As notícias sobre a Ello sucediam-se a grande ritmo no final de setembro. O facto de ser uma rede social nova e que apenas estava disponível via convite tornava-a ainda mais aliciante. Por hora eram cerca de 35 mil os registos. Mas o que será?



Assim que houve oportunidade foi feito o registo para que, o mais rápido possível, também um convite chegasse até ao lado de cá.



Chegou hoje, 13 de novembro. Falta de oportunidade ou grande procura por parte dos internautas? A Ello já não tem feito tantas manchetes, mas do lado de cá, continua a haver o mesmo interesse em saber o que é que esta rede social tem de especial para ter gerado tanto buzz e para ter sido apelidada de anti-Facebook.



Fomos dar uma volta pelas páginas da plataforma e experimentámos as suas funcionalidades. Eis o que fica das primeiras impressões.


Alternativa ao Facebook precisa-se, mas ainda não há

O anti-Facebook. O oásis do espaço social. Ello, A New Hope. Foi dito um pouco de tudo sobre o projeto.



A Ello foi criada por sete empreendedores, alguns com dotes de programação, outros com queda para as artes. Percebe-se assim o cuidado estético que a plataforma apresenta. Aspeto muito limpo, tudo muito branco e polido. O preto e o branco dominam, e não fossem as publicações dos utilizadores que por lá andam, as cores não seriam de facto notadas nesta plataforma.



Mas também não seria um problema. Tudo é legível e tudo é facilmente encontrado.



A simplicidade estende-se depois à estrutura da Ello, à forma como a plataforma está pensada. Se perder-se por entre as muitas opções e funcionalidades de uma rede social é algo que o deixa entusiasmado, então esta não é a escolha a fazer. Em dez minutos o internauta é capaz de ficar a conhecer tudo o que há para saber de básico e essencial sobre a rede social.



A nível de publicações é possível fazê-lo em texto, imagens estáticas ou em movimento – os .GIF. É possível editar ou apagar as mesmas. Para já o vídeo ainda não tem espaço nos posts. Noutras publicações pode, claro, fazer comentários onde é possível identificar utilizadores através do uso da arroba - @ - e inserir emoticons.

[caption]Ello[/caption]

Depois as conexões com outros utilizadores. Há uma lista de “amigos” e uma lista de “barulho” - quando pretende seguir alguém terá que o enviar para um destes dois grupos. Do lado de lá ninguém sabe em que posição é colocado por cada utilizador, o que garante “privacidade” a quem está deste lado do computador.



E é também uma forma simples de segmentar as publicações. Ou vê o que os seus amigos mais próximos fazem ou está a navegar por todo o tipo de publicações feitas pelos restantes dos seus contactos.



Encontrar e seguir outras pessoas é muito fácil. Há um separador do lado superior esquerdo chamado Discover que recomenda perfis, que mostra contactos relacionados com a nossa já existente lista de contactos e há uma outra opção que mostra perfis de forma aleatória. É ainda possível pesquisar por palavras e perante o termo “Portugal” já surgem alguns resultados, para o caso de querer estar em contacto com portugueses.



Tudo na Ello é rápido e fluído, o que acaba por tornar a experiência de utilização muito mais apelativa. A plataforma também está de cheia de pequenas transições, um pouco como se vê nas melhores aplicações móveis, e esse é um ponto claramente positivo.



No entanto, vendo a Ello, vê-se também o Google+ nos seus tempos primórdios: bom design, excelentes efeitos visuais de transição, rede social “limpa” e... todos sabem como está. Tem centenas de milhões de utilizadores, mas sobre a sua utilização efetiva existem poucos dados.



A Ello para já tem mais de um milhão de pessoas registadas e isto numa fase em que só é possível aceder à rede social por convite.


Tu não és um produto

A grande diferença da Ello está na forma como pensa os utilizadores. Enquanto o gigante desta área, o Facebook, monetiza todos os pormenores e dados dos utilizadores – já são 1,36 mil milhões -, a Ello diz ser um bastião da privacidade: “... and will never sell user data to third parties” - “e os dados dos utilizadores nunca serão vendidos a entidades externas”, em tradução livre.



E quem diz Facebook diz também o Twitter, o Google+ e, quem sabe, o Tumblr.



A Ello quer acima de tudo que os utilizadores não se sintam como produtos. A rede social não mostra publicidade e todo o foco está nos utilizadores e nos seus conteúdos.

[caption]Ello[/caption]

Nas opções o utilizador pode dizer se quer o perfil público ou não, se quer comentários de outras pessoas ou não, se permite a recolha de dados de forma anónima ou não, se quer ter na sua timeline conteúdos para adultos ou não. E no fim destas opções, tem um botão que permite apagar a conta.



O contacto feito até agora com a rede social não permite perceber de facto esta dimensão de privacidade e de proteção que o utilizador alegadamente tem. Mas o Facebook também não tinha nada disto no início.



Interessante será ver como a Ello evolui a nível de modelo económico e também a nível de plataforma.

Considerações finais

No fim fica a sensação de que esta é de facto “mais uma” rede social. Não há nada nela que à primeira vista faça os utilizadores dizerem “nunca mais volto ao Facebook”.



A grande cobertura dada pela imprensa está possivelmente relacionada com a necessidade de haver, pelo menos a nível moral, um contra-peso do Facebook. No início o Twitter era o grande rival, mas na verdade nunca o foi. Depois foi o Google+ quem ganhou este “prémio”, mas está a largos passos a ficar sem atenção, até da própria Google. E depois apareceu a Ello. Bonita sim, revolucionária não.

[caption]Ello[/caption]

Depois de usar a Ello durante algum tempo, e conhecendo outras plataformas, é uma mistura do Twitter e do Tumblr, num fundo branco e com as transições das apps móveis mais modernas. Sem publicidade e é aqui que pode residir o grande aliciante para os que gostam de estar mais "sossegados".



Mas a falta de utilizadores e a falta de outras funcionalidades que agora já são tomadas como básicas - chat de conversação, publicação de vídeos, integração com outras aplicações - continua a dar razão ao Facebook, a maior de todas as redes sociais e possivelmente aquela que dá à maioria dos utilizadores o que realmente procuram: um escape, entretenimento, um veículo fácil para a vida alheia.



Sabendo que é uma rede social por convite, nem todos poderão atestar tudo o que aqui foi dito sobre a Ello. Possivelmente quando entrarem na rede social, talvez já esteja mais evoluída, mais dinâmica e tenha mais pessoas. Até lá vamos ficando atentos para ver o que acontece à plataforma.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico