O novo programa da União Europeia de incentivo ao desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, o VI Programa-quadro da Ciência e Tecnologia, tem hoje publicada a primeira fase de candidaturas para empresas, universidades e centros de investigação que apresentem projectos em 49 áreas diferentes. Depois de se ter conhecido na semana passada os resultados do Índice de Inovação Europeu, ainda muito atrás dos Estados Unidos e Japão, é ainda mais realçada a prioridade de investir fortemente nesta área.



O VI Programa-quadro de Ciência e Tecnologia contempla um financiamento de projectos no valor de 16.270 milhões de euros, com as prioridades a centrarem-se nas Ciências da Vida, Genómica e Biotecnologia para a saúde, Tecnologias da Sociedade da Informação, Nanotecnologia e nanociências e novos processos produtivos, Aeronáutica e espaço, Qualidade alimentar, Desenvolvimento sustentado, mudança global e ecossistemas, Cidadãos e governos na sociedade do conhecimento e outras actividades específicas. Nesta primeira fase estão alocados 5 mil milhões de euros com a maior fatia a centrar-se no desenvolvimento de redes de excelência e projectos integrados.



Diogo Vasconcelos, Gestor Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC) e Coordenador-geral do Proinov afirmou ao TeK que "é indispensável um esforço voluntarista para aumentar a participação e a visibilidade de empresas portuguesas nos projectos deste Programa Quadro". Este responsável sublinha que Portugal não tem aproveitado da melhor forma as oportunidades do Programa Quadro de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia.



"Em programas como o IST (Tecnologias para a Sociedade da Informação) Portugal teve cinco vezes menos projectos que a Grécia e no Programa IST (Information Society Tecnlologies) do 5º Programa Quadro, Portugal teve 1,2% do financiamento total, quando o seu contributo para o orçamento da União Europeia é de 1,4%. A Grécia contribui com os mesmos 1,4% para o "bolo" europeu, mas obteve 7% do total do orçamento do IST", explica o gestor da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento.



Para alterar a situação, a UMIC "vai empenhar-se fortemente na divulgação, sobretudo junto das empresas, das oportunidades decorrentes do 6º Programa-Quadro de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia", sublinha Diogo Vasconcelos.



Como medidas práticas, o gestor da UMIC aponta a promoção de sessões de divulgação, um guia do candidato, e "task forces" por áreas, capazes de identificar potenciais parceiros ou consórcios interessados em acolher instituições portuguesas; dar apoio técnico e burocrático às empresas que queiram liderar, integrar ou criar consórcios para Projectos Integrados ou Redes de Excelência e assegurar o seguimento ("lobbying") desses projectos no seio da Comissão Europeia.



"No fundo, trata-se de completar os mecanismos de difusão já existentes dos programas comunitários com uma "equipe de venda" qualificada, capaz de vender essa participação a empresas portuguesas "target", capaz de as ajudar a seleccionar projectos e entrar em parcerias, capaz de as apoiar na construção das candidaturas e capaz de fazer "brokerage" internacional em parcerias com instituições do sistema científico e tecnológico nacional e comunitário", salienta Diogo Vasconcelos.



Para que isto aconteça, "é imperioso estimular o surgimento de serviços intensivos em conhecimento, isto é, de serviços de consultoria às empresas, capazes de identificar, codificar e difundir boas práticas. Estes serviços têm um efeito multiplicador no ritmo da inovação", garante o gestor da UMIC.



Segundo informação disponibilizada pela Comissão Europeia, nesta primeira chamada a projectos, 460 milhões de euros serão dedicados a actividades envolvendo PMEs e actividades de cooperação internacionais, enqunto 990 milhões estarão alocados a projectos relacionados com os recursos humanos e mobilidade de infra-estruturas e diálogo ciência/sociedade.




As candidaturas mantêm-se abertas até Março e Abril de 2003, dependendo das áreas. Grande parte da informação estará disponível através de uma área do Cordis especialmente dedicada às candidaturas ao VI Programa-quadro. http://www.cordis.lu/fp6/calls.htm



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