O NETmede é disponibilizado pelo regulador das comunicações eletrónicas, que pretende contribuir para aumentar a transparência no mercado e ajudar os consumidores a fazerem melhores escolhas.

A ferramenta permite obter informação sobre a velocidade efetiva da ligação à Internet, monitorizando três elementos: débito no download, no upload e delay. Este último indicador apura o atraso de rede ou de propagação de transmissão associado às aplicações mais interativas, que exigem uma resposta mais imediata do serviço. São exemplo os jogos interativos ou os serviços de voz sobre IP. Um delay muito elevado influencia a qualidade do serviço.

Os resultados deste teste são mostrados ao utilizador num relatório, que pode ser extraído em PDF e que a Anacom admite possa ser usado como forma de pressão junto do operador, se o serviço prestado não corresponder ao contratado.

O regulador aconselha os utilizadores a repetirem o teste mais do que uma vez, em dias e horas diferentes, para aumentar a fiabilidade do resultado. Fátima Barros, presidente, também sublinhou na conferência de apresentação do NET.mede que, embora a ferramenta possa ser usada para monitorizar a qualidade do serviço e com esses dados interpelar o operador, não é um instrumento com força legal. De sublinhar que nos contratos assinados os operadores definem um débito máximo para a sua oferta, não garantem que esse débito é sempre assegurado. Os mesmos contratos não definem débitos mínimos.

O NET.mede permite ainda identificar práticas de traffic shaping por parte do operador. O objetivo é permitir ao utilizador saber se o operador está a gerir de forma abusiva a forma como está a distribuir os seus recursos de rede, penalizando excessivamente a geração de determinados tipos de tráfego.

Entre os serviços que consomem mais recursos à rede do operador estão peer to peer e o streaming. A análise, que demora cerca de 8 minutos e consome entre 600 a 700 MB, avalia a gestão de tráfego pelo operador a estes dois níveis.

Numa e noutra vertente a ferramenta hoje apresentada pela Anacom indica valores médios de referência, ou contextualiza a informação apresentada de forma a que qualquer utilizador possa tirar partido do serviço, mesmo sem conhecimentos técnicos.

Numa próxima fase, os dados que resultam dos testes efetuados pelos consumidores tirando partido do NET.mede podem vir a ser utilizados para a gerar indicadores de qualidade. A evolução da ferramenta para esta nova fase implicará um envolvimento diferente do consumidor e um maior controlo do regulador em relação ao ambiente dos testes.

Será, por exemplo, necessário conseguir confirmar o débito que o utilizador tem em casa, um dado que nesta fase de maturidade da ferramenta pode ou não ser indicado pelo utilizador, mas não é fundamental para a realização do teste nem pode ser comprovado pelo regulador.

Desde já a Anacom garante que a ferramenta lhe será útil como mecanismo de observação do mercado, uma vez que o regulador terá acesso aos dados em bruto que resultarem das medições efetuadas.

O NET.mede monitoriza informação sobre a qualidade dos serviços de Internet independentemente da ligação ser fixa ou móvel, mas está apenas preparado para análises no PC. A prazo será possível fazer o mesmo tipo de análise a partir de dispositivos móveis.

Fátima Barros explicou no encontro com a imprensa que o regulador está também empenhado em afinar a monitorização da qualidade de serviço na área da Televisão Digital Terrestre, para o que vai contribuir a instalação de 400 sondas em todo o país até final do ano.

Prioritário para o regulador é ainda o tema dos contratos de telecomunicações, uma área que tem vindo a ser trabalhada e onde Fátima Barros garante que não vão ser tolerados abusos. O número de queixas recebidas pelo regulador nesta área, alegando informação incorreta ou incompleta das forças de vendas no terreno, que levam à contratação de serviços não desejados, é elevado, adiantou a responsável.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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