Foram meses e meses de rumores sobre as hipotéticas investidas que o Facebook estava a preparar para o segmento dos dispositivos móveis. Foram meses e meses a desmentir essas informações mas no fundo acabou por se confirmar: a rede social de Mark Zuckerberg tentou uma verdadeira "operação tecnológica relâmpago" ao sistema operativo móvel da Google.

O Facebook tem aplicações para Android, iOS, Windows Phone e BlackBerry, tem apps secundárias como o Poke e o Facebook Camera, e tem ainda o Instagram. O Messenger é um outro aparte e em determinadas localizações até permite realizar chamadas VOiP. Mas nenhuma destes software é tão ambicioso como o Facebook Home.

Foi o próprio Mark Zuckerberg quem admitiu que quando fosse para fazer uma investida além da "tradicional" aplicação, tinha que ser algo que conquistasse milhões de utilizadores. Em cima da mesa estiveram três hipóteses: um sistema operativo próprio, uma versão customizada do Android e um launcher. Venceu a última opção.

O Facebook Home é uma aplicação que, de maneira oficial, apenas está disponível para um punhado de telemóveis - Galaxy Note II, Galaxy S III, HTC One X+, HTC One X e HTC First, e já registou um milhão de downloads, mas nos últimos 30 dias o interesse dos utilizadores pelo software da rede social parece estar a diminuir.

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Na realidade são muitos mais os utilizadores que podem ter este serviço instalado já que os programadores disponibilizaram uma versão do Home que pode ser instalada em quase todos os telemóveis e sem grandes dificuldades. Tomem como exemplo o TeK: nos três dispositivos onde foi testada a aplicação, nenhum deles tem suporte oficial do Facebook.

A análise não diz respeito às características técnicas dos dispositivos móveis mas existem algumas conclusões a retirar da utilização nestes. O equipamento A tem um processador dual-core a 1Ghz e 512MB de RAM, o equipamento B tem um processador quad-core a 1,5Ghz e 2GB de RAM e o terceiro dispositivo, um tablet, tem um processador dual-core a 1,4Ghz e 1GB de RAM.

A primeira conclusão é de que o Facebook Home não é um software para todos os telemóveis. O equipamento A correu a aplicação mas com vários problemas, sobretudo de latência sempre que o dispositivo era desbloqueado. Nos outros dois equipamentos não se notou nenhum arrastamento nem nenhum entrave na utilização, pelo que um processador dual-core a 1Ghz e acima de tudo, 1GB de memória RAM, parecem ser os requisitos mínimos para utilizador a app de forma aceitável.

A beleza do social

O Facebook Home é uma aplicação bem construída a nível de design, de funcionalidades e de simplicidade. O software canta a "beleza do social", isto é, consegue transformar as publicações dos contactos em conteúdos visualmente atrativos.

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Cada publicação tem sempre uma imagem de fundo dinâmica - que depende de quem publica e da própria publicação. O próprio dinamismo nunca é igual - pode ser rápido da esquerda para a direita, pode ser lento, ou pode até ser um zoom. Um fator que é apelativo e que consegue transformar a frase mais aborrecida ou a notícia mais medonha num conteúdo que merece toda a atenção do utilizador.

A partir deste carrocel de publicações também é possível visualizar apenas a fotografia do post: basta carregar durante algum tempo na partilha que a imagem distancia-se do texto.

Ainda a partir deste ecrã é possível gostar e comentar - os principais "alimentos" do Facebook -, e ver os gostos e comentários já feitos à publicação, o que completa o caráter social do launcher. Em termos de funcionalidade, merece todos os elogios.

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A ideia de colocar o utilizador sempre no centro das atenções - com o ícone facial na parte inferior do ecrã de início - é uma ideia de génio que sabe explorar o melhor do ego de cada um. A fotografia de perfil é escolhida por uma razão e já que é a montra de cada pessoa na Web, não há razão para que também não o seja no telemóvel.

Amigos convidados e contactos penetras

A aplicação começa a perder quando o próprio Facebook, como rede social, deixa de ser um ponto de encontro e partilhas para ser também um agregador de spam. Os utilizadores têm centenas de amigos, nem todos têm representam o mesmo nível de interesse e nem todos publicam o mais interessante.

O FB Home ao invadir o ecrã do utilizador traz consigo algum do seu "lixo eletrónico", com a agravante de o telemóvel ser um objeto pessoal e acabar por haver aqui uma fusão entre o que não se quer ver mas o que é impingido. Ter 300 amigos na Web até pode dar jeito mas ter 300 pessoas a partilhar conteúdos no ecrã inicial do telemóvel pode tornar-se incomodativo.

Esta torrente de publicações torna-se incomodativa e para o tipo de utilizadores que dão um uso moderado ao Facebook, o Home pode ser demais. A empresa de Mark Zuckerberg pensou a aplicação como se todos fossem grandes devotos da rede social, mas há quem use mais, há quem use menos - e na aplicação não é possível regular este nível de utilização.

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Depois o Home concentra em si toda a atenção. Todo o restante Android que existe no telemóvel, desaparece. O que é um sentimento estranho para quem está habituado a explorar o Android com wallpapers animados, widgets ou até só a explorar o ambiente de trabalho de um lado para o outro.

O Facebook Home tem um espaço dedicado para as aplicações preferidas do utilizador, para que possa aceder a elas de forma mais rápida e intuitiva. Mas não sobra nada do Android. E isto é um aspeto negativo.

O TeK considera ainda que existe uma outra grande falha no Facebook Home: não é possível pesquisar por um determinado contacto e ver apenas as publicações deste, em estilo Home. Ser social não significa ser massificado, ser social pode significar apenas o contacto ou interesse por uma pessoa.

Mas a grande surpresa do Facebook Home é..

O baixo impacto que tem no consumo da bateria no telemóvel. Estar constantemente atualizado tem custos de eficiência - tanto para a pessoa como para a máquina - mas o Home não suga energia como outros launchers o fazem.

No geral a equipa do Facebook está de parabéns por ter construído uma boa aplicação, mas falhou na parte da utilização. O "desrespeito" pelo Android também vai acabar por condicionar a utilização da aplicação, já que ao fim de uma semana o Home torna-se cansativo, apesar da dinâmica visual que apresenta.

O gigante norte-americano podia ter optado por outro caminho - como construir um widget integrado no sistema operativo, ao estilo do BlinkFeed do HTC One - que tem dinâmica, tem informação, permite uma seleção das fontes e não é abusivamente intrometido no Android.

O Facebook Home é uma habitação que se destina apenas aos internautas que realmente passam boa parte do seu tempo na rede social e não conseguem estar desligados da realidade alheia. Para os restantes, uma pesquisa na Play Store permite encontrar outras alternativas, como o Flipboard ou outras apps de agregação de conteúdos sociais.

O TeK pede agora aos leitores para deixarem também as suas opiniões sobre o Facebook Home e sobre a experiência que têm tido com o software neste primeiro mês de vida.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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