O arranque oficial da terceira geração móvel terá lugar no início do novo ano que agora chega. Mesmo com as advertências dos operadores para a falta de viabilidade comercial do serviço, a Anacom, e o ministério da Economia, decidiram manter a data prevista de 1 de Janeiro de 2004, flexibilizando algumas condições.




Esta solução híbrida atende aos pedidos dos players de mercado já que remete o lançamento comercial do UMTS para o segundo semestre do ano e evita um terceiro adiamento do arranque do serviço.




Lançado em 2000, o concurso que levou à atribuição de quatro licenças previa que a tecnologia estivesse "na rua" em Janeiro de 2002 mas, a falta de equipamentos terminais e os problemas de interoperabilidade da rede (GSM e UMTS) obrigaram a um primeiro adiamento de um ano. No último trimestre de 2002 problemas idênticos voltaram a adiar o lançamento da tecnologia em Portugal e na generalidade dos países europeus.




Em Novembro deste ano o presidente do regulador das comunicações manifestou-se pela primeira vez sobre a possibilidade de um novo adiamento, depois do Ministro da Economia, Carlos Tavares, ter já afastado essa hipótese, para concordar com a posição da tutela.




Com a OniWay, detentora da quarta licença UMTS, fora da corrida depois de um longo e penoso processo de tentativa de antecipação de entrada em actividade com base na tecnologia GPRS, os restantes três operadores garantem estar em condições para cumprir os requisitos definidos pela Anacom.




A Vodafone explica que vai arrancar com o pré-lançamento no início do ano, alargando os seus grupo de teste a parceiros e clientes, prevendo o lançamento comercial no segundo semestre de 2004, conforme o definido pelo regulador. A operadora avança com uma cobertura de 20 por cento do território numa fase inicial de lançamento do serviço, cobrindo em primeiro lugar as áreas de Lisboa e Porto, explica fonte oficial.




"Numa segunda fase serão cobertas as zonas do litoral e Algarve e só posteriormente as áreas do interior do país onde esperamos ser autorizados a partilhar sites", explica a mesma fonte.




Recorde-se que a Vodafone tem constituída uma empresa de towering em parceria com a Optimus que pouco avançou, já que o arranque do serviço foi sendo adiado. Numa primeira fase também não é provável que a Situs intensifique actividade pois "nesta altura não somos obrigados a colocar novas antenas, mas a re-localizar as que já existem", explica a Vodafone.




O objectivo da empresa de towering é levar as duas operadoras a poupar custos com a partilha de infra-estruturas em zonas menos populosas, onde acreditam não fazer sentido a duplicação de investimentos.




Para já, a Vodafone pretende intensificar testes - que já estão em curso com colaboradores da empresa -com clientes e parceiros de forma a testar serviços e rede.




A TMN tem um plano de actividades idêntico garantindo que "os testes a nível interno estão em curso e a breve prazo serão alargados a grupos de clientes". Fonte oficial da operadora explica ainda que estão fechados alguns acordos com fabricantes de terminais e que começam a ser recebidos equipamentos em "quantidades mais atractivas". Esta poderá ser uma das razões que levaram o presidente da empresa, Iriarte Esteves, a afirmar na apresentação dos serviços móveis para o Euro 2004 que a operadora poderá avançar, nesta altura com algumas novidades já em UMTS.




A maior operadora móvel nacional garante estar preparada para cumprir o calendário definido pelo regulador, segundo o qual os operadores terão de garantir uma cobertura de 20 por cento do território no primeiro ano de actividade, avançando das áreas com maior densidade demográfica para as áreas menos populosas.




A Optimus limita-se a afirmar que "está pronta a prestar o serviço comercial na exacta medida em que esse serviço acrescenta valor aos seus clientes. Assim os fornecedores de tecnologia estejam prontos para responder às necessidades do mercado", não fazendo mais comentários sobre o tema.




Vodafone e TMN consideram pouco provável a possibilidade de voltarem aos níveis de subsidiação de terminais praticados no arranque do GSM para acelerar a massificação do serviço. Ambas consideram, no entanto, que a reacção do mercado à tecnologia será crucial para delinear estratégias comerciais. As duas operadoras apontam 2005 como o ano em que o serviço se tornará mais atractivo por atingir um número de utilizadores já com algum interesse.




As contrapartidas do UMTS





Os critérios para atribuição de licenças de terceira geração foram determinados por uma Comissão de Análise, nomeada pelo Governo. Os contributos para a Sociedade de Informação que privilegiem a cobertura alargada da população e a promoção do acesso universal e info-inclusão foram definidos como prioridade máxima, assumindo um peso de 50 por cento na avaliação de propostas.




Os contributos para a criação de condições de concorrência efectiva tiveram um peso de 20 por cento, a qualidade do plano técnico 15 por cento, a qualidade do plano económico-financeiro 8 por cento e a contribuição para o desenvolvimento de uma actividade económica sustentada 7 por cento.




Foram definidos timings para o cumprimento destas contrapartidas que envolviam escolas, bibliotecas, hospitais e outras entidades públicas carentes de recursos tecnológicos. Com o adiamento do arranque do serviço estes timings foram também prolongados no tempo.



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