Depois de introduzir novos conceitos e modelos no mercado, as fabricantes sentem necessidade de atualizar numa base anual os componentes de hardware dos portáteis. Não para seduzir os utilizadores que fizeram recentemente esse investimento, mas para manter-se atual para potenciais novos clientes. E isso fica claro quando se investe num portátil profissional de dois ecrãs, como o Asus ZenBook duo 14, que se estreou no ano passado neste segmento ainda muito limitado de oferta (a HP lançou um portátil gaming de duplo ecrã, o Omen X 2S). E por isso, não existe aquele fator “UAU” da novidade presenteada no ano passado, quando analisamos este mesmo modelo.

O luxo de ter um segundo ecrã

Este novo ZenBook Duo 14 mantém a estética atraente da versão original, sobressaindo-se obviamente o seu segundo ecrã, que divide o chassis com o teclado, graças às suas 12,6 polegadas. Naqueles momentos em que necessitamos de um segundo display nos trabalhos e estamos longe da nossa secretária de trabalho, este modelo tornar-se “viciante” no que diz respeito ao multitasking, e por isso é que está a ser vendido a profissionais da área do design, artistas, compositores, editores de vídeo, etc.

Mas se as vantagens se mantêm neste modelo, também os problemas subsistem, visto que estamos praticamente perante o mesmo chassis. O teclado, com teclas de chiclete são confortáveis de utilizar na escrita e até são espaçosas entre si. Mas não deixa de ser uma área um pouco “claustrofóbica” por colocar o trachpad no lado direito, ocupando uma área bastante pequena. Se utilizar um rato externo não vai ter grandes problemas, mas se depender do mesmo vai ter que se habituar. É que na nossa mente o trackpad está quase sempre presente no centro do chassis, e neste caso, nem base para descanso dos pulsos.

Existem algumas diferenças de design no novo modelo, face ao do ano passado. O ecrã secundário levanta agora um pouco mais, deixando à vista os seus dissipadores. Este novo design adiciona duas vantagens visíveis ao modelo: o primeiro é que permite alinhar melhor os dois ecrãs, ficando mais próximos, notando-se menos a área “morta” entre as respetivas molduras e uma continuidade da imagem. O segundo, e mais importante aspeto, é que esta decisão permite aumentar a circulação do ar do equipamento, que a marca refere em cerca de 49%.

Isso foi possível graças à nova dobradiça ErgoLift que a Asus criou de raiz, para ser mais fina (16,9 mm) do que a anterior, que tinha 21,5 mm, tornando-se mais pequena em 30%. Ao levantar um pouco mais o ecrã, torna-se um pouco mais confortável olhar para a sua informação, sem a necessidade de ajustarmos a nossa cabeça para um esforço em olhar baixo. E pela minha experiência, a sua utilização acabou por ser mais natural, sobretudo a escrever, mantendo a área superior principal para navegar, por exemplo. E quanto mais inclinar o ecrã para trás (um máximo de cerca de 115º), mais levanta o segundo, alinhando-se melhor.

De notar que o novo portátil tem um ecrã principal OLED de 14 polegadas, com molduras muito finas, o que permite ter uma área generosa de imagem. Ambos os ecrãs são táteis, o que permitem uma melhor interação entre si, quando necessita empurrar rapidamente uma janela de um para o outro. Na parte superior da moldura encontra-se a minúscula webcam.

Ainda sobre o ecrã principal IPS, este tem uma excelente definição de imagem e iluminação, permitindo ver os conteúdos mesmo em locais mais brilhantes, como à beira da janela, graças aos seus 400 nits de brilho e sistema anti-reflexo. De ter ainda em conta que, sendo um portátil para profissionais, o ecrã tem validação Pantone e 100% compatível com sRGB. E claro uma imagem cristalina a 4K, tal como já era oferecido na versão do ano passado, caso opte pela versão Pro. A versão de teste tinha uma resolução máxima de 1080p.

ZenBook Duo 14 2021

Os dois ecrãs funcionam de forma simbiótica entre si,é e se quiser, pode transformar o inferior numa extensão do principal. Pode optar por preencher os dois ecrãs com o mesmo conteúdo e aplicação, ou dividir os mesmos. Os conteúdos adaptam-se às margens de cada área, nunca parecendo estranho o multi tasking, esta que já era uma vantagem do ano passado. Um simples toque de botão e pode comutar instantaneamente o conteúdo da parte de baixo para cima, e vice-versa. A função é ideal para quando está, por exemplo, a escrever um artigo no Word na janela grande, suportado por informações de um browser na janela de baixo, mas necessita ver rapidamente algo na internet com mais detalhe e podendo trocar rapidamente a sua posição.

Hardware atualizado para todas as necessidades

No geral, o portátil apresenta um design estético muito semelhante ao modelo, sobretudo quando está fechado. A tampa azul celestial tem um padrão circular em toda a superfície, com o centro no seu logotipo gravado com relevo. Quando fechado o computador é relativamente fino, considerando a inclusão do segundo ecrã, que é depositado numa área côncava do chassis. E mesmo assim não se trata de um portátil pesado, sendo até bastante amigo de transportar para todo o lado.

No que diz respeito à conetividade, o equipamento conta agora com duas entradas USB-C com suporte a Thunderbolt (uma das novidades) no lado esquerdo, considerando que uma delas será ocupada pelo carregador de corrente (de 65 W). Tem ainda uma entrada HDMI 1.4 no mesmo lado. Do outro lado, conte com uma porta USB-A 3.1, um jack 3,5 mm para auscultadores e um leitor de cartões MicroSD. Tem ainda suporte a Wi-fi 6 e Bluetooth para conetividade sem fios.

Em termos acústicos, o computador tem um som agradável, ainda que não muito elevado, e com o selo de qualidade da Harman Kardon. As colunas estão divididas entre as laterais e a base do portátil, permitindo assim espalhar o som por toda a área em torno do computador. Destacam-se os graves, mas os baixos também se fazem notar.

ZenBook Duo 14 2021

A autonomia costuma ser sempre o calcanhar de Aquiles de qualquer portátil, mas isso também tem a ver com a utilização feita. O aquecimento é, por norma, um dos fatores que fazem as baterias “derreterem” quando estão em processamento prolongado. As mudanças na dobradiça permitem uma melhor circulação de ar por baixo do segundo ecrã, e de uma forma geral manter o portátil mais arrefecido.

E isso nota-se na duração da bateria de 70WHrs, que embora marque 15 horas quando está totalmente carregado, mediante as aplicações e o esforço de manter dois ecrãs ativos, o tempo diminui obviamente. No nosso teste, colocámos como sempre, vídeos do YouTube a correr, e no final do dia de trabalho ainda havia alguma bateria disponível. A autonomia tem sido trabalhada nos equipamentos da Asus, mas sobretudo a facilidade de o carregar através do adaptador USB-C.

Claro que estamos a falar de máquinas virgens, que com o sobrecarregar de aplicações e tarefas simultâneas certamente vai diminuir a autonomia, mas ainda assim é positivo, considerando o facto de ter mais um segundo ecrã a necessitar de energia.

O ZenBook Duo 14 tem no seu interior um processador Intel Core i7 de 11ª geração de 2,8 GHz, com múltiplos núcleos e combinado com 16 GB de RAM LPDDR4X (mas pode optar por uma versão até 32 GB). Tem uma gráfica dedicada NVidia GeForce MX450 (que usufrui da arquitetura Iris Xe da Intel). No armazenamento interno tem um SSD PCIe 3.0 x4 de 1 TB.

A configuração de topo assegura uma performance alta em todo o tipo de trabalhos, mesmo a jogar videojogos, a nova geração do GPU da NVidia MX450 garante que pode jogar os títulos mais recentes, mesmo sem os mais modernos efeitos gráficos oferecidos pelas soluções RTX. Mas tenha em conta que este não é um portátil de gaming, para tal tem o modelo Zephyrus, igualmente com dois ecrãs. Trata-se de um excelente proposta para os profissionais mais exigentes e dispostos a pagar 1.999 euros pelo modelo.

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