Os tablets são uma das tendências de consumo com mais relevância no mercado e assim vão continuar nos próximos anos. Quem o diz são as empresas de análise que apontam inclusive este segmento dos dispositivos móveis como um dos motivos para a menor venda de computadores pessoais.

Objeto desejo de consumo, o tablet é certamente para muitos um luxo que não justifica o investimento que é necessário fazer. As fabricantes tentam passar a imagem de que a era pós-PC já chegou e que estes dispositivos representam o caminho a seguir nos novos modelos de produtividade. Mas o entretenimento e o consumo multimédia ainda são as áreas mais fortes dos equipamentos móveis e pagar o dinheiro que em muitos casos é contado aos cêntimos, não é uma hipótese a considerar.

Ou pelo menos podia não ser em 2011. Com o mercado em crescimento verificaram-se também transformações, tanto a nível estratégico das empresas como a nível do consumidor. Os preços dos tablets baixaram significativamente e nos dias que correm é possível encontrar dispositivos para todos os tamanhos, e acima de tudo, para todas as carteiras.

Se nos tablets de gama alta as recomendações são óbvias - com o iPad, Surface, Xperia Z e Nexus 10 a dominarem o mercado -, os denominados tablets low-cost são mais e têm inundado as lojas de retalho. Mas já lá diz o ditado: o que é barato cheira a rato.

Por um preço reduzido os consumidores têm que perceber que não podem levar o melhor para casa. Mas podem levar o suficiente e o razoável, que em alguns casos até é medianamente aceitável.

O TeK dá-lhe a conhecer algumas das ofertas que as marcas têm no mercado. O destaque vai para três tablets que foram testados na redação.

Por motivos que parecem óbvios, os tablets que vão ser referidos estão todos equipados com o sistema operativo Android. O iPad Mini, o mais barato da Apple, não assenta neste conceito de low-cost, definido até perto dos 170 euros. Tablets com Windows 8 ou RT a este preço também não se encontram. O único que podia ser referido seria o BlackBerry Playbook, que tem um preço de base situado nos 150 euros, mas que atualmente é difícil de encontrar no mercado português.

ZTC, Huawei e bq: limitados no preço e em algumas características

Na redação o TeK recebeu o ZTC TW-7200, o Huawei Media Pad 7 Lite e o bq Curie.

Dos três, a Huawei é a que tem mais nome internacional no mercado dos dispositivos móveis. Apesar de no segmento dos smartphones a empresa chinesa apresentar dispositivos de várias gamas, incluindo telemóveis de "alta cilindrada", no campo dos tablets a oferta é mais pequena e nem sempre entusiasmante.

É o caso do Media Pad 7 Lite. Este equipamento apresenta-se como suficiente para quem procura uma utilização diária básica, como ler emails, navegar nas redes sociais, consultar sites e jogar títulos menos exigentes, mas não é uma máquina todo o terreno. A bateria de 4.100 mAh é suficiente para uma utilização de dois dias a três dias nestes moldes.

Com um processador Cortex A8 de um núcleo a 1,2Ghz e Android 4.0, a performance geral do tablet deixa a desejar. O interface é lento e os testes multitarefas mostraram que o tablet demora mais do que o desejável para se desdobrar em mais do que uma função - o que não deixa de ser questionável pelo 1GB de RAM que está integrado no equipamento. Neste campo a "culpa" vai mesmo para o sistema operativo.

[caption]Huawei MediaPad 7 Lite[/caption]

Um dos pontos positivos é o ecrã, que mesmo tendo uma resolução de 1024x600 pixéis - o que não é muito "definido" -, apresenta cores vivas e bem representadas. Filmes e fotografias são dois conteúdos multimédia que se aconselham neste equipamento. Ainda no ramo multimédia, as câmaras do MediaPad 7 Lite apresentaram um resultado satisfatório e aceitável para as funcionalidades às quais podem ser chamadas, como videoconferência.

Já a vertente de jogos não é a mais recomendável. O Real Racing 3 e o The Croods, jogos recentes, foram instalados com sucesso mas recusaram-se a arrancar quando solicitada essa tarefa. Não é certo se é defeito desta unidade ou se é problema de incompatibilidade de hardware com as exigências do software.

No geral, recomenda-se para quem quer um dispositivo básico e não seja muito exigente. Os 149 euros pagos não são exagerados e através de uma ROM não oficial é possível aumentar o desempenho do tablet, o que lhe confere uma nova vida nas mãos do utilizador. O preço justifica-se também pela excelente qualidade de construção do MediaPad 7 Lite: é robusto e transmite uma sensação premium pelo preço que se paga.

Por mais 50 euros é possível comprar uma versão 3G.

[caption]Huawei MediaPad 7 Lite[/caption]

Numa outra análise o Curie da empresa espanhola bq dá significado aos termos "bom e barato". O ecrã é IPS de oito polegadas com uma resolução de 1024x768 pixéis, mas a polegada "extra" confere um formato ao tablet mais quadrado e que não é invasivo nem incomodativo.

Em termos de painel, existe muito mais espaço para a reprodução de conteúdos e a comparação com um modelo de sete polegadas, onde as resoluções nem são tão diferentes, acabam por pender a favor do bq Curie. As cores não são as mais vivas, mas o desempenho do dispositivo compensa.

O processador é Cortex A9 de dois núcleos a 1,4Ghz, acompanhado de uma unidade de processamento gráfico quad-core Mali-400 e 1GB de RAM. Equipado com Android 4.1, a fluidez é uma imagem de marca do dispositivo. Todas as aplicações - redes sociais, jogos, processadores de texto e mapas - funcionam sem a mínima dificuldade. O multitasking existe mesmo e a latência é quase inexistente.

[caption]bq Curie[/caption]

Os 169 euros pedidos pela bq justificam-se e compensam o investimento. Os compradores não devem é esperar um desempenho multimédia muito agradável - os sensores fotográficos têm uma péssima resolução e o altifalante ainda é um terror, defeitos que já tinham sido detetados no Maxwell Plus 7.

Numa outra perspetiva a reprodução de vídeos é feita sem qualquer problema, ainda que o formato quadrado do equipamento condicione a reprodução de conteúdos em 16:9. Mas a saída HDMI permite a ligação a televisões para a reprodução de conteúdos diretamente na TV.

Referência ainda para a autonomia - boa na utilização diária e básica, má no que se trata a jogos -, para um ligeiro aquecimento da bateria quando a exigência é grande e para a textura pouco agradável que compõe a parte traseira do tablet.

[caption]bq Curie[/caption]

O ZTC foi de todos o que mais desiludiu. Apesar de ter um preço recomendado acima dos 250 euros, a empresa posiciona a oferta no mercado de baixo custo e promete que nas próximas semanas pode ser encontrado por uma oferta bem inferior.

Para as características que o tablet apresenta, a relação qualidade preço está desfasada. As especificações técnicas até são satisfatórias: processador Cortex A9 de dois núcleos a 1,6Ghz, 1GB de RAM e ecrã de sete polegadas com uma resolução de 1024x600 pixéis. O desempenho no geral é que desaponta. Neste caso a justificação do sistema operativo não pode ser apresentada como no caso do Huawei, pois o TW-7200 vem equipado com Android Jelly Bean 4.1.1.

[caption]ZTC[/caption]

A bateria não aguenta muito, fruto da capacidade de 2.700mAh, mas para a tal utilização mais básica e complementar à do PC, cumpre na perfeição a sua tarefa. O ecrã também deixa a desejar, apresentando um aspeto quase "holográfico" e que torna-se incomodativo.

Jogos, vídeos e fotografias, assim como navegação em páginas Web e em apps de redes sociais, são conteúdos que podem ser executados sem grandes dificuldades.

No geral, consegue ter um aspeto mais sólido que o bq Curie, mas a conjugação de cores e padrões pode não agradar a todo o tipo de utilizadores.

[caption]ZTC[/caption]

A escolher, opte pelas marcas com mais renome como a Huawei, ou a Asus e a Acer, pelo suporte que as comunidades de programadores conseguem dar aos equipamentos que por vezes são "esquecidos" pelas fabricantes.

A comprar, os bq merecem toda a aprovação do TeK e apresentam uma relação qualidade-preço que é difícil encontrar noutros dispositivos, mesmo de marcas teoricamente mais fortes como se viu entre o Curie e o MediaPad 7 Lite da Huawei. A marca tem crescido em Portugal, em Espanha e está a expandir-se para novos mercados pelo que num futuro próximo também a bq terá uma comunidade de developers a cozinhar ROMs.

Mas o melhor dos conselhos ainda é: pense bem no que quer e no que realmente precisa. Para utilizações mais básicas, os tablets como o ZTC cumprem a função, ainda que ao fim de algum tempo possam vir a desagradar ao consumidor. Faça uma medição entre o que procura num dispositivo - trabalho, entretenimento, Internet -, veja que outras opções existem - portáteis de pequenas dimensões, smartphones com ecrãs de dimensões generosas -, e faça uma aposta que dure no tempo, em resistência e em desempenho.

Nos dias que correm a evolução tem sido feita a um ritmo forte, pelo que é aconselhável juntar mais algum dinheiro e comprar um dispositivo melhor. O Nexus 7 da Google e o iPad Mini da Apple já entram neste campo - são equipamentos que vão ser acompanhados pelas empresas durante os próximos dois anos seguramente.

Que outras recomendações os leitores fazem de tablets com preços baixos? Já experimentaram algum dos tablets analisados? Partilhem a vossa opinião na caixa de comentários.

Nota de redação: Foi corrigida uma gralha no texto


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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