Por Francisco Jaime Quesado (*)

Quase dez anos depois, o investimento da Embraer em Évora é já um grande exemplo de sucesso.  A dinâmica de investimentos que a conhecida multinacional brasileira de aeronáutica tem realizado em Portugal são um desafio para uma nova agenda económica nacional. Vivem-se tempos complexos na economia  internacional e no contexto da intensa competição entre regiões e mercados a urgência de um sentido  estratégico mais do que se impõe. A manutenção e captação de investimento estrangeiro é fundamental para o sucesso económico do país. Por isso a aposta da Embraer é tão importante.

A Embraer  já é  um importante motor de um cluster estratégico ligado ao sector aeronáutico que nos últimos anos permitiu o desenvolvimento, na base da inovação e criatividade, de competências, talentos e novas oportunidades. A dinamização da criação de valor e reforço da inovação tecnológica terá muito a ganhar com este efeito Embraer. Por isso, em tempos de crise e de aposta num novo paradigma para o futuro, a Embraer deve constituir o verdadeiro centro de uma convergência estratégica entre o Estado, a empresa e todos os que se relacionam com a sua dinâmica. A Embraer já é   a referência da aposta num novo modelo de desenvolvimento estratégico para o país.

O investimento direto estrangeiro desempenha um papel de alavancagem da mudança único. Portugal precisa de forma clara de conseguir entrar com sucesso no roteiro do “IDE de Inovação” associado à captação de empresas e centros de I&D identificados com os sectores mais dinâmicos da economia – Tecnologias de Informação e Comunicação, Biotecnologia, Automóvel e Aeronática, entre outros.

Trata-se duma abordagem distinta, protagonizada por “redes activas” de actuação nos mercados globais envolvendo os principais protagonistas sectoriais (empresas líderes, Universidades, centros I&D), cabendo às agências públicas um papel importante de contextualização das condições de sucesso de abordagem dos clientes. O exemplo da Embraer tem por isso que ser potenciado.

Por isso importa que os atores envolvidos neste processo de construção de valor percebam o alcance destas apostas estratégicas. Não se pode querer mobilizar o país para um novo paradigma de desenvolvimento, centrado numa maior equidade social e coesão territorial, sem partilhar soluções estratégicas de compromisso colaborativo. O futuro da Embraer passa por isso. Por perceber que a aposta em projectos estratégicos como os clusters de inovação e os pólos de competitividades são caminhos que não se podem adiar mais. A guerra global pelo valor e pelos talentos está aí e quem não estiver na linha da frente não terá possibilidades de sobrevivência.

Precisamos de perceber este Exemplo da Embraer, com todas as consequências do ponto de vista de impacto na sua matriz económica e social. Se não houver um verdadeiro sentido de responsabilidade colectiva estratégica à volta do novo paradigma de desenvolvimento para o futuro, tudo será posto em causa. Será acima de tudo o principio de um fim que nunca pensámos poder vir a ter e que não se articula com a nossa vontade de mudança. É por isso efectivamente grande o desafio que espera agora Portugal com esta aposta na Embraer com tão grandes impactos de modernidade estratégica.

(*) Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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