O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, declarou que o que está a acontecer em Coruche mostra que as empresas “estão com mais confiança, estão a investir, a crescer, a criar empregos”.

“O que conseguimos em dezembro do ano passado, e sabemos agora, uma taxa de desemprego abaixo dos 8%, que já esteve nos 17%, e continua a descer, é prova do trabalho de todas estas empresas que ganharam confiança e estão hoje a investir e das que em 2017 fizeram as exportações portuguesas atingir um recorde e crescer 11,5%”, declarou aos jornalistas no final da conferência.

Com uma capacidade para produzir 100 mil unidades por mês para clientes europeus e portugueses, 95% da produção da unidade de Coruche tem como destino a exportação, o que, segundo Tito Cardoso, CEO da Iki Mobile, “poderá fazer com que os cerca de 5% do total que temos vendido em Portugal, diminua, uma vez que temos estado a vender muito mais para o resto do mundo”.

E, numa altura em que a tendência das grandes tecnológicas é a procura dos mercados orientais, o executivo explica que o se pretende com este movimento contra-corrente é “descentralizar, centralizando, uma vez que existe um conjunto de players ansiosos por ter uma alternativa aos mercados asiáticos”.

“É  aqui que Portugal vai ficar a ganhar porque temos que ser diferentes. Existem muitos clientes que querem mudar, não querem ir sempre aos mesmos sítios, não querem negócios “one shot” e querem ganhar parceiros”, esclarece.

Em declarações ao SAPO TEK, Tito Cardoso, defende que “a mão de obra na China não é assim tão barata e Portugal tem uma mão de obra interessante, produtiva, que trabalha bem e que é empenhada. Temos que aproveitar isso porque, se calhar, com mão-de-obra portuguesa conseguimos produzir o dobro e, consequentemente, conseguimos ser mais competitivos”.

E é apostando numa diferenciação pelo design e pela integração de materiais nobres e tradicionais, como a cortiça, que o CEO da empresa quer “ajudar a colocar a tecnologia portuguesa em todos os cantos do mundo”, fazendo-o já no final deste mês, no Mobile World Congress (MWC), em Barcelona.

No ano passado, no meio de mais de três mil stands, conseguimos trazer o 2º prémio de melhor design, o que foi uma surpresa, mesmo sabendo que o design nacional é muito bom. Para este ano, levamos novidades e vamos ter uma surpresa no MWC, mas ainda não podemos divulgar”.

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