Os computadores portáteis continuam a sofrer transformações muito interessantes, com inovações de utilidade, ou simplesmente destacando-se pela sua estética, não deixando ninguém indiferente. Ainda na última CES 2020 assistimos a apresentações de notebooks de ecrã dobrável, como o Lenovo ThinkPad X1 Fold, mas também o poderoso ROG Zepgyrus G14 com specs de gaming e diversas opções de personalização, assumindo-se como estado de arte do segmento, ditando tendências para o futuro.

No entanto, não podemos esquecer o “luxo” de ter um computador portátil com um segundo ecrã. E embora ainda não tenha sido adotado por muitas fabricantes, pelos seus custos elevados, esta “estravagância” poderá dar uma boa ajuda à produtividade, sobretudo em deslocações para fora do escritório. É o mercado portátil a responder à necessidade de ter um monitor adicional na secretária para expandir a área útil de trabalho. Para já, apenas a HP lançou um portátil gaming de duplo ecrã, o Omen X 2S, e a Asus o seu ZenBook Pro Duo com dois displays com resoluções de 4K. O seu novo modelo perde o Pro, mas também a ultra definição, tornando-se mais acessível, que é o modelo que chegou recentemente à redação para teste.

Este portátil com um ecrã principal de 14 polegadas assenta num chassis arrojado, de cor azul celeste, tanto nas tampas exteriores, como no teclado e respetivo resguardo. Na tampa tem um efeito de “círculos infinitos”, dando-lhe um aspecto moderno e atraente. O computador tem uma moldura bastante fina, seguindo as tendências atuais, o que permite obter melhor proveito de área de ecrã, num chassis mais pequeno que o habitual. O ecrã é retroiluminado por LED, o que permite melhor definição, mesmo em ambientes exteriores, mais claros, suportado pela tecnologia que a marca chama de NanoEdge.

O portátil utiliza um design de dobradiça que apelidou de ErgoLift, que como o nome indica, uma vez aberto, a parte inferior do ecrã tem uma espécie de gancho que obriga a levantar a base do teclado, oferecendo uma postura ergonómica ligeiramente inclinada para trabalhar. Além de uma postura que permite ver melhor o ecrã inferior, também cria um espaço considerável para a circulação do ar, que dessa forma impede o acumular de calor no tampo inferior. Além de, claro, desencostar a coluna central da mesa e dessa forma ter um som menos “abafado”. Não dá para inclinar o ecrã para trás mais que uns 110 graus, sensivelmente.

“Reaprender” a utilizar um portátil

Não há dúvida que quando se liga este ZenBook Duo pela primeira vez, com os dois ecrãs a iluminarem-se leva-nos a soltar um “UAU”, e a um impulso de tocar neles, para ver se reagem. Sim, o ecrã adicional é tátil e responde eficazmente aos inputs, ao contrário do superior principal. Este portátil é no fundo, uma evolução do modelo ZenBook Pro de 2018, substituindo o clássico “retângulo” do trackpad por um pequeno ecrã interativo, o Screenpad. Apesar de inovador, a Asus deparou-se com um problema na altura: o Windows 10 não estava atualizado para este novo formato, o que obrigou a fabricante do Taiwan a conceber o próprio software para o mesmo. Encarado como um widget, nem sempre funcionou como o esperado, como já admitiu a empresa. Cenário um pouco diferente com o novo modelo, em que o segundo ecrã (ScreenPad Plus) foi otimizado para trabalhar no ecossistema do Windows 10.

Obviamente que com mudanças estruturais no chassis de um portátil, de forma a acomodar o segundo ecrã na base, é necessário “reaprender” a utilizá-lo, devido a três fatores. O primeiro é o próprio ecrã adicional, que obriga a treinar a nossa mente para a sua presença, configurá-lo com as aplicações que melhor se encaixam na área, considerando que é possível ter até três janelas abertas e a dividir o espaço em simultâneo.

Asus ZenBook Duo
O ecrã inferior do Asus ZenBook Duo permite configurar três janelas com apps em simultâneo visíveis.

Mas melhor ainda é que os dois ecrãs trabalham de uma forma simbiótica entre si, sendo o inferior uma extensão do display superior se assim o quiser. Ou seja, poderá preencher a área dos dois ecrãs com a mesma aplicação, como por exemplo navegar no browser ou "scrollar" um documento. Mas ao mesmo tempo, ambos os ecrãs têm “consciência” independente, pelo que adaptam nas suas próprias margens o tamanho das apps ou browsers de forma intuitiva. Há mesmo uma tecla dedicada à comutação entre as janelas, ou seja, os conteúdos de cima passam para baixo e vice-versa. A função é ideal para quando está, por exemplo, a escrever um artigo no Word na janela grande, suportado por informações de um browser na janela de baixo, mas necessita ver rapidamente algo na internet com mais detalhe e podendo trocar rapidamente a sua posição.

O segundo aspecto a ter em conta neste portátil é a arrumação do trackpad no lado direito do teclado. Este será um verdadeiro desafio na luta contra o músculo do cérebro que vai “empurrar” os dedos para o centro convencional da base, dos utilizadores que controlam o cursor diretamente no portátil. Embora não seja um problema para quem utiliza um rato externo, esta mudança foi necessária, num “chega para lá” para caber o ecrã adicional no chassis do computador.

E isso leva ao terceiro aspecto de adaptação deste modelo, que é ter o teclado ao nível da extremidade inferior do chassis. Este será provavelmente o pior compromisso que terá de fazer se escrever diretamente no portátil (mais uma vez não se coloca com um teclado externo). É que praticamente todos os modelos, dos maiores aos mais pequenos, a disposição do trackpad no centro obriga a uma área de cada lado, onde naturalmente os pulsos se fixam para maior conforto a escrever. Neste caso, terá mesmo de adaptar o ângulo da mão, visto a necessidade de apoiar os pulsos na mesa de trabalho e lidar com o “degrau” da altura que ainda é considerável. Além disso, as teclas, que são em formato convencional “chiclet”, estão amontoadas e muito juntas entre si, levando muitas vezes a pressionar os botões errados. De referir que o teclado é iluminado, o que permite trabalhar em locais menos iluminados.

As vantagens de um ecrã adicional

Ainda sobre o TrackPad Plus, a Asus preparou diferentes otimizações para tirar maior partido da área adicional. Uma delas é a possibilidade de criar uma área de atalhos das aplicações que mais utiliza, para que não espalhe ícones no desktop. Se quiser levar a experiência mais longe, poderá organizar grupos de aplicações que abrem em simultâneo até as três áreas designadas do pequeno ecrã. E se necessitar de trabalhar com inúmeras aplicações e janelas de browser, o ecrã inferior pode servir de navegador e comutador entre as mesmas, sem ocupar o superior.

O pequeno ecrã suporta ainda escrita à mão, com uma caneta digital incluída, embora esta estivesse ausente na unidade de teste que chegou à redação, pelo que não permitiu verificar a sua eficácia na prática. No entanto, não deverá ser diferente ao que já existe nos tablets, por exemplo.

Obviamente que, mais que utilizar a área livre do segundo ecrã para expandir o tamanho das janelas ou espalhar ícones, a sua vantagem é permitir configurar este espaço para tornar a área de trabalho mais funcional e produtiva. E isso pode ser uma mais-valia para quem trabalha em fotografia, edite vídeos ou mesmo, quem faça streams de videojogos e necessite de maior portabilidade. Pode abrir novas ferramentas de edição, que provavelmente necessitaria alternar se trabalhasse num portátil de ecrã único. No caso dos criativos da imagem, pode transformar a janela numa área de desenho livre, sem ocupar a interface do ecrã principal.

Quem faz streams sabe a quantidade de aplicações e browsers que necessita ter abertas, daí por norma, a obrigação de ter mais um ou dois monitores adicionais ao principal. O TrackPad Plus pode ser muito útil para manter o OBS, browser e outra aplicação que necessite sem sacrificar a área total superior para jogar sem interrupção.

Ainda assim, o software não é perfeito e durante a nossa utilização tivemos problemas com funcionalidades que deixaram de trabalhar, como o comutador entre os dois ecrãs ou mesmo o botão que desliga o ecrã secundário, obrigando a fazer um reboot à máquina para restabelecer as funcionalidades.

Um olhar por debaixo do “capot”

Sendo um portátil construído para a produtividade, a Asus não poderia descurar do seu hardware, e embora não ofereça todo o potencial de hardware do seu “irmão” Pro, não ficará mal servido com esta versão, mesmo qua queira jogar com boa performance os títulos atuais. No seu interior tem um processador Intel i7 de décima geração, a 1.80 GHz com quatro núcleos e 16 GB de RAM. O armazenamento interno é um SSD de 1 TB, o que não é muito se trabalhar com vídeo, ou querer instalar diversas aplicações e jogos. Mas na sua ficha técnica é referido que é possível montar até quatro discos PCIe Gen3.

Para além da placa gráfica onboard, conta com um GPU dedicado NVidia GeForce MX250, o que permite tirar o melhor partido dos jogos mais populares da atualidade como Fortnite e o League of Legends com todos os detalhes ligados. Embora a MX250 seja a versão “portátil” da família de GPU da NVidia, pode arriscar os jogos de ação mais exigentes. Mas se for o caso de querer o portátil para gaming puro ou levar ao limite as suas exigências profissionais, então terá de optar pela versão Pro, que tem até 32 GB de RAM e uma gráfica GTX 2060, com os dois ecrãs 4K. É outro campeonato… De ter em conta que o ecrã conta com uma certificação Pantone que valida a palete de cores para as exigências dos trabalhos gráficos profissionais.

Ter um computador poderoso e com dois ecrãs a debitar energia, não espere que este ofereça uma grande autonomia face a outros portáteis. É que mesmo que defina os diferentes modos de poupança, lembre-se que são sempre dois ecrãs a consumir energia, para além das aplicações. Obviamente que pode desligar o ecrã adicional, e com isso esticar a carga. Mas isso também retira a magia daquele que é o seu maior “selling point”.

Na unidade de teste, com a bateria totalmente carregada, apenas navegando pela internet, o computador mostrava 10 horas, sem qualquer esforço, mas meter um vídeo a correr no YouTube baixou a média para 8 horas. Estamos a falar de um computador “virgem”, sem todos os programas habituais nos setups das instalações pessoais. Se utilizar ferramentas mais pesadas como editores de imagem e vídeo, ou para jogar, por sessões mais longas, garanta que tem uma ficha elétrica por perto, para não ficar rapidamente sem energia.

O som do portátil é gerido por colunas harman kardon, com cinco colunas espalhadas pela base do portátil. Na base inferior tem uma barra de coluna a ocupar um terço do espaço ao centro, assim como duas em cada lateral, uma a apontar para o lado, outra para baixo. Embora não haja nada que substitua um bom headset, no geral, a qualidade de som deste modelo é satisfatória.

Asus ZenBook Duo
A dobradiça do portátil inclina ligeiramente a traseira da base para maior conforto de visualização do ecrã inferior, além de criar uma maior área de dissipação de calor.

No campo das ligações externas, no lado direito conte com uma entrada de jack 3,5 mm para auscultadores, uma ranhura de leitura de cartões microSD e uma entrada USB 3.1 (Gen1). Do outro lado, uma entrada HDMI, mais um USB 3.1 (Gen 2) e um USB-C, um conjunto minimalista a rematar para a aquisição de um HUB de ligações adicionais, caso necessite. Na moldura superior tem ainda disponível uma pequena Webcam de infravermelhos que permite reconhecimento facial através de Windows Hello. No entanto, para uso geral, esta demonstrou arrastamento da imagem, granulado e pouca definição. Servirá para comunicar nas redes sociais, mas para uso profissional terá de optar por webcams externas.

De salientar ainda que o portátil já suporta Wi-Fi 6, pelo que poderá desfrutar de ligações mais rápidas nas redes de dados, considerando que o router também já suporta a nova geração.

O Asus ZenBook Duo é sem dúvida um portátil disruptivo e apetecível, mas para isso terá de fazer alguns compromissos quando comparado com outras máquinas do mesmo segmento. Ter um ecrã adicional poderá poupar a necessidade de um segundo monitor, o que é excelente em termos de mobilidade, mas isso significa que terá uma longa adaptação pela frente ao teclado e trackpad. A questão é que o segundo ecrã realmente funciona bem e poderá tornar-se “viciante” quando encontra as melhores utilizações para o mesmo, demonstrando que há um futuro para este novo segmento de portáteis.

Relativamente ao preço, em média ronda os 1.600 euros, consoante as suas especificações.

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