As empresas de análise estão a convergir numa nova tendência: os telemóveis topo de gama estão a perder mercado e procura à medida que o segmento dos smartphones tem evoluído.

O diretor executivo da Apple, Tim Cook, discorda desta perspetiva e puxa a brasa para o lado do iPhone para dizer que está convencido de que os topos de gama ainda podem vender milhões de unidades. A Samsung, apesar de ter no Galaxy S4 um sucesso sem antecedentes do mesmo calibre, prevê que a área de negócios dos smartphones abrande.

A IDC e a ABI Research consideram por outro lado que as tecnológicas chinesas podem ter nesta "crise de identidade" uma oportunidade, ao oferecerem características topo de gama em smartphones com preços mais reduzidos.

Nem de propósito, a Huawei lançou recentemente o Ascend P2 e o Ascend P6 no mercado português. Os telemóveis têm diferenças significativas entre si, sobretudo no preço: o Ascend P2 custa 350 euros e o Ascend P6 custa 450 euros. Mas a mensagem está lá: cada um à sua maneira apresenta características topo de gama que aliadas aos respetivos preços fazem destes smartphones concorrentes de respeito e a ter em conta na hora de comprar um telemóvel.

O TeK já tinha tido um primeiro contacto com os telemóveis no evento de apresentação, mas foram precisos mais alguns dias para descobrir as verdadeiras diferenças que existem entre o P2, mais desportivo e tosco, e o P6, o mais fino do mundo disponível comercialmente e construído a pensar no design.

[caption]Huawei P2 e P6[/caption]

A primeira grande diferença entre os equipamentos acaba mesmo por ser o aspeto. O Ascend P2 é mais quadrado, mais irregular e é construído em plástico - elementos que não colocam em causa a sensação de robustez do dispositivo -, enquanto o P6 é construído em metal e a parte traseira em alumínio escovado transmite uma sensação de dispositivo premium.

Ainda que o P2 esteja longe de ser um todo o terreno como o Galaxy S4 Active ou o Xperia Z e as suas resistências ao pó e à água, é um telemóvel que pode ser usado por desportistas já que não é grosso demais e é bastante leve.

O Ascend P6 consegue surpreender pela espessura de 6,18 milímetros, a menor num telemóvel comercialmente disponível. Na mão e nos bolsos das calças torna-se impercetível e esse é um factor que tem tanto de positivo como de negativo - no caso daqueles sustos do "onde é que está o telemóvel?". Do lado negativo está também a tendência esguia que o equipamento tem. Não fosse a construção em metal escovado e o telemóvel teria guia de marcha para cair várias vezes ao chão - esteve bem nesta mistura a Huawei.

Os níveis de espessura "mínimos" tiveram outra desvantagem: introduzir o cartão SIM na porta lateral foi uma missão quase impossível. Após muitas tentativas o cartão lá entrou mas nunca conseguiu produzir um bom sinal, perdendo por completo a ligação à rede em algumas alturas. Pode ser defeito no corte do cartão? Pode, mas parece pouco provável já que o mesmo SIM já foi usado noutros telemóveis com entrada micro-SIM.

Dificuldade em encontrar os botões laterais, incluindo o de desbloqueio, e o aquecimento que chega a atingir níveis preocupantes são outros factores negativos de um smartphone tão fino.

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O P6 é bonito, é profissional e consegue envergonhar muitos outros telemóveis topo de gama como o Galaxy S4 e a sua construção em plástico.

O P2 tem botões capacitivos na parte frontal e o P6 tem botões virtuais. O TeK preferiu os botões virtuais em termos estéticos, mas têm a desvantagem de roubar uma boa parte do ecrã, provocando uma grande diferença entre os telemóveis apesar de terem tamanhos de ecrãs iguais: 4,7 polegadas com uma resolução de 1280x720 píxeis.

O ecrã IPS+ (plus) do Ascend P6 tem diferenças sobretudo a nível de cores, mantendo um maior brilho e uma fidelidade de cores mais real em comparação com o IPS do Ascend P2. Um dos casos mais gritantes dá-se na cor branca, que é "mais branca" no smartphone P6.

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Nas especificações internas existem algumas diferenças a considerar. Ambos os smartphones têm um processador de quatro núcleos a 1,5Ghz, o Ascend P6 tem 2GB de RAM e o P2 tem 1GB. Em contrapartida o telemóvel mais barato tem mais espaço interno - 16GB contra 8GB -, mas não tem entrada para cartão microSD e o P6 tem.

O sensor fotográfico traseiro é outro elemento onde há uma diferença significativa. O Ascend P2 tem uma câmara de 13 megapíxeis e o P6 tem uma câmara de oito megapíxeis. As imagens que seguem colocam lado a lado os resultados - em cima o P2, em baixo o P6.

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Mais detalhe, mais cor e tons mais quentes para a câmara do P2. A nível de fotografias em modo macro, o grande destaque do sensor do P2, podem ser criadas imagens com alto nível de contraste entre planos.

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A câmara do Ascend P6 também reproduz bons resultados, mas com um concorrente de peso como o "irmão" acaba por perder protagonismo. O smartphone mais fino do mercado perdeu também no duelo da gravação - registar um vídeo em Full HD num ambiente com plena luminosidade produziu um resultado com demasiados arrastamentos para o que seria de esperar.

O P6 tem no entanto uma melhor câmara frontal: cinco megapíxeis aliados a um software nativo que permite aumentar os níveis de beleza - como um Photoshop logo à mão que permite corrigir parte das imperfeições que possam existir na cara do utilizador.

Ainda no campo do software fica um chumbo à personalização da Huawei aos sistemas operativos Android: 4.1 no Ascend P2 e 4.2 no Ascend P6. O chamado UI Emotion 1.6 faz com que o utilizador viva sobretudo nos ecrãs principais do telemóvel - não há um indexador de aplicações - fazendo lembrar em muito o iOS da Apple. É possível acrescentar Widgets é certo, e existem muitos temas que podem ser aplicados e que ajudam a transformar o telemóvel no dia a dia, mas é pouco flexível em comparação com outros equipamentos Android e personalizações de fabricantes.

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Mas nem tudo é mau no software dos Huawei. O Ascend P6 traz de origem uma opção que permite gerir as permissões de acesso que as aplicações fazem ao telemóvel. Sempre que uma aplicação é instalada é perguntado ao utilizador se permite que essa app faça uso das funcionalidades X e Y, e até as notificações push são feitas a pedido - o que acaba por tirar um pouco o sentido ao conceito de notificação.

Sempre que o utilizador quiser pode aceder à opção e ver que software podem aceder a determinadas ferramentas do telemóvel.

Se o TeK tivesse que recomendar a compra de um dos dois equipamentos indicaria o Ascend P2. A robustez do equipamento, o sensor fotográfico superior, o suporte a LTE e NFC, e o armazenamento interno também superior ao do Ascend P6 ditam mais vantagens out of the box, mais imediatas. A isto soma-se o preço inferior em cem euros, elemento que desequilibra a balança de vez a favor do P2, sobretudo tendo em conta que o processador dos telemóveis é o mesmo.

Se a aparência para si conta tanto como outros elementos chave de um telemóvel e até nem espera fazer uso do armazenamento e ligações a mais do P2, então o P6 é uma escolha a ter em conta. E comparado com a concorrência topo de gama? A grande desvantagem na opinião do TeK está mesmo no software nativo. O Android com UI Emotion 1.6 não cativou de todo e uma ROM customizada ou iniciador alternativo podem resolver este problema, se for esse o caso.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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