Num país onde cerca de 16% das famílias dependem exclusivamente da televisão digital terrestre, a DECO alega que boa parte delas continua mal servida. Num estudo conduzido a 10 regiões do país, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor não quer deixar margem para dúvidas: apenas 20% revelou ter boa receção com a rede TDT de frequência única.

Numa altura em que a Anacom divulga diariamente um conjunto de relatórios com informações positivas relativamente à disponibilidade e à estabilidade das emissões de TDT, a análise da DECO aponta na direção contrária.

Em Monte Gordo, por exemplo, onde a MEO, a detentora da licença, e a Anacom apresentam uma total ausência de problemas, nos nove locais onde foram efetuadas medições, registaram-se valores de potência insuficientes e níveis elevados de ruído que não permitem uma receção de qualidade. "Como se trata de uma zona que não dispõe de canais alternativos de receção, os consumidores ficam sem solução", escreve a associação.

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Nas restantes regiões analisadas (Chaves, Espinho, Gavião, Penalva do Castelo, Carcavelos, Foz do Arelho, Alvito, Ourique e Portimão), onde foi medida a qualidade do sinal da rede de frequência única (canal 56), apenas Chaves mostrou estar concordante com o alegado pela MEO no que toca à cobertura teórica. No Alvito, a diferença chegou a ser positiva, na medida em que as medições da DECO mostraram haver melhor cobertura do que a assumida pela operadora. Em contrapartida, as restantes regiões mostraram a situação inversa.

Embora em alguns dos casos a receção medida no canal, avançado pela Anacom e pela MEO como sendo o melhor coberto, não tenha sido tão boa quanto a teórica, a DECO registou frequências alternativas com coberturas de maior qualidade. Em Espinho, por exemplo, onde as medições globais concluíram que havia uma "Cobertura limite" através do canal 56, que a MEO diz estar abrangido por uma "Cobertura parcial", o estudo conduzido à região mostra que existe "Boa cobertura" através do canal 42. O mesmo acontece com outras quatro regiões. Sem uma cobertura de qualidade em qualquer canal ficam Monte Gordo, Portimão, Carcavelos e Ourique.

Tito Rodrigues, responsável pelo gabinete de relações institucionais da DECO, diz que a solução para esta discrepância de valores, passa pela rápida implementação da rede de multifrequências e por uma campanha de informação abrangente. "Como a licença de utilização atribuída à MEO termina em junho de 2023, é imprescindível que o processo de migração para a rede de multifrequências fique concluído antes dessa data. Para tal, a operadora tem de terminar a restruturação da rede, com a qual se comprometeu", escreve o responsável na edição do próximo mês de fevereiro da revista DECO Proteste.

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