Não é difícil encontrar argumentos na história do cinema que imaginavam um futuro cheio de gadgets com, entre outros acessórios, óculos capazes de projetar imagens, colorir a realidade, ou complementá-la com informação.


Nos últimos meses a ficção aproximou-se da realidade e aquilo que vinha sendo apresentado por várias fabricantes como conceito, sem planos concretos para chegar às lojas, parece-se ter-se transformado num esboço para uma nova tendência na tecnologia.



Culpada: a Google e o seu Project Glass. Um conceito que a empresa apresentou há alguns meses e que fez saltar para o domínio público um conjunto de outros planos que caminham em sentido idêntico. Olympus, Canon e Apple são alguns exemplos de empresas que mostram planos na mesma área e que hoje passamos em revista.



Embora não seja a primeira a trabalhar na ideia, a Google acabou por ser a responsável pela popularização do conceito que envolve os óculos de realidade aumentada. Há alguns meses a empresa deu a conhecer o trabalho que estava a realizar nesta área e na conferência anual de programadores, no final de junho, voltou ao tema.



Aí fez novas demonstrações e revelou que vai mesmo tornar realidade o Project Glass. Os programadores que estavam na conferência puderam encomendar um exemplar - em troca de 1.500 dólares - que receberão no próximo ano, para fazer experiências e ajudar a descobrir aplicações para a tecnologia.



Os óculos, que vão funcionar por instruções de voz, contam com aros táteis, câmara de fotos e vídeo, memória interna, ligação 3G/4G, acelerómetro e bússola digital. Se todos os desenvolvimentos em torno do projeto correrem bem, em 2014 pode ser comercializada uma versão comercial, mais barata. Até lá, veja última demonstração, apresentada pela empresa na conferência I/O.





A Olympus aproveitou a deixa e mostrou que também tem o seu próprio projeto para uns óculos de realidade aumentada, a que chamou MEG4.0. Com comercialização prevista para 2014 (dizem algumas das fontes que consultaram a informação em japonês), o modelo vai contar com resolução QVGA de 320x240, acelerómetro (que ajuda a detetar a posição da cabeça do utilizador) e assegurar uma autonomia de oito horas. A ligação a outros dispositivos, como smartphones ou tablets, será garantida através de Bluetooth e, acredita a fabricante, pode servir para facilitar o acesso a conteúdos guardados no dispositivo, sem necessidade de o usar.


Os MEG4.0 divulgados pela empresa através de um comunicado publicado no site (japonês) são idênticos aos óculos mostrados pela Google, tirando partido do mesmo interface HUD. Diferem - pelo menos - num aspeto: não terão câmara integrada.


Vão pesar cerca de 30 gramas e integrar um pequeno ecrã que integra nos óculos. Permitem aceder a conteúdos sem bloquear a imagem real e tiram partido da luz natural, para garantir maior visibilidade.

[caption]Óculos Olympus com realidade aumentada[/caption]

Em meados do mês passado também a Canon revelou o que está a fazer na área da realidade aumentada. A fabricante apresentou uma tecnologia que designa por MR (Mixed Reality) System e que permite misturar informação do mundo real e do mundo virtual.


O sistema tem por base duas câmaras de vídeo que integram um dispositivo preso na cabeça. Captam imagens que são enviadas para um computador que as processa. Estas imagens reais recebidas pelo dispositivo e as processadas são exibidas no visor interno do dispositivo com um tamanho maior que o normal e com a possibilidade de serem tocadas com um apontador.


A fabricante acredita que a tecnologia pode ser útil para reduzir o tempo de desenvolvimento de novos produtos, na indústria automóvel por exemplo, ou na medicina. O início da comercialização está previsto para este mês.

[caption]Nome da imagem[/caption]

Um vídeo a demonstrar o sistema e a informação a explicar o conceito estão disponíveis no site da fabricante.

Ainda em abril foi conhecido um projeto da Microsoft na área da realidade aumentada, sem óculos ou outros acessórios à mistura. Em reação aos primeiros detalhes do Project Glass a Microsoft revelou ao TechCrunch que está a trabalhar numa tecnologia que vai permitir mudar a resposta do interface consoante o utilizador em questão, a localização deste ou aquilo que procura, por exemplo. Chama-se SemanticMap.



Ainda em fase de protótipo, a tecnologia que a dona do Windows está a desenvolver tira partido de três elementos-chave na "receita" do Kinect: análise facial, reconhecimento de gestos e sensores de proximidade. Veja a demonstração.







Mais recentemente soube-se que a Apple está igualmente a trabalhar nesta área. De acordo com a informação disponível, a empresa tem planos para desenvolver um dispositivo - que pode assumir a forma de uns óculos, de um visor ou de um capacete (segundo a descrição no pedido de patente, já aprovado). Recorre à realidade aumentada mas pretende reunir algumas características distintivas, face a outros projetos que têm vindo a ser apresentados, como o da Google. Por exemplo, no que se refere à forma de apresentar as imagens à vista do utilizador, que deverá ser mais envolvente.
O conceito é antigo e tinha sido submetido a um pedido de patente em 2006, que agora foi aprovado.



Pela informação constante do pedido fica-se a saber que se trata de um ecrã que permite receber informação em formato vídeo mesmo em frente aos olhos. Os painéis que permitem obter a imagem podem ser CRT, LCD ou OLED e serão suportados por lentes amplificadoras… se chegarem a ver a luz do dia, claro. Importa sublinhar que nem todas as patentes registadas resultam de facto em propostas comerciais. Para já, não há imagens.



Cinema (mesmo) em primeiro plano
Conhecidos há mais tempo são projetos como a da Carl Zeiss, o Cinemizer, menos abrangente e mais focado na exibição de vídeo, mas também mais perto de se transformar em realidade. O lançamento tem vindo a ser adiado mas parece estar iminente e quem quiser até já pode fazer uma pré-encomenda, aceitando pagar os 649 euros pedidos pela fabricante.



Com um conceito ligeiramente diferente dos exemplos anteriores, os Cinemizer (mostrados na imagem) são uns óculos vídeo com ecrã OLED que simulam um ecrã de 45 polegadas e que irão funcionar com um conjunto de acessórios que expandem as possibilidades de utilização. Podem estar ligados ao iPod ou qualquer outro leitor com o mesmo tipo de entrada, por exemplo. Vão permitir assistir a conteúdos em 3D, jogar e elevar a novos limites as experiências de entretenimento, garante a Carl Zeiss. No mesmo espírito interessa referir que já estão disponíveis propostas de outras fabricantes, como o Visor 3D da Sony, apresentado no ano passado na IFA.

[caption]Cinemizer[/caption]

Fechamos com a Epson que tem uma proposta semelhante, mas mais ambiciosa que as duas anteriores. Os Moverio chegaram às lojas norte-americanas em março e custam 699,99 dólares. Simulam um ecrã de 80 polegadas e garantem suporte a imagem 3D. Permite ver filmes mas também jogar e realizar outras tarefas, como navegar na Internet. Integram um 1GB de espaço para armazenamento que pode ser expandido até aos 32GB e têm ligação Wi-Fi, trackpad para navegação, som Dolby Mobile e uma autonomia de seis horas, a navegar.

[caption]Cinemizer[/caption]






Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




Cristina A. Ferreira

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