Por André Ferreira (*) 

Tendo em conta o contexto atual, é natural que, a certa altura das nossas vidas, já tenhamos ouvido que, se quisermos mudar de carreira e entrar numa área em crescimento, aprender a programar pode ser uma boa aposta para o nosso futuro. Com o mundo a tornar-se cada vez mais digitalizado, são necessários cada vez mais programadores. O estudo “Talent Shortage Survey 2022”, desenvolvido pelo ManpowerGroup, diz-nos que os cargos tecnológicos estão entre os mais procurados em Portugal, o que revela, também, a dificuldade que as empresas têm em recrutar estes perfis. Um recente levantamento da mesma consultora mostra ainda que os cargos tecnológicos que envolvem competências de programação estão entre as profissões mais bem pagas em Portugal.

Neste sentido, há cada vez mais pessoas a olhar para esta área e trabalhar como programador pode ser um caminho de carreira gratificante para quem se interessa por criar e implementar soluções criativas para problemas reais. No entanto, poucos de nós têm uma ideia clara do que os programadores realmente fazem. Claro, tem algo a ver com escrever código e beber muito café, mas o que é que realmente isso significa?

Um programador é uma pessoa que resolve problemas! Existe muito a ideia de que a programação é uma área super técnica e que envolve muita matemática, que é basicamente um bicho de sete cabeças, mas não é verdade. Não desvalorizando a matemática, o trabalho de um programador não se desenvolve à volta disso. As primeiras linguagens de programação que habitualmente se aprendem são HTML, CSS e Javascript, que compõe o front-end (a camada visível e pública de um site) e de seguida, aprendem-se as ferramentas de back-end (o que está por trás do servidor de um site), como NodeJS, ExpressJS ou Handlebars. Parecem termos complicados, mas todas estas linguagens dão-nos ferramentas que nos permitem, de forma abstrata, mas com recurso às ferramentas necessárias, resolver um determinado problema. E é por isso que existem muitas pessoas com backgrounds completamente diferentes a aderir a esta área.

Enquanto professor na escola Ironhack, tenho alunos vindos de humanidades e de artes, que, mesmo sem a matemática, conseguem ter sucesso em programação, porque têm realmente habilidade para resolver problemas. Falo por experiência própria - fiz o secundário em artes e trabalhei como pescador durante seis anos, e, aí, a única matemática que fazia parte da minha vida era a de contar os peixes. A programação é assim uma área atrativa precisamente pela resolução de problemas, porque todos os dias são diferentes e todos os dias se colocam novos desafios.

Desta forma, para ter sucesso nesta área existem algumas competências-chave que se podem praticar e dominar. Diria que o mais importante é desenvolver o pensamento lógico – não consiste propriamente em fazer testes de QI, mas sim recorrer a websites com exercícios em que que o que interesse é a resolução lógica do mesmo. Além disso, é fundamental dominar o inglês, porque é nessa língua que esta área se desenvolve e a base de qualquer linguagem de programação. Por outro lado, olhando para as soft skills, dois pilares muito importantes nesta área são o empenho e a comunicação. O estereótipo de programador numa cave a programar sozinho no escuro já não corresponde à realidade. É essencial que este tenha uma enorme vontade de aprender e seja um bom comunicador, quer com clientes, quer com colegas, para conseguir comunicar ideias e receber as ideias de outros.

Nos dias de hoje, aprender a programar não é apenas uma linha reta onde só existe um caminho para crescer e evoluir, pelo contrário: o universo da programação permite que a pessoa se expanda por diferentes áreas: desde desenvolver jogos, a programar uma app, até mergulhar no mundo da realidade virtual e realidade aumentada. Neste sentido, para quem pretende entrar nesta área é essencial entender o porquê de o querer fazer. Antes do salto, é importante perceber se uma pessoa se imagina a trabalhar na área da tecnologia a tempo inteiro. Para isto, existem cursos online de baixo custo ou até mesmo gratuitos que podem ajudar a tomar a decisão. Procurar vídeos na Internet permite também compreender e descodificar a área e descobrir qual o ramo mais atrativo.

Dito isto, acredito que mais do que tudo, para vingar nesta área, é fundamental acreditarmos que conseguimos. Já vi padres, soldados, pescadores e capitães de navios que se tornaram programadores de sucesso, e muitos deles provavelmente não acreditavam que era por estas áreas que os seus caminhos passavam. No entanto, apostaram na programação e acreditaram que iam conseguir – e é esse o maior conselho para futuros programadores.

(*)Lead Teacher do bootcamp de Web Development da Ironhack

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