Apesar de estar mais afastada há já alguns anos do segmento de portáteis destinados a utilizadores domésticos, a Toshiba continua a ser uma forte opção quando chega a hora de escolher um laptop que tem como finalidade a utilização em ambientes profissionais.

Não quer dizer que a marca não seja também uma boa amiga para momentos de entretenimento e lazer, mas para trabalhar é praticamente “obrigatório” conseguir criar máquinas leves e compactas – e ao mesmo tempo poderosas e seguras – como é o caso deste novo X40 da linha Tecra, representada aqui pela configuração D-11F, se quisermos particularizar um pouco mais.

De facto, com 1,25 kg e medidas de 332 x 228,9 x 16,9 mm, este portátil é dos mais finos entre as opções da marca, e sem pesar demasiado na mala. Não é o mais “portátil” do segmento, isto se o quisermos comparar com um ou outro concorrente direto, mas estabelece uma boa relação com os componentes que estão no interior e com o ecrã de 14 polegadas Full HD que potencia uma boa experiência visual e… tátil. Mas já lá vamos.

Antes disso é importante referir dois pontos em particular, relacionados com os cuidados de segurança que são já “tradição” nos portáteis mais recentes da marca. O primeiro deles prende-se com a tecnologia de autenticação biométrica e facial instalada no Tecra X40.

Ou seja, a entrada no Windows 10 Pro de 64 bits instalado pode ser automática e muito eficaz utilizando o sensor de impressão digital situado no touchpad digital incorporado, o SecurePad, com sensor Synaptics Natural ID incorporado. Ou recorrendo ao intuitivo Windows Hello, aqui facilitado pela câmara que inclui tecnologia de infravermelhos.

Isto significa que até com condições de iluminação mais débeis é possível entrar no sistema operativo através deste método de autenticação facial, algo que conseguimos verificar sem problemas. Claro que terá sempre a entrada no sistema protegida por palavra-passe, ou por PIN, mas, se quiser economizar aqui algum tempo, o login via impressão digital ou autenticação facial é uma ferramenta que pode utilizar sem qualquer entrave.

O segundo ponto é, na mesma lógica, a BIOS proprietária que a Toshiba integra nos seus portáteis, fazendo com que eventuais acessos não autorizados de terceiros sejam bloqueados por uma “última linha” de segurança, por assim dizer. Ainda assim, achamos que os sistemas de entrada no Windows acabam por ser suficientes numa utilização “pró” convencional.

Ecrã: nem grande, nem pequeno…

É o que acontece com o ecrã de 14 polegadas do Tecra X40, uma diagonal que combina perfeitamente com as medidas do portátil, já referidas atrás. Para um uso em ambientes empresariais, partindo do princípio que qualquer apresentação menos individual é executado com ligação a um projetor, por exemplo, o ecrã de 14 polegadas é uma boa escolha e mais do que suficiente, não prejudicando a componente portátil.

Por outro lado, o suporte tátil dá uma ajuda extra e acaba por ser bastante útil em várias tarefas. E não interfere com o equilíbrio das imagens apresentadas, com contraste e cores fiéis mesmo sem grandes ajustes. Num uso em exteriores pode haver lugar a um reflexo ou outro, especialmente com a luz solar a incidir diretamente no painel (e apesar de a Toshiba ostentar a tecnologia anti-reflexo), mas, regra-geral, o desempenho do ecrã é mais do que positivo.

O mesmo se passa com o já referido touchpad digital, apoiado pela espécie de joystick instalado bem no centro do teclado de baixo perfil e com teclas tipo chiclete bastante silenciosas. Por um lado, temos um teclar confortável; por outro, temos no joystick, visível a azul nas imagens, um bom apoio caso o uso de um rato esteja fora da equação.

De referir ainda que, dadas as características compactas deste modelo, a secção numérica do teclado ficou deixada de lado. Uma ausência notada por uma reduzida margem do público a que se destina este Tecra X40, acreditamos. Para compensar, uma útil característica faz a diferença: o teclado é retroiluminado.

Bem construído

Ecrã, teclado e todas as ligações são elementos que estão bem combinados num corpo bem conseguido a vários níveis. Antes de mais, o design é sóbrio do ponto de vista visual, tal como assim o é a grande maioria dos portáteis destinados ao segmento profissional, na cor única Onyx Blue (with Hair line), com a marca lhe chama.

Ao nível da construção, contudo, o trabalho está bem feito neste modelo, fruto certamente da vasta experiência que a marca tem neste campo. O chassis tem associado pela marca o selo “premium” e a liga de magnésio ToughBody que serve de base à conceção do Tecra X40 é reforçada por um pente de absorção de choque, que, em teoria, previne os malefícios de possíveis quedas e impactos. Dá sempre jeito no agitado dia a dia entre reuniões…

As ligações que referimos atrás também incluem aqui uma espécie de mudança de paradigma face aos que estávamos habituados a ver, de certa forma. Em primeiro lugar, não existe ligação de energia propriamente dita, já que a ligação ao transformador elétrico acontece através de uma das portas USB-C Thunderbolt 3 presentes neste portátil.

Estas ligações podem da mesma forma servir para ligar monitores e outros periféricos, ao mesmo tempo que satisfazem as convencionais necessidades de transferência de dados. Para o mesmo fim está presente uma porta USB 3.0 (Sleep-and-Charge) e um leitor de cartões MicroSD. Uma porta HDMI também marca presença, bem como a ligação de 3,5 mm para áudio e microfone.

Por falar em áudio, o sistema de som instalado também tem uma palavra a dizer, passamos a expressão. O som debitado não está ao nível de portáteis mais dedicados aos conteúdos multimédia e entretenimento, é certo, mas o objetivo também não é esse e a experiência sonora acaba por ser positiva tendo em conta o segmento. Os “culpados” são os altifalantes harman / kardon e o suporte DTS Sound que a maca faz questão de ter na linha Tecra X40.

Desempenho vs. autonomia

Um bom portátil para trabalhar e andar em movimento constante requer uma autonomia “reforçada”, para que o eventual esquecimento do carregador não seja um problema fatal ao fim de um longo dia de trabalho.

Neste ponto, no entanto, esta configuração do Tecra X40 apresenta uma “dupla personalidade”, por assim dizer, mesmo havendo aqui a consciência de que este facto é algo transversal à esmagadora maioria dos portáteis do segmento empresarial.

Passamos a explicar: se optarmos por definições de energia otimizadas para a poupança de energia, ao mesmo tempo que sacrificamos desempenho conseguimos alcançar um patamar de autonomia muito interessante: qualquer coisa como 5,5 horas de uso ininterrupto.

Esta é uma marca “positiva”, em nosso entender, mas ainda longe da “vida máxima” de até 10,5 horas que a Toshiba apregoa para este modelo, de uma forma geral e tendo como base testes efetuados com o software MobileMark 2014 em ambiente Windows 10. As nossas experiências têm como plataforma base o Windows 10 Pro instalado de origem, como seria de prever, e o programa de benchmarks PCMark 8.

Por outro lado, tendo em conta uma utilização a “todo o vapor” e com as definições de energia ajustadas para desempenho máximo, as nossas atividades de trabalho (e algum lazer, confessamos), resultaram numa autonomia de 3h50m.

E aqui incluímos a utilização da suite de produtividade Office da Microsoft, reprodução de música em volume médio com o Spotify, navegação na internet em ambiente Google Chrome, vários vídeos do Youtube (em ecrã inteiro e em Full HD), edição de imagem com o Adobe Photoshop e uma ligeira edição de vídeo (em Full HD) com recurso ao Adobe Premiere. Nos testes PCMark 8 foram alcançadas pontuações de 2.894 (Work 2.0) e 2.527 (Home).

Tendo em conta a configuração, os resultados são positivos no desempenho e na autonomia, no fundo. Estamos a falar de um “coração” baseado no processador Intel Core i7-7500U de 7ªa geração e de 16 GB de memória RAM DDR4, componentes que acabam por deter a maior força deste Tecra X40.

Componentes recentes

Mas há outros elementos que ajudam a compor a boa relação de hardware no interior da máquina, como é exemplo a unidade de disco SSD M.2 PCIe de 512 GB instalada. Não encontramos aqui espaço para armazenamento por aí além, mas note-se que a nível profissional essas necessidades não são assim tão prementes, pois a questão fica resolvida com salvaguarda de dados e informação na “nuvem” ou num disco externo, por exemplo.

Solução acertada, portanto, até porque este é porventura o disco mais leve e compacto que seria possível de instalar num portátil deste segmento, que se quer compacto ao máximo, naturalmente. Por outro lado, também não está aqui o eventual peso de uma placa gráfica dedicada.

Este é um elemento vital num portátil destinado ao entretenimento doméstico, mas, em soluções de trabalho e empresariais, a opção Intel HD Graphics 620 que encontramos neste Tecra X40 é suficiente e não compromete nas tarefas a que se destina a máquina.

Para terminar, uma referência ao preço de 1.999 euros em vigor para esta configuração do Toshiba Tecra X40. Nada a fazer: um portátil com ecrã tátil de 14 polegadas Full HD e com esta relação dimensões/peso acaba por acarretar um investimento relativamente elevado, ainda para mais com um “recheio” a este nível.

Para momentos de entretenimento em casa, há muitas outras soluções no mesmo patamar de características (e com preços um pouco mais baixos); para trabalho – e neste patamar de componentes instalados –, o X40 anda na média de desempenho, preço e, em suma, experiência de utilização diária. Mais importante que isso: sendo leve e compacto, não vai pesar em demasia na “bagagem”.

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