O número de expositores, superior a 6 mil, e a sua proveniência - de um leque de países cada vez maior mas onde avultam as empresas asiáticas - vieram confirmar que a CeBIT continua a reforçar o seu estatuto de grande evento mundial das tecnologias de informação e das comunicações (TIC), sobretudo enquanto espaço e momento privilegiado de contacto profissional e especializado entre produtores de software, equipamentos e soluções para quase todos os sectores de actividade. Mesmo as empresas da chamada região da Ásia-Pacífico (onde sobressaem Taiwan, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Japão, China e Singapura) não dispensam a vinda à CeBIT apesar da proximidade geográfica que as une.

Só o sector das telecomunicações móveis parece ter desaparecido da maior feira de Hanôver: não fossem os operadores locais e regionais - como a Deutsche Telekom ou a O2 - e não se daria por este pilar das TIC, numa altura em que, por exemplo, grande parte dos fabricantes de computadores portáteis e de outros dispositivos está a incluir conectividade 3G ou HSDPA (também conhecida por 3,5G) nos seus equipamentos. Mas a razão é simples: desde que o 3GSM World se mudou para Barcelona, no ano passado, quase todos os fabricantes de telemóveis e de hardware de infra-estruturas de telecomunicações concentraram as suas apostas nesta feira e "abandonaram" a CeBIT. Economia de custos e melhor timing (fins de Janeiro) para as suas estratégias de marketing são as razões mais apontadas.

Longe também vai a CeBIT da "informática de consumo". Desde há uns anos, diminuiu o número de visitantes mas "subiu" decididamente o seu carácter profissional, o que agrada a todas as partes - a organizadores, a expositores e aos próprios profissionais das TIC.

Esta vocação de ponto de encontro global dos actores das TIC está igualmente espelhada noutros factos, como a cerimónia de abertura, onde a chanceler Angela Merkel estava ladeada por Patricia Russo, CEO da recém-fundida Alcatel-Lucent, e pelo primeiro-ministro adjunto da Rússia, S. J. Naryschkin.

Por outro lado, foi aqui organizada uma reunião de um conselho informal das telecomunicações da Comissão Europeia para avançar na questão da supressão dos custos de roaming nas telecomunicações de voz e de dados na União Europeia (ver Notícia Relacionada) - e que trouxe de novo a Hanôver a comissária Viviane Reding, também para proferir uma conferência intitulada "RFID: a Europa a caminho de uma Internet das coisas" (da qual o TeK deu também hoje notícia).

E, como se não bastasse, também o subsecretário norte-americano do Comércio para o sector das tecnologias de informação, Robert Cresanti, veio à CeBIT para, entre outros temas (como o RFID), discutir com altos responsáveis da União, alemães e empresariais as condições em que o comércio internacional está a processar-se neste domínio - leia-se aqui, inevitavelmente, o protagonismo de que a União Europeia não tem abdicado, nomeadamente através das suas autoridades reguladoras, face à proverbial hegemonia dos EUA neste sector.

Também Patricia Russo defendeu, na sessão oficial de abertura, que deveria haver uma "concorrência mais justa" e que os governos deveriam "refrear certo tipo de sobre-regulação, que é um obstáculo ao crescimento e ao investimento". A CEO da Alcatel-Lucent falou ainda da convergência de tecnologias e de serviços, e da Internet a todas as regiões do globo - mas, a propósito do crescente fosso digital entre países ricos e pobres, saiu-se com uma inesperada referência às telecomunicações fixas.

O que, por um lado, se percebe, pois a Alcatel era e é um dos grandes fabricantes mundiais de equipamentos de infra-estrutura para as redes fixas; mas, por outro lado, não faz sentido, pois tende a ser consensual que os países subdesenvolvidos deverão (e muitos estão a fazê-lo) "saltar" a etapa das telecomunicações fixas e apostar na combinação das comunicações móveis com as redes sem fios, desde o Wi-Fi ao WiMax - tecnologias que estão em grande peso na CeBIT deste ano, com a estabilização das diversas normas e o aparecimento de soluções efectivas.

Sinal disto veio também da Intel, que anunciou para o próximo trimestre o lançamento de novos processadores Centrino Duo Core para portáteis, acompanhados de recursos para comunicações sem fios baseadas na norma 802.11g - e que, graças à tecnologia Turbo Memory (baseada em memória Flash) permitirão maiores tempos de autonomia às baterias.

A Samsung "reincidiu" apresentando um novo UMPC (Ultra Mobile PC), o Ultra Q1, mais funcional que o do ano passado. Mantendo o mesmo factor de forma, traz agora um pequeno teclado ao jeito dos dos telemóveis, corre o Windows Vista Home Premium, tem duas câmaras de vídeo (uma à frente para videoconferência, outra atrás para fotografar), um disco de 100 GB e 1 GB de memória. O Ultra Q1 poupará ainda ao utilizador a introdução de muitas palavras-passe, pois traz um leitor de impressões digitais.

A guerra entre o Blu-ray e o HD-DVD pela hegemonia nos suportes digitais está mais acesa do que nunca, com ambos os campos a clamarem não só superioridade tecnológica como apoios em maior número e de mais peso. O que é certo é que o HD-DVD já conseguiu o patrocínio de fabricantes de computadores como a Acer, a HP, a Toshiba e a Fujitsu Siemens, da Microsoft e da sua Xbox, e ainda de grandes detentores de conteúdos, desde os mais importantes estúdios de Hollywood a dezenas de entidades europeias.

Rui Jorge Cruz em Hanôver (Alemanha)
Colaboração especial com o TeK

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