Com mais de 50 anos de existência em Portugal, a PT Inovação, a unidade para a investigação e desenvolvimento tecnológico do grupo Portugal Telecom, prepara agora a sua internacionalização, com a abertura de uma subsidiária no Brasil, no próximo dia 7 de Fevereiro.

Desta forma a Portugal Telecom pretende dar apoio aos produtos desenvolvidos a nível nacional, mas instalados no Brasil, tal como explica Norberto Fernandes, vice-presidente do grupo e presidente da PT Inovação em declarações à imprensa, e não necessariamente a investigação. "A equipa contará com poucas pessoas e será a implementadora das tecnologias que se criam em Aveiro, no mercado brasileiro".



Outra das razões apontadas por aquele responsável para a criação da PT Inovação Brasil passa pela necessidade de fornecer suporte à joint venture estabelecida com a Telefónica.



Vasco Lagarto, director de coordenação da PT Inovação, por sua vez adianta que a acção da PT é uma clara aposta num mercado que já é suficientemente grande e exigente em termos de qualidade e de apoio. "É necessário colocar no Brasil uma equipa, que utilizará igualmente recursos nacionais para colaborar no projecto", esclarece.



Em comunicado de imprensa adianta-se também que, a par da transferência tecnológica e de know-how nacionais associada à instalação da PT Inovação no Brasil, a presença em permanência da empresa naquele mercado permite prever "o recrutamento local de mão-de-obra qualificada", que actualmente estagia em Aveiro, desde que sirva as necessidades e os interesses da empresa.



Além de estar a preparar a sua internacionalização, a PT Inovação diz-se "fortemente envolvida nas comunicações móveis de terceira geração e a pensar já na quarta geração". O projecto Samba é disso exemplo. Iniciado em 1994, este projecto de âmbito comunitário envolveu, segundo Vasco Lagarto, várias instituições nacionais e internacionais, entre elas a BBC, a Bosch, a Philips, o Instituto Superior Técnico e a japonesa Mitsubishi.



Actualmente, o trabalho desenvolvido está concretizado num protótipo de terminal de comunicação 4G, que pesa 40 Kg mas tem uma capacidade de transmissão de informação de 32 Mbps, ou seja 16 vezes superior àquela que o UMTS se propõe fazer. Embora de dimensões pouco agradáveis, os responsáveis do projecto na PT Inovação adiantam que o tamanho do terminal se irá aproximar do de um computador portátil.



Inquirido quanto às principais diferenças entre a tecnologia UMTS e a de quarta geração, Vasco Lagarto menciona que a transmissão de imagem é efectuada com muito melhor definição, "com possibilidade de difusão profissional". E explica que "em 32 Mbits é possível pôr 5 a 6 canais de televisão codificados".



Embora os japoneses estejam a prever ter terminais de quarta geração no mercado em 2007, Vasco Lagarto afirma que o pleno da tecnologia só deverá acontecer daqui a 15/20 anos, embora admita que esta década poderá ser frutuosa em "avanços".



"Os investimentos realizados nestas tecnologias têm que ter um período de recuperação", explica o responsável da PT Inovação. "Uma vez que só agora estamos a entrar numa terceira geração móvel - e visto que se lhe prevê um período de duração entre 10 a 15 anos -, uma nova evolução terá de acontecer num período de tempo superior, caso contrário não haverá capacidade para recuperar investimentos".



O projecto Samba contou com um financiamento comunitário de 13 milhões de euros, mas Vasco Lagarto diz acreditar que os custos reais do mesmo são superiores a 25 milhões de euros (cerca de 5 milhões de contos). "A comunidade europeia financiou a participação das empresas europeias no projecto. Tudo o que ultrapassou esse valor foi investido pela Mitsubishi".



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