Apesar de se poder dizer que quase um terço (32%) da população portuguesa utiliza a Internet, o número de cibernautas aumentou apenas dois por cento em 2002, quando comparados com uma penetração deste meio que atingiu os 30 por cento em 2001 e os 22 por cento em 2000, indicam os dados provisórios da edição deste ano do Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação pela População Portuguesa apresentados na quarta-feira pela Comissão Interministerial para a Inovação e Conhecimento.


Este estudo, elaborado pelo Núcleo de Estatísticas da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC), organismo que sucede ao Observatório das Ciências e das Tecnologias (OCT) no que diz respeito aos indicadores relativos à Sociedade da Informação, revela ainda que a taxa média de crescimento anual da utilização da Net em Portugal entre 2000 e 2002 foi de 21 por cento.



Porém, na edição anterior deste inquérito relativa a 2001 e que foi divulgada em Outubro desse ano, esse indicador situava-se nos 36 por cento. Do mesmo modo, de 2001 para 2002, o número de utilizadores frequentes também aumentou apenas um por cento, de 73 para 74 por cento.



Para além destes dados, o estudo ontem apresentado revela determinadas tendências de utilização que persistem das edições anteriores deste inquérito, como seja a relação entre a idade e o recurso ao novo medium, que leva a que nos escalões etários mais elevados se encontre um menor número de cibernautas.



Mesmo assim, registou-se uma ligeira atenuação desta info-exclusão etária: o número de utilizadores entre os 15 e os 19 anos até diminuiu ligeiramente, de 72 para 70 por cento entre 2001 e 2002, embora na faixa entre os 20 e os 24 anos se tenha registado um aumento de 58 para 62 por cento, durante esse mesmo período. A percentagem de internautas com mais de 50 anos manteve-se nos sete por cento.



A info-exclusão persiste também no que se refere ao nível de escolaridade. Enquanto que 81 por cento (79% em 2001) dos portugueses com um curso médio ou superior já acederam à Internet, apenas cinco por cento (4% em 2001) dos que possuem o primeiro ciclo do ensino básico utilizaram alguma vez a Internet, ao passo que no segmento dos indivíduos sem quaisquer habilitações não existem utilizadores (face a um por cento em 2001).



Comparando 2001 com 2002, todas as ocupações profissionais registaram uma quebra da percentagem de utilizadores, entre activos, desempregados, reformados, domésticas e estudantes. Por grupos profissionais, 8 em cada 10 (81% face a 75% em 2001) das profissões intelectuais e científicas utilizam a Internet, contra apenas 3 em cada 100 agricultores (que eram apenas 1% em 2001) e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas.

Em termos percentuais, é o Algarve que continua a liderar a lista das regiões com maior número de utilizadores, tendo subido de 38 para 42 por cento, mas a zona que registou um maior crescimento foi a do Centro, tendo aumentado de 25 para 33 por cento.

Estes dados foram recolhidos entre Maio e Junho de 2002 junto de 3.001 indivíduos entre os 15 e os 64 anos a residir em Portugal Continental, estratificados por sexo, escalão etário, região e habilitações literárias.

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