Nos últimos anos a Compta reposicionou o negócio e está hoje especialmente atenta a oportunidades na área das aplicações móveis ou da Internet das Coisas.



Também aposta cada vez mais em mercados verticais e em produtos próprios, para consolidar a presença em Portugal e explorar novas oportunidades nos mercados internacionais, num mundo em mudança, onde a tecnologia tem de se munir de outras valências para criar valor nas organizações. Um caminho que a Compta também tem estado a fazer, garante Jorge Delgado.



TeK: A Compta apresentou recentemente resultados que revelam um crescimento no ano passado. Para 2015 quais as perspetivas e as principais áreas de aposta?
Jorge Delgado:
No exercício de 2014 crescemos acima do mercado pois encerramos o ano com um volume de negócios superior a 32,5 milhões de euros, tendo registado um crescimento de 13% no volume de negócios comparativamente ao exercício fiscal 2013. Para 2015 continuamos a manter uma perspetiva de crescimento muito focada no alinhamento estratégico que temos definido. Vamos continuar a apostar na oferta de serviços, que já representa mais de 56% do nosso volume de negócios, e vamos continuar a crescer na área da integração, onde temos uma oferta perfeitamente alinhada com aquilo que são as necessidades da 3º plataforma tecnológica. E pretendemos, acima de tudo, crescer, diferenciar, aportar valor e inovar com grande enfâse em tudo o que está relacionado com as Cidades do Futuro, a Internet das Coisas, e com verticais, onde temos já um vasto conjunto de produtos e serviços diferenciadores, nomeadamente, nas áreas do Ambiente, Agricultura, Energia, Logística e Mar. Pretendemos acelerar a entrada de novos produtos Compta no mercado baseados em plataformas as a service e aplicações móveis, beneficiando também das ideias oriundas da nossa plataforma nacional de inovação, disponível em www.lusideias.pt.

[caption]Jorge Delgado, CEO da Compta[/caption]

TeK: Dentro dos serviços, que representam mais de metade do volume de negócios, que áreas se destacam?
Jorge Delgado:
As áreas preponderantes são as infraestruturas de TI, a segurança e as aplicações, quer em termos de serviços de desenvolvimento evolutivos, quer em termos de suporte.
Temos dado muita atenção aos serviços complexos e especializados, onde temos vários contratos de dimensão que funcionam numa perspetiva de 360º, e onde grande parte das necessidades de TI está confiada às nossas equipas.
Por outro lado, a qualidade e a confiança no trabalho que temos desenvolvido com grandes fabricantes mundiais tem permitido que algumas dessas alianças nos deleguem projetos nacionais e internacionais.

TeK: A internacionalização tem sido uma das apostas da companhia. Este ano querem chegar a novos mercados, ou sobretudo consolidar nos que já estão?
Jorge Delgado
O crescimento do grupo tem de passar inevitavelmente também pelo processo de internacionalização. Nesse pressuposto, vamos continuar a investir nas nossas operações, quer ao nível da exportação, quer pela própria internacionalização local da atividade do grupo. Estamos em Angola desde 2008, e em 2014 começámos a operar no Brasil com equipas e estruturas próprias, sendo uma operação que começa agora a ganhar tração. Estamos a preparar o início da operação na Colômbia, onde temos já inclusivamente alguns projetos em decisão. Uma vez que a América do Sul é para nós uma prioridade, será maioritariamente aí que iremos concentrar os nossos esforços nos próximos tempos.

TeK: Em 2013 o negócio internacional representou 10%. Em 2014 qual foi a evolução?
Jorge Delgado:
Em termos de volume de negócios em 2014 a contribuição da área internacional manteve-se. Vemos bastante potencial de crescimento e possibilidades de afirmação da nossa oferta a nível internacional, mas ainda temos felizmente um longo caminho a percorrer para podermos atingir a dimensão e a valorização que pretendemos.

TeK: Têm no horizonte/ou já em marcha algum projeto novo interessante e relevante em mercados estrangeiros?
Jorge Delgado:
Estamos a trabalhar em várias frentes. Contudo, a nossa aposta em verticais, nomeadamente no Ambiente, Logística e Energia, tem permitido a nossa participação em projetos bastante inovadores, e acima de tudo com um potencial de escala totalmente diferente daquele que o mercado português nos pode oferecer. Falamos de oportunidades no Brasil, no Panamá, na India, em Espanha, na Polónia, e em Angola, entre outros.

TeK: Nos últimos anos a Compta tem-se reposicionado para tirar partido de tendências emergentes, abandonando outras áreas. A oferta que têm hoje é a que querem manter no futuro ou há mais áreas novas onde estejam a planear investir?
Jorge Delgado:
Temos realizado um movimento de consolidação da nossa oferta em torno de 2 eixos estratégicos fundamentais: a Integração de Infraestruturas e os produtos próprios Compta. Este movimento tem implicado o investimento em áreas mais tradicionais para o grupo, onde já temos presença e onde queremos continuar a reforçar posições. No caso da integração, passa sobretudo pelo reforço de competências e alinhamentos estratégicos com os nossos principais parceiros. Passa também pela aquisição de know-how em áreas de vanguarda onde queremos liderar, caso da Cloud, do Big Data, da Segurança, da IOT e da Mobilidade, entre outras áreas onde a nossa oferta tem vindo a aumentar substancialmente.
Outro eixo importantíssimo em que vamos continuar a investir é a área de produtos próprios. Âmbito que para além de poder alavancar a área de integração, nos permite ter uma agenda própria em termos de endereçamento ao mercado, com maiores graus de liberdade e muito mais próxima da realidade e necessidades do negócio de certos verticais.
Este é um processo em constante mutação, mas continuaremos a antecipar o mercado. De resto, temos conseguido fazer isso, por exemplo, na Gestão de Resíduos ou na Energia e Eficiência Energética. Ambicionamos mais, claro está. Temos uma boa base de crescimento, uma visão, e uma estratégia, onde temos perfeitamente identificados os caminhos que queremos seguir e os objetivos que temos de alcançar.
Continuaremos a privilegiar a inovação, quer internamente, quer externamente, tentando captar ideias e talentos. Caso disso é a nossa plataforma nacional de inovação, www.lusideias.pt, que neste aspeto tem tido um sucesso surpreendente.

TeK: As smart cities e as aplicações estão no centro desta estratégia para o futuro? Anunciaram no início do ano um reforço das atividades de I&D nestes domínios. O que têm vindo a fazer aí, que projetos têm surgido nesses domínios?
Jorge Delgado:
São áreas onde vemos crescimento e onde temos já hoje projetos implementados. Em 2012, quando ganhámos os Green Project Awards com a nossa solução de gestão de resíduos, ezWASTE, a primeira em Portugal a permitir a implementação de uma filosofia PAYT (Poluidor Pagador), e hoje já usada por diversos operadores do setor, estávamos já a antecipar uma tendência.
Esta, entre outras soluções e produtos que temos lançado, tem-nos permitido identificar claramente que para alimentar este esforço de inovação teríamos de continuar a reforçar a massa crítica. Daí a abertura do nosso primeiro centro de I&D em Tomar, em parceria com a IBM/SoftInsa e em estreita articulação com o Instituto Politécnico de Tomar, e mais recentemente a abertura de outro centro R&D em Lisboa. Estas estruturas já concentram mais de 20 recursos dedicados a projetos concretos.
Estamos inclusivamente a exportar conhecimento e valor a partir destes centros para projetos internacionais na área dos sistemas de reconhecimento de voz ou a participar em projetos inovadores que envolvem até outros organismos nacionais e internacionais de ensino. Temos competência para desenvolvimentos em aplicações móveis e estamos a publicar aplicações para as 3 lojas (Microsoft, Google e Apple). Por outro lado, estamos a implementar um projeto para um grande grupo na área da energia, que para além de ser um projeto com cobertura nacional com grande dimensão, e verdadeiramente inovador na eficiência energética que proporciona, pode permitir-nos escalar para outros países. Desta forma, a sinergia destas estruturas com o resto da organização tem sido determinante para os bons resultados que temos alcançado. E principalmente para podermos estar optimistas quanto aos desafios do futuro.

TeK: É possível identificar tendências relativamente àquilo que as empresas mais procuram nestes domínios e às oportunidades mais promissoras que isso pode gerar para uma empresa como a Compta?
Jorge Delgado:
Estamos a assistir a uma mudança de paradigma: hoje a tecnologia cria novos negócios (produtos/serviços), está cada vez mais focada no consumidor-cliente e não no utilizador. E mais significativo: o investimento em TI vem do negócio e destina-se a estimular o negócio.
Esta mudança faz com que a verticalização das soluções e a sua especialização para atender a necessidades concretas de um setor específico assumam um maior valor. A Compta tem-se adaptado e essa nova realidade incorporando conhecimento de diversas áreas: temos nos nossos quadros Engenheiros Agrónomos, Arquitetos Paisagísticas, Psicólogos, Especialistas no ambiente, em logística e portos, entre outros. Enfim, um conjunto de saberes não necessariamente de base tenológica que nos tem permitido lançar as pontes do conhecimento para abraçar setores onde a especialização nos diferencia.
Este posicionamento é cada vez mais aquele que o mercado procura. Especialistas não só em tecnologia, porque isso sempre fomos e seremos, mas com saber específico em verticais de atividade. Que verdadeiramente acrescentem valor, não apenas a tecnologia pela tecnologia. Somos procurados em diversas áreas por termos esta forma de estar, por saberem que aquilo que oferecemos pode ser um acelerador para o próprio negócio da empresa nossa cliente. Claro está que a componente tecnológica continuará a ser importante pois é ela que permite tornar quase sonhos em realidade, mas não determinante. É essencial saber colocar da forma certa a tenologia do negócio seja ele qual for.

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