Quem acompanha os telemóveis da Nokia há muitos anos habituou-se a designs robustos, telemóveis elegantes e onde a facilidade de utilização e a performance eram fatores inquestionáveis. As dificuldades que a empresa tem vindo a ultrapassar nos últimos dois anos mudaram muita coisa, mas estes princípios básicos mantiveram-se sólidos na oferta que a Nokia tem vindo a oferecer ao mercado, agora com a chancela do sistema operativo da Microsoft.

O abandono do Symbian já é uma certeza e os mais saudosistas ficaram certamente tristes por perceber que já não serão produzidos mais terminais Nokia com este sistema operativo – que chegou a ser um dos mais avançados durante alguns anos. No último relatório e contas a empresa finlandesa admitiu que o 808 Pureview foi o último a ver a luz do dia.

Os modelos Lumia, com sistema operativo Windows, herdaram muito do know how da empesa, honrando a tradição. Por isso era de esperar que os novos Lumia 820 e 920, os primeiros da gama com Windows Phone 8 se mostrassem à altura num teste feito pelo TeK.



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Apesar de se terem atrasado a chegar ao mercado, perdendo a época mais forte de vendas do período do Natal, os dois dispositivos têm argumentos válidos para conquistar bons lugares de vendas entre os smartphones de gama alta e média, posicionando-se em dois patamares diferentes que cobrem alvos de mercado diferenciados.

À partida as semelhanças entre os dois modelos são muitas, mas na verdade as diferenças são marcadas em vários pontos-chave de um smartphone, desde a dimensão e qualidade do ecrã, passando pela câmara fotográfica.



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Pontos comuns são o sistema operativo, os serviços oferecidos pela Nokia e até alguma semelhança de aspecto, favorecida pela escolha das capas coloridas. E também o processador Snapdragon S4, dual core, que garante um desempenho na utilização de aplicações muito idêntico.

Na verdade, as semelhanças no design acabam por ser enganadoras. Logo à partida o tamanho e peso tornam difícil qualquer confusão. E enquanto o chassis do Lumia 920 é integral, fazendo a moldura colorida parte do “pacote”, no Lumia 820 a opção é feita por uma capa plástica que esconde a bateria removível e o acesso aos cartões SIM e microSD. O que é um erro.



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Retirar a capa é um exercício de perícia que exige grande utilização de unhas, e que parece ser arriscado se repetido múltiplas vezes. Há sempre a sensação de que a capa se poderá partir, embora em todas as experiências do TeK se tenha mantido inabalável.

Considerando que grande parte dos utilizadores acaba por colocar e retirar os cartões de memória do telemóvel para passar mais rapidamente músicas e fotos, esta é uma opção desastrada. Para a capa e para as unhas.

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No caso do Nokia Lumia 920 o acesso ao cartão SIM é feito por um sistema que foi estreado pelo iPhone e já é usado por muitos fabricantes, uma pequena “gavetinha” que é aberta com a ajuda de um acessório pontiagudo fornecido com o smartphone.

Mas não pense que pode mudar a bateria. Tal como acontece em vários modelos de topo de gama esta é inacessível. E também não há expansão de memória por cartão de memória. Os utilizadores terão de se contentar com 32 GB, só expansível através da cloud do Skydrive.

A dimensão e qualidade do ecrã são pontos chave. O Lumia 920 tem um ecrã de 4,5 polegadas com PureMotion HD+, numa resolução de 1280x768 pixéis, e a diferença em relação ao ecrã de 4,3 polegadas ClearBlack do Lumia 820 é facilmente percecionada, mesmo que este último use o “truque” de maior luminosidade que por vezes parece ocultar a menor resolução.

Na componente fotográfica a escolha de lentes Carl Zeiss, habitual nos modelos de topo da Nokia, é comum aos dois equipamentos, mas o Lumia 920 dispõe de uma câmara traseira de 8,7 megapixels, com Pureview, enquanto o 820 se fica pelos 8 megapixels, mas em modelo de opções de imagens mais tradicional.

Não tivemos grande oportunidade de experimentar as câmaras fotográficas dos dois modelos de forma intensiva, mas algumas fotos casuais em ambientes de diferentes luminosidades permitiram confirmar as conclusões empíricas que se extraiam da simples leitura de características nas caixas dos dois smartphones.

A capacidade de reprodução de som também foi testada, até porque a Nokia oferece agora um novo serviço de música, o Nokia Musica +, com subscrição mensal, que substitui o serviço atual. Mas a reprodução usando só as colunas do telemóvel é sofrível, quer no Lumia 820 quere no 920, pelo que se aconselha (mesmo) o uso dos auriculares.

Quanto ao sistema operativo não vale a pena determo-nos em detalhes que já abordámos anteriormente. O Windows Phone 8 é mais fácil de usar, intuitivo, fluido e generoso em funcionalidades que as versões anteriores, e mesmo quem está habituado a outras andanças por Androids e iOS, Symbians ou Blackberry acabará por se ajustar facilmente aos menus, desde que goste dos Live Tiles e do design metro….

Mas há alguns pormenores que vale a pena abordar e que podem fazer a diferença para quem está a considerar a compra, como os Mapas da Nokia, que continuam a distinguir-se com “boas notas” face à confusão instalada noutros sistemas operativos móveis que cobram dados para acesso à informação e apresentam mesmo falhas. E ainda o City Lens do Lumia 920, uma ferramenta de realidade aumentada que fornece informação sobre restaurantes, pontos de interesse, diversão e transportes na zona e que se pode tornar viciante…



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Por fim uma nota sobre a bateria. Não experimentámos o carregamento wireless que a Nokia desenvolveu para estes modelos, o que é uma pena até porque teria suprimido alguns momentos de “corrida” ao carregador USB. Em qualquer dos smartphones a bateria dura bastante menos do que um dia de trabalho intensivo, embora tenhamos a noção que os testes realizados “esticam” a capacidade dos telemóveis, sobretudo pelo consumo multimédia que é sempre mais exigente, assim como a utilização do GPS e o City Lens.

Também a experimentação do 4G ficou por fazer, apesar de ser suportada no Lumia 920.

Avaliações feitas, os dois modelos cumpriram as medidas básicas e superaram expetativas nos testes, confirmando a qualidade definida pela marca. Mesmo que gostássemos que as baterias durassem um pouco mais, acompanhando o ritmo intenso do dia a dia a que a maioria dos profissionais estão hoje sujeitos.

Os dois smartphones já se encontram à venda em lojas e também através dos operadores móveis, custando o Lumia 820 quase 540 euros, enquanto o preço recomendado do 920 é de 699 euros, embora se possa encontrar nas lojas dos operadores por cerca de 600 euros e através de esquemas de fidelização o valor possa baixar até aos 300 euros.

Por isso, mesmo que este não seja um “concurso” entre os dois smartphones, olhando para os preços e para as características dos dois modelos é quase evidente que o Lumia 920 é a melhor escolha…

Nota de redação: Foi corrigida uma gralha na notícia.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Fátima Caçador

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