A transferência de empregos de topo na área da tecnologia, dos Estados Unidos para países de mão-de-obra barata começa a ser motivo de preocupação no país. Não se sabendo ao certo o número de postos de trabalho transferidos para países como a China ou a Índia, as consultoras e casas de investimento têm feito alguns cálculos para concluir que os números envolvidos são significativos.




Nas contas da casa de investimento americana, Morgan Stanley os empregos deslocalizados deverão rondar os 150 mil nos próximos três anos. Os analistas prevêem que em 2014 tenham saído dos Estados Unidos 2 milhões dos mais bem pagos empregos na área da tecnologia, onde se incluem engenheiros de informática, programadores, designers de aplicações, etc.




Segundo a Reuters o movimento torna-se difícil de controlar já que as grandes empresas têm receio de atrair a atenção por razões politicas. "O problema é que ninguém tem bem a certeza se é politicamente correcto falar sobre isso" disse à agência Jack Trout, director da empresa de marketing e research Trout & Partners. Falar sobre o assunto pode tornar as empresas em causa alvos fáceis numa campanha eleitoral onde mais emprego seja uma das promessas, acrescenta o responsável.




A agência exemplifica com a Accenture, que depois de anunciar que iria duplicar o número de funcionários da sua operação na Índia foi invadida de chamadas a perguntar quantos empregos se perderam nos Estados Unidos.




Os argumentos contra esta estratégia sublinham ainda o facto de estas empresas estarem a produzir a custos locais para vender a preço dos Estados Unidos, o que impossibilita qualquer contributo para a criação de melhores condições de vida no país de origem, defende o Conselho Americano de Negócios e Indústria.




Entre as empresas mais faladas contam-se a Walt Disney, Time Warner, CNN e Fox News, para além da IBM ou da Microsoft, sendo que nenhuma destas disponibiliza informação concreta sobre o assunto.




Foi noticiado recentemente que a IBM se prepara para criar na Índia e China 4.700 postos de trabalho que serão ocupados por funcionários de topo. A notícia foi divulgada pelo Wall Street Journal, que garante ter tido acesso a uma circular interna. Os sindicatos da empresa acreditam mesmo que até 2005 serão deslocalizados 40 mil postos de trabalho, uma fatia significativo dos 160 mil que assegura nos Estados Unidos.




Na AT&T Wireless os sindicatos de trabalhadores descobriram que os .1900 postos de trabalho que a empresa se prepara para eliminar estão a ser transferidos para a Índia, uma descoberta que a operadora não quis comentar.




Por outro lado, a presença nestes países é discreta. A Microsoft, por exemplo, retirou recentemente o nome da empresa dos seus Minibus na Índia que utiliza para transportar a casa os engenheiros da empresa.


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