A solução para rentabilização dos conteúdos distribuídos - e em muitos casos pirateados - através da Internet pode passar pelas plataformas móveis, porque os utilizadores estarão mais disponíveis para pagar por serviços online destinados a equipamentos como telemóveis ou tablets. Esta será, provavelmente, uma das principais conclusões a retirar da conferência sobre "a música e o entretenimento na era digital", que aconteceu hoje em Lisboa.

"As pessoas não gostam de pagar por coisas na Internet quando estão no computador", mas "isto está a mudar com os telefones", os utilizadores já mostraram que estão dispostas a pagar por aplicações e toques, mesmo quando não pagam por música, afirmou Steven Greenberg. O produtor de música norte-americano e detentor da editora S-Curve Records foi um dos oradores convidados para o evento, organizado pela APDC - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Telecomunicações.

Nuno Gama, da Optimus, partilha da visão do empresário, garantindo que também ele acredita que o mobile pode funcionar como uma "plataforma de salvação" e falando numa "maior disponibilidade dos utilizadores para pagarem por conteúdos para estas plataformas", mesmo quando não estão dispostos a pagar para outras.

Steven Greenberg, salientou a necessidade de a indústria encontrar modelos para distribuição de conteúdos online (também nas outras plataformas) que sejam sustentáveis e capazes de assegurar o pagamento do trabalho dos artistas, realçando que existe uma diferença entre descarregar música ilegalmente (a que chamou "roubar") e recorrer a serviços que oferecem os temas gratuitamente porque se financiam de outros modos, como a publicidade.

É, no entanto, necessário que estes sejam capazes de "sobreviver", acrescentou quando questionado sobre apostas como o GrooveShark ou Spotify, e apontou exemplos de projectos como o MySpace, que não singrou por falta de rentabilidade.

Sob o sugestivo mote de "Digital Killed The Radio Star?", especialistas nacionais e internacionais na área da música, entretenimento, telecomunicações ou publicidade debateram ideias sobre a forma como a Internet está a mudar a indústria do entretenimento.

Direitos de autor, distribuição digital, novos modelos e serviços - como os que, recorrendo à nuvem, permitam aceder, em múltiplas plataformas e dispositivos, a música ilimitada em através de streaming mediante o pagamento de uma quantia fixa - foram alguns dos temas abordados.

Entre aqueles que viram na nova abordagem à Internet (leia-se partilha de ficheiros) uma ameaça e agora procuram "apanhar o comboio" da plataforma multimédia para promoção e distribuição e aqueles para quem o sucesso só foi possível precisamente porque esse era um meio à sua disposição, num ponto estiveram de acordo: só é possível rentabilizar este canal através de modelos de monetização adaptados à realidade actual… e originais.

Entre eles, vale a pena destacar, o criado pelo segundo orador da manhã, Yoni Bloch. Um "músico e geek" israelita de 29 anos, que é também co-fundador e CEO da Interlude, uma empresa que se especializou na produção de vídeos de música interactivos.

Depois de confessar ter integrado um grupo de hackers russo, e afirma que a "pirataria" lhe permitiu aceder a quase toda a música que consumiu e disponibilizar os seus temas ganhando visibilidade, Yoni falou de negócios.

A empresa, que fundou com amigos, cria videoclips interactivos em que a acção obedece às escolhas do utilizador, permitindo mais de uma centena de combinações. E fazendo com que as pessoas assistam ao vídeo - e ouçam a música - tantas vezes quantas lhes apeteça experimentar novas combinações de sequências.

Estas podem ser partilhadas nas redes sociais (atraindo novos utilizadores) e descarregadas (com um custo), aumentam exponencialmente o número de visualizações: oito vezes mais "shares" que um vídeo normalmente tem no YouTube, disse.

Joana Martins Fernandes

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