A exaustão dos blocos de endereços IPv4 do IANA, que aconteceu na semana passada, não é preocupante para os utilizadores finais e para as empresas, pelo menos para já. "O IPv4 ainda vai ser usado durante muitos anos", destacou hoje Pedro Veiga, Presidente da FCCN, em conferência de imprensa.

Mesmo assim, as entidades públicas e as empresas devem começar a preocupar-se com a aquisição de equipamentos compatíveis com o novo sistema de endereçamento IP. "O Estado deve, nos concursos públicos, exigir que os equipamentos sejam compatíveis com IPv6, o que não acontece na maioria dos casos", sublinhou este responsável.

Há vários anos que a FCCN (Fundação para a Computação Científica Nacional) assumiu um papel de protagonista na divulgação e implementação do IPv6 e um dos exemplos disso é a Rede Ciência Tecnologia e Sociedade (RCTS), que liga as universidades e várias unidades de investigação, que já garante a compatibilidade dual stack (IPv4 e IPv6).

O fim dos endereços IPv4 já era anunciado há vários anos, como o TeK escreveu na semana passada, mas o princípio do fim foi assinalado na semana passada, quando foram entregues pela IANA - entidade gestora de endereços IP - os últimos blocos aos coordenadores regionais (registries). Agora é mais premente a preparação de todas as entidades para suportarem os endereços da "Internet de nova geração", que trazem vantagens a nível de alargamento de número de endereços disponíveis e de segurança.

A maior parte do trabalho está nas mãos dos ISPs, que têm de preparar as suas redes a nível de equipamentos centrais e de equipamentos de comunicação distribuídos junto dos utilizadores, os routers. Mas há também questões a resolver a nível das aplicações e dos servidores Web para que, no futuro, não seja negado a ninguém o acesso a sites IPv6, como o que a FCCN criou especificamente para alertar os utilizadores para o tema.

Os principais fabricantes de equipamentos de comunicação estão já a oferecer terminais compatíveis com IPv6, mas há ainda falhas no mercado, como acontece nos acessos à banda larga móvel em que algumas pen discs não suportam o protocolo, um problema também presente em alguns modelos de telemóveis.

Os utilizadores finais podem estar descansados? Mais ou menos. "O utilizador final não devia aperceber-se de nada disto, a menos que apareçam conteúdos já IPv6", que não vão poder ser vistos por quem não estiver numa rede compatível, afirma Pedro Veiga. "Há condições técnicas para tudo ser transparente", assegura, lembrando também que o IPv4 vai ser usado por muitos anos e que há ainda muitos endereços disponíveis para distribuir dentro das várias regiões geográficas.

A FCCN preparou um vídeo em que Pedro Veiga explica as diferenças entre o IPv4 e o IPv6 e os desafios que existem, e que pode ser visto a partir deste link http://vod.fccn.pt/fccn/ipv6/a_introducao_do_ipv6.wmv

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