digitais que se está a delinear no campo do lazer pessoal ou doméstico. Talvez porque a face mais visível desta mostra fossem os videojogos (área de há muito consolidada no lazer digital), o Digital Living levou muita gente a questionar se a CeBIT iria deixar de ser uma feira empresarial (B2B) para passar a ser orientada para os consumidores (B2C) - ao que Ernst Raue, administrador da Deutsche Messe AG, respondeu categoricamente que não.

A internacionalização crescente da CeBIT de Hanover não parece ressentir-se da realização de certames noutras partes do mundo, por vezes em parcerias com entidades locais. Se a primeira CeBIT Américas, em Nova Iorque no ano passado ficou aquém das expectativas (e, por isso, não se repetiu neste ano), já a quinta edição da CeBIT Asia, em Junho de 2005 na cidade chinesa de Xangai, foi considerada um sucesso. Nela estiveram 433 expositores (mais 18% que em 2004), dos de 18 países da região, dos quais 128 eram multinacionais.

Os stands da CeBIT Asia 2005 foram visitados por 53.297 pessoas (mais 4% que no ano anterior), entre os quais se destacavam os executivos de empresas, os gestores de TI, os engenheiros, os gestores de projectos e os programadores.

Rui Jorge Cruz em Hanover (Alemanha)

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