Nos últimos anos surgiram no mercado uma grande variedade de equipamentos e propostas que prometem alterar dramaticamente a forma como os utilizadores se relacionam com a tecnologia e com os conteúdos. Vêm de diferentes fabricantes, têm diferentes objetivos, mas estão todos a contribuir para um aumentar das expectativas.

Quem diz os Google Glass diz os Epson Moverio. Quem diz os Oculus Rift diz o Project Morpheus da Sony. E quem diz os Microsoft HoloLens na realidade não diz mais nada, pois o equipamento promete de facto uma utilização tal como nenhum outro dispositivo o fez até aqui.

Existem muitas mais soluções - basta pensar nos óculos Samsung Gear VR ou até no projeto Cardboard. Mas as três destacadas no título além de estarem associadas a algumas das maiores tecnológicas do momento - Google, Facebook e Microsoft, respetivamente - acabam por definir bem as três grandes áreas das realidades "alternativas".

E melhor: estão as três em estados de desenvolvimento completamente diferentes.

Aqui no TeK só os óculos da Microsoft ainda não foram experimentados, justamente aqueles que podem alterar de forma significativa a forma como se olha para a concorrência. Mas o que sabemos até agora?

Google Glass

Os Google Glass estão neste momento em fase de reanimação. Os óculos chegaram ao mercado através de um programa especial, depois ficaram disponíveis para toda a gente e pouco tempo depois foram descontinuados.

Os relatos mais recentes chegaram justamente hoje, 5 de fevereiro, sabendo-se que o wearable vai ao que tudo indica ser redesenhado de raiz.

No geral os Google Glass representam os equipamentos de realidade aumentada pouco intrusiva. E pouco intrusiva no sentido em que apenas uma pequena porção do campo de visão é ocupada por elementos extra - sejam notificações, informações contextuais ou aplicações de trabalho.

Existem vantagens claras neste modelo - receber indicações em direto do Google Maps por exemplo ou receber dicas de como compor um motor de um carro. Mas também existem grandes desvantagens como os casos relacionados com a invasão da privacidade alheia.

É que se a tecnologia é discreta para o bem, também é discreta para o mal.

[caption]Google Glass[/caption]

Atualmente os Google Glass estão fora do mercado, havendo apenas a promessa de que vão voltar. Mas foi até agora o modelo com mais provas dadas no mundo real. Parece que gadgets desta tipologia vão encontrar o seu nicho junto do ambiente empresarial e não tanto no grande consumidor. Haverá sempre quem vai querer estar na crista da onda tecnológica, mas dificilmente o futuro será constituído de pessoas com pequenos ecrãs em frente aos olhos.

O preço de 1.500 dólares por cada par de óculos também ajuda a fazer esta separação de interesses. Resta saber o que o "pai" do iPod consegue fazer pelos smartglasses.

Oculus Rift

São de facto os óculos que mais têm movimentado a indústria no sentido de colocar vários segmentos a olhar para o equipamento: videojogos, filmes, concertos, aplicações interativas, periféricos.. uma grande variedade de soluções.

Apesar de os Google Glass terem conseguido colocar muitos programadores a desenvolverem conceitos de aplicações, os Oculus Rift dominam na globalidade do mercado de conteúdos.

Os Oculus representam aqui os equipamentos de realidade virtual, aqueles que prometem uma experiência mais imersiva pois "fecham" os utilizadores numa realidade paralela. Consegue imaginar o potencial de uns óculos de realidade virtual ligados à Internet e a executarem uma aplicação híbrida que misturasse o Facebook e o Second Life?

Ver filmes em ecrãs de grande dimensão e tomar a posição de jogador num videojogo de tiros são algumas das possibilidades aliciantes. Mas há mais.

[caption]Oculus Rift[/caption]

Os Oculus Rift foram criados pela Oculus VR, empresa que acabou por ser comprada pelo Facebook - organização que não tem problemas de investimento, como se tem visto pelos últimos anos. Começaram no Kickstarter e desde então que estão ainda em fase de desenvolvimento.

O criador do conceito tem sido vago quando se fala na chegada dos Oculus Rift como um produto final como um produto final para ser comprado como se compra um smartphone. Talvez só em 2016. Talvez uma surpresa no final de 2015. Mas isto mostra o espírito de querer trazer para o mercado apenas o melhor produto, e não apenas algumas das suas funcionalidades revolucionárias acompanhadas de erros e bugs.

Por ter o Facebook como suporte de apoio, por ter uma grande comunidade de programadores e empreendedores a trabalhar no equipamento e por ser adaptável a diferentes situações, os Oculus Rift são de facto neste momento o equipamento mais promissor.

Mas será que consegue cumprir?

Microsoft HoloLens

A última vez que foi feito um anúncio tão "revolucionário" no campo das tecnologias foi justamente durante a apresentação dos Google Glass. Isto em teoria não seria um bom prenúncio para os óculos da Microsoft, mas a verdade é que a HoloLens é diferente de tudo o que foi visto até agora.

A Microsoft chama-lhe holografia e de facto é - elementos tridimensionais que pode ser controlados, mas não são palpáveis. Mas nesta análise o TeK prefere colocar o dispositivo no campo da realidade aumentada intrusiva - pois há a possibilidade de o utilizador ter todo o campo de visão sobreposto por elementos virtuais.

E além de tratar a questão da realidade aumentada e virtual de forma diferente - acaba por ser um misto das duas -, os óculos da Microsoft apresentam um conceito mais independente. Os Oculus Rift por exemplo estão sempre associados a um computador, a um telemóvel ou até a um periférico. A HoloLens é independente: tem o seu próprio CPU, próprio GPU e não precisa de nada externo para funcionar.

E justamente por parecer ser uma proposta equilibrada entre as duas principais realidades alternativas, pode sair a ganhar. O preço do dispositivo vai dizer muito do seu futuro.

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Este posicionamento "a meio" é ainda comprovado pelo facto de a Microsoft achar que o dispositivo pode ser usado por profissionais - um médico a receber indicações virtuais de onde deve fazer o corte no paciente -, além de ser perfeito para o utilizador comum - fazer chamadas Skype, usar a sala de estar como cenário de um videojogo.

A Microsoft disse que o equipamento chegaria na mesma janela de tempo do Windows 10, portanto 2015 é aqui uma confirmação.

Será que os utilizadores vão querer viver entre um mundo real e um mundo virtual? Receberá a Microsoft o apoio dos programadores, algo que tem faltado nas suas plataformas mais recentes como o Windows Phone?

A resposta será dada com o tempo quando as pessoas começarem a perceber se a holografia é melhor do que outras "realidades" para o consumo de entretenimento. Talvez ganhe nos videojogos ao project Morpheus, talvez perca nos conteúdos para os Oculus. Mas há pelo menos a certeza de que esta é mais uma pedra na construção do futuro tecnológico.

Então e agora?

Agora resta esperar, mas pouco. Os Oculus Rift devem apresentar a versão de consumo do equipamento em breve, a Microsoft deve colocar o HoloLens nas mãos de algumas pessoas ainda este ano e a Google de todas possivelmente é a que vai demorar mais, mas também já foi a que teve a experiência mais "dura".

Errar é aprender e a gigante norte-americana pode tirar proveito dessa situação. Mas apesar de o hardware ser de facto um grande apelativo por ser diferente de tudo aquilo que os utilizadores têm visto e experimentado, é no software que reside o segredo, não se engane.

Pense no que as aplicações fizeram pelo iPhone. Pense no que o jogo Wii Sports fez pela Nintendo Wii. Pense no que a grande miríade de programas disponíveis fez pelo Windows e não pelo Mac. E pense nisto: para que quer uns óculos de realidade virtual, aumentada ou holografia, se após algum tempo os conteúdos são sempre os mesmos?

Sabendo que o consumo de entretenimento é dos maiores motores de crescimento na Internet atual e no segmento dos dispositivos móveis, é de acreditar que também serão os filmes, séries, videojogos e redes sociais aqueles que vão movimentar mais massas. Neste campo os Oculus Rift parecem ser os melhores posicionados.

Mas os óculos da Microsoft também são muito interessantes pois virão equipados com um programa que permite às pessoas fazer as suas próprias criações holográficas e de forma aparentemente simples. Quer isto dizer que se faltar conteúdo, a própria pessoa pode produzi-lo. Não é o cenário ideal, mas o poder criativo dos utilizadores pode de facto surpreender como já o fez.

Basta por exemplo recordar que o iPhone é a câmara mais popular do serviço de fotografias Flickr. Isto para dizer que se as pessoas tiverem ferramentas, serão produzidos conteúdos, conteúdos que poderão ser consumidos por outras pessoas. "Apenas" isso.

Os Glass, se voltarem no mesmo conceito, então terão de se contentar com nichos de mercado e fãs devotos da tecnologia.

O TeK gostava ainda saber a opinião dos leitores, tanto os que já tiveram contacto com estes e outros gadgets, bem como aqueles que nunca usaram, mas têm interesse na área. Real, virtual ou meio-meio, o que vão preferir?


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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