O futuro das redes sociais
Por Francisco Teotónio Pereira (*)

O cliente tem sempre razão. Ou melhor, tinha, até ao dia em que morreu e, com ele, morreu igualmente o público, o espectador, ouvinte ou consumidor. Assim como todas as formas de recepção passiva de um produto ou serviço. Em seu lugar surgiu uma nova entidade que interage, participa, opina, e também produz. O Digital é um processo revolucionário e, para o cidadão comum, as redes sociais são a grande conquista da internet.

Da banca às viagens, da hotelaria ao imobiliário ou da música aos media, a internet não impôs apenas uma nova lógica e novos modelos de negócio à generalidade dos sectores de actividade. A transferência de poder das instituições, nomeadamente das empresas e outras organizações institucionais, para o público é, provavelmente, o fenómeno mais significativo.

[caption]Nome imagem[/caption]Hoje, as empresas comunicam reciprocamente com os seus consumidores, o poder é mais escrutinado pelos cidadãos, os serviços públicos mais expostos e mais dependentes da apreciação dos utentes. Com a desintermediação, que assolou estruturas e processos há muito instituídos, o cidadão anónimo ganhou importância, capacidade de intervir nos processos de decisão, estatuto.

Esta mudança transformou um mundo unidireccional, linear e hierarquicamente estruturado numa sociedade transversal, interactiva e permanentemente online.

E, apesar da atractividade e diversidade dos novos serviços de base tecnológica, cedo surgiu um fenómeno bastante mais significativo traduzido na importância que as pessoas dão à possibilidade de comunicarem entre si, de se promoverem e de poder partilhar conteúdos da sua esfera privada.

Numa primeira fase por email, mais tarde nos fóruns, nos chats ou nos blogues, a relevância da comunicação entre as pessoas, outrora receptores, leitores, ouvintes ou telespectadores passivos, atingiu a sua verdadeira dimensão com a irrupção das redes sociais.

As redes sociais são, de facto, o corolário de uma nova sociedade, onde a comunicação directa é a base das relações entre pessoas e organizações. Onde as decisões são distribuídas entre fornecedores de produtos e serviços e os seus utilizadores e clientes. Onde o poder é partilhado entre governantes e governados.

Um sistema que pode despoletar grandes movimentos sociais - mesmo revoluções - resultado da transferência do poder para as pessoas. E se o fenómeno está a ser seguido por governos de todo o mundo, é igualmente verdade que também pode ser utilizado a favor ou contra empresas e marcas.

Já são significativos os casos de marcas cuja imagem foi, de alguma forma, afectada nas redes sociais. E mesmo aqueles que advogam que problemas com consumidores sempre existiram, não estão a ter em conta a capacidade de amplificação que aquelas comportam.

Por isso, se hoje os cidadãos têm mais poder, as marcas têm maior responsabilidade e bastante mais vulnerabilidade como casos recentes evidenciam.

Sendo inevitável a necessidade de assegurar uma presença forte nas redes sociais, encontrar o modelo, a forma e o posicionamento adequado parece ser o grande desafio com que as marcas actualmente se confrontam.

Estamos ainda no início e é cedo para perceber quão as redes sociais irão condicionar a forma como nos relacionados uns com os outros, com as empresas, com as organizações e com as instituições governamentais.

O entusiasmo existente, traduzido no crescimento vertiginoso do número de utilizadores das redes sociais, acentua o debate relativamente ao que é hoje a privacidade ou a segurança mas não diminui a importância que actualmente representam.

Poder comunicar com o mercado de forma directa, instantânea e, acima de tudo, a baixo custo, é o cenário ideal para qualquer marketeer. Mas, por outro lado, a presença das organizações num território dominado por indivíduos, pode resultar numa experiência tão estimulante como a daqueles pais que frequentam as mesmas discotecas dos filhos...

Pelo facto de ter cerca de 600 milhões de utilizadores, o Facebook é muitas vezes equiparado ao 4º país mais populoso do mundo.

Mas, na Aldeia Global em que nos tornámos, oxalá que as redes sociais como o Facebook, por exemplo, hoje como que um condomínio próspero e moderno desta aldeia planetária frequentado por jovens dinâmicos e sofisticados, não venha a transformar-se num bairro degradado, repleto de gente solitária e envelhecida onde prolifera a marginalidade...

(*)
Director da APMP - Associação Multimédia Portugal

No dia 12 de Abril, a APMP (Associação Multimédia Portugal) promoveu um jantar-debate sobre o tema "Redes Socias vs. Comunicação Empresarial: Posicionamento e modelos de negócio".

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