A Microsoft abriu a subsidiária em Portugal em 1990 e desde então já teve sede em várias localizações, tendo mudado para o Parque das Nações em 2012. Mas o crescimento do Centro de Suporte, que em 5 anos atingiu os 500 colaboradores, obrigou a obras de remodelação na sede da Microsoft Portugal como explicou Paula Panarra.

"Precisámos de reformular o espaço. Crescemos muito e já somos 900 pessoas em Portugal" explicou a CEO da Microsoft Portugal numa visita ao novo espaço exclusiva para jornalista, que antecipou a inauguração oficial marcada para hoje para as 16 horas, e que conta com representantes do Governo e de muitos clientes da empresa.

O edifício é o mesmo, exatamente na mesma localização do Parque das Nações, mas todo o espaço foi reformulado para albergar mais colaboradores, mais clientes e mais parceiros. A experiência da empresa no modelo e colaboração flexível e mobilidade que já estava a ser aplicado desde 2012 ajudou a "refinar" os conceitos e a preparar os vários pisos para criar mais 130 postos de trabalho, num total de 1.000 lugares.

Paula Panarra explicou ao SAPO TEK que "ao fim de sete anos, as obras que decorreram na sede desde setembro a maio serviram para relembrar essa transição [para maior colaboração e mobilidade]. Ao fim deste tempo não havendo locais fixos já havia [...] Agora não é mesmo possível", justifica.

A empresa já conta com 900 colaboradores em Portugal, 500 no centro de serviços que serve mais de 100 países e que tem pessoas no Parque das Nações e nas Amoreiras. Há depois cerca de 200 pessoas da subsidiária e 200 outros que trabalham para a Microsoft internacional.

Um modelo de trabalho que é independente de se estar presencialmente na sede ou em modo remoto, sem perder capacidade de partilha e colaboração, suportado em ferramentas como o Microsoft Teams, reflete uma mudança cultural que está a ser implementada na empresa por Satya Nadella mas que responde a uma nova realidade do trabalho e às exigências das organizações que estão a crescer e precisam de desmultiplicar espaço sem desmultiplicar custos.

A obra durou  9 meses e o investimento foi de 10 milhões de euros, uma verba que já estava previsto e que foi antecipada, explicou ao SAPO TEK Paula Panarra. E quanto tempo vai "durar" até à próxima remodelação? "Numa empresa como a Microsoft e num sector como o nosso não consigo antecipar o que vai acontecer em cinco anos quanto mais em 10 anos. Achámos que o modelo anterior ia durar 10 anos e antecipámos a remodelação", sublinha a CEO da Microsoft Portugal.

Portugalidade no conceito de renovação da sede da Microsoft Portugal

Para a reorganização da sede a Microsoft privilegiou a engenharia e materiais portugueses. Burel, cortiça e madeira, mas também o mobiliário, são de origem nacional e essa foi uma das premissas de base, assim como os conceitos de inclusão e sustentabilidade. Por isso limitou ao mínimo o uso de plásticos, a acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida é obrigatória, os cartazes de identificação estão também em Braile e há até casas de banho de género neutro, para quem não se sente confortável com as classificações genéricas de Homem/Mulher.

Em vez dos nomes de produtos e serviços que identificavam as salas nos espaços antigos, são agora nomes de rios, serras, cidades, praias e monumentos portugueses que ajudam à organização do novo espaço.

A reorganização do edifício permitiu ganhar mais flexibilidade, com salas mais pequenas, multifuncionais, e onde nem faltam cabines telefónicas, quase à moda antiga. Para falar de forma mais privada, mas de pé.

E está tudo organizado num modelo geográfico, com a ala norte e sul a corresponder aos locais reais: a sala Porto está no norte, Lisboa no sul (e é mais pequena).

Ao contrário do que existia antes, com os conceitos de "vizinhança" as equipas estão agora mais móveis e todos os dias se sentam em locais diferentes. A exceção é a área de suporte, que têm espaços dedicados, com secretárias fixas (que são flexíveis para poderem ser usadas sentado ou em pé) e dois monitores.

Nos vários pisos há várias salas com videoconferência, "cantos" onde é possível trabalhar ou conversar com isolamento acústico, sofás, mesas baixas, mesas altas e muitas tomadas elétricas e pontos de rede Wi-Fi. Até porque estes são "elementos" sem os quais as equipas não conseguem trabalhar. Não faltam também espaços de copa, café e descompressão, mas com possibilidade de continuar a trabalhar.

Com as novas instalações há também novas regras de comportamentos, de forma a que o espaço seja usufruído por todos, e foram partilhados vídeos que passam a mensagem de clean desk, respeito pela redução de ruído e até pela não utilização de alimentos ou bebidas nas mesas de trabalho.

"Queremos que os colaboradores e clientes se sintam como se estivessem em casa. O espaço mais flexível ajuda a cultivar a produtividade e a criatividade e queremos desafiar os clientes e parceiros para adotarem estes modelos e fazerem este caminho com a Microsoft", sublinhou Paula Panarra, lembrando que muitos deles já estão neste caminho de transformação que é não só físico, do espaço, mas também cultural.

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