A Hewlett-Packard e a Compaq decidiram ontem responder à crescente oposição à fusão que estão actualmente a preparar ao apresentarem um relatório de 50 páginas à Securities and Exchange Commission onde explicam as razões pelas quais o negócio se deve realizar e criticam Walter Hewlett - descendente da família Hewlett e principal opositor ao acordo entre as duas empresas.



"Nas palavras de Dave Packard, 'na área das tecnologias, permanecer estático é perder terreno'", pode ler-se no documento citado pela Associated Press. "Esta é a altura de tomarmos este passo decisivo de forma a acompanharmos as mudanças da nossa indústria."



No relatório apresentado, afirma-se que a HP e a Compaq necessitam uma da outra com vista a assegurar uma presença mais forte na área da informática, dos dispositivos de acesso à Internet e das impressoras, bem como para poupar pelo menos alguns milhares de milhões de dólares por ano. As empresas defendem que, com o acordo, os ganhos pro forma por acção da HP vão subir 13 por cento em 2003, criando um valor que acabará por ultrapassar a quantia paga na aquisição da Compaq.



Também na passada quarta-feira, Larry W. Sonsini, procurador da HP, negou que os administradores de topo da empresa tencionam despedir-se no caso de os accionistas rejeitarem o acordo com a Compaq. Tais asserções são "incorrectas e enganadoras", garante o procurador da HP.



Sonsini respondeu assim indirectamente a uma carta do procurador de Walter Hewlett, onde este expressava a sua preocupação sobre os boatos de possíveis despedimentos nos altos cargos da HP. Isto porque Richard Hackborn, director da HP, afirmou em entrevista ao New York Times que, se o acordo falhar, "os accionistas terão de arranjar um novo conselho de administração".



A discussão ao redor da fusão intensificou-se nas últimas semanas, com Walter Hewlett a tentar influenciar outros accionistas para vetarem o negócio e aconselhando as empresas implicadas para que desistam dele. Descendentes e fundadores da HP, representando 18 por cento dos accionistas da empresa, já se manifestaram contra o acordo.



Walter Hewlett considera que o negócio é demasiado arriscado e que vai aumentar a presença da HP ao fraco mercado dos computadores pessoais, ao passo que irá reduzir o papel da divisão de impressão, que é a mais lucrativa da empresa. Outros opositores, como David W. Packard, criticaram a HP por pretender despedir 15 mil funcionários se o acordo se concretizar.



As empresas admitem que uma HP-Compaq perderá receitas a curto prazo, mas defendem que Walter Hewlett e os seus conselheiros calcularam muito mal o efeito resultante de tal negócio nos lucros da futura companhia. Os defensores afirmam que se a fusão não se efectuar, as empresas ficarão dependentes de estratégias fracas em algumas áreas de negócio e irão colocar-se numa posição que as impossibilita de responder rapidamente às necessidades dos seus clientes.



A HP e a Compaq acusam Walter Hewlett de não ter uma visão competitiva e, em consequência, de não compreender as oportunidades de crescimento existentes em áreas chave como a dos servidores ou a do armazenamento de dados.



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