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Por Rui Vaz e Paulo Andrade*

O "conceito" IT Governance pode ser entendido como a formalização de um conjunto de estruturas organizacionais, processos e responsabilidades indispensáveis à gestão e operação das áreas de TI de forma integrada e alinhada com a restante Organização.

Segundo uma perspectiva de continuidade do negócio, a viabilidade e desenvolvimento de uma qualquer Organização está intimamente dependente da sua capacidade em dotar-se e organizar-se com os activos e mecanismos indispensáveis à sua gestão e actividade - p.e. recursos, competências, estruturas, processos, serviços, tecnologias, etc. -, sendo que as áreas de TI têm naturalmente que reger-se pelos mesmos princípios de organização e actuação. Nessa perspectiva, o IT Governance tende a ser cada vez mais percepcionado nas Organizações como um investimento na eficácia e eficiência do seu próprio modelo de funcionamento, sobrepondo-se naturalmente a uma mera questão de obrigatoriedade legal e de controlo - enquadramento comum nos early adopters.
[caption]Paulo Andrade[/caption]

No que respeita à concretização deste tipo de iniciativas numa Organização, um primeiro aspecto relevante a acautelar prende-se pelo reenquadramento deste tipo de iniciativas segundo uma perspectiva essencialmente organizacional e processual, e não tanto tecnológica. Ou seja, o driver terá que passar primariamente pela necessidade de se proceder a um realinhamento e formalização de orgânicas, comportamentos, responsabilidades, processos, indicadores, etc., os quais irão provavelmente exigir a posterior evolução da componente tecnológica. Por conseguinte, as decisões de investimento surgem normalmente "suportadas" em iniciativas de natureza organizacional e processual, nomeadamente:

- Revisão e redefinição de estruturas organizacionais, responsabilidades e competências;
- Definição de modelo de negócio orientado à prestação de serviços - p.e. modelo de custeio, níveis de serviço, etc.; ou
- Normalização de processos e alinhamento com melhores práticas - p.e. ITIL/ISO20K, CobiT, etc.

Outra área que habitualmente carece de particular atenção está relacionada com a tendência das Organizações em circunscrever este tipo de iniciativas às áreas de TI, negligenciando a necessidade de um envolvimento activo das restantes áreas da Organização. Desta forma, dificilmente se conseguirá concretizar aquele que é talvez o resultado mais importante a obter: o alinhamento de estratégias, processos de gestão e fluxos de comunicação entre as áreas de TI e as restantes áreas da Organização.

Por último mas não menos importante, a estratégia de implementação adoptada poderá constituir-se também como uma dificuldade neste tipo de projectos, uma vez que por vezes são estabelecidos programas de implementação one-shot, com objectivos e âmbito demasiado ambiciosos - normalmente pouco precisos/detalhados e com uma ideia pouco clara do grau de maturidade inicial -, e muito condicionados pelas soluções tecnológicas pré seleccionadas. Assim, previamente a qualquer iniciativa de implementação desta natureza, deverá ser desenvolvida uma fase inicial de assessment, scoping/costing e planning, que permita sustentar/justificar/formalizar a decorrente implementação.

*Associate Partner e Senior Consultant da GMS Consulting

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