"A indústria de telecomunicações teve nos últimos anos de saber adaptar-se a um conjunto de transformações que passam por uma maior segmentação dos mercados e pelo aparecimento de novas tecnologias alternativas ou complementares", reflectiu hoje Jamie Anderson, da European School of Management and Technology nos VII Encontros Ericsson/ Semanário Económico.



Abordando o tema Convergência - O Início de um Novo Ciclo, o responsável considerou que esta evolução permite que cada player use um conjunto de recursos e nível de investimento adequado ao seu mercado alvo, promovendo ou ofertas integradas dirigidas ao mass market, ou ofertas mais limitadas a nichos e segmentos de mercado específicos.



O responsável trouxe vários exemplos europeus ilustrando a diversidade de modelos de negócio, exploráveis num contexto de mercado muito segmentado e a importância do aparecimento destas novas ofertas para dinamizar o mercado e fazer descer os preços.



Operadores e clientes: duas visões da oferta



Jamie Anderson apresentou ainda os resultados de um estudo realizado junto de 27 operadores europeus e 1.216 clientes onde se demonstra que as prioridades dos operadores nem sempre coincidem com os aspectos mais relevantes para os seus clientes. Estes continuam a privilegiar o preço face à tecnologia.



Segundo estes números, 44 por cento dos utilizadores abdicavam de serviços avançados para ter preços mais baixos, privilegiando ainda uma maior simplicidade da oferta (78 por cento dos clientes pós-pago inquiridos) e dos meios de pagamento, factores não prioritários segundo os critérios dos operadores.



A mesma pesquisa revela que 79 por cento dos inquiridos usariam mais os seus equipamentos móveis se os preços fossem mais baixos, números que o responsável considera demonstrativos de novas oportunidades de negócio e estratégias que respondam a estas prioridades.



Jamie Anderson concorda no entanto que os operadores com uma oferta exclusivamente baseada nos preços baixos poderão ter uma janela de oportunidade limitada a dois ou três anos, uma vez que o seu modelo de negócio começa a ser replicado sucessivas vezes e isso altera as premissas do sucesso.



Luís Nazaré acredita no desenvolvimento rápido do VoIP




Luís Nazaré, orador no mesmo evento, analisou a evolução do termo convergência, que deu o mote ao encontro que, em sua opinião, tem nos últimos anos perdido abrangência, "tendo começado por significar uma junção entre tecnologias da informação, telecomunicações e conteúdos, sendo hoje encarado do ponto de vista fixo/móvel", considerou.



O professor do ISEG levantou um conjunto de questões sobre o futuro das telecomunicações que, em sua opinião, passa pela generalização do uso das plataformas de base IP que progressivamente assumirão o lugar de outras tecnologias (como o cobre ou a fibra) e para a centralização num único operador de um conjunto alargado de serviços, por se tornar mais fácil para o utilizador interagir com uma única entidade.



Ainda assim, Luís Nazaré deixou no ar outros cenários possíveis que passam pela rivalização entre várias plataformas tecnológicas que se substituem entre si; ou pela real convergência entre fixo e móvel.



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