Embora as transformações na PT tenham sido mais que muitas ao longo dos últimos meses, as mudanças que se avizinham para os próximos meses podem ser ainda maiores. Os ativos da empresa que durante anos operou como Portugal Telecom vão mesmo passar para a Altice, que já tinha integrado a Cabovisão e a Oni.

A informação disponível relativamente aos próximos passos ainda é escassa, mas alguns detalhes já são conhecidos. Hoje reunimos aqui no TeK, ao estilo FAQ, as perguntas e respostas que esclarecem os principais tópicos de um negócio que gerou muito debate, mas que acabou mesmo por se transformar na nova vida da PT.

Quem decidiu a venda da PT Portugal?
A Oi, que passou a controlar os ativos da empresa depois da renegociação dos termos do acordo de fusão PT/Oi, já tinha dado luz verde à proposta. Os acionistas da PT SGPS, que são também acionistas da operadora brasileira, tomaram a decisão final na assembleia geral desta quinta-feira.

A maioria dos acionistas da PT escolheram vender? 
Sim e não. 97,8% dos acionistas representados disseram sim ao negócio que constituía o único ponto na agenda da reunião, mas na verdade os votos representaram apenas 34% do capital. Marcaram presença 398 acionistas.

Como podem os acionistas da PT SGPS tirar partido da venda?
A Oi é a beneficiária direta do negócio. A PT SGPS, enquanto principal acionista da Oi, pode ganhar com o negócio, por exemplo, se a operadora brasileira usar o encaixe obtido na operação para "ir às compras" no Brasil e reforçar a posição que tem naquele mercado, como já admitiu querer fazer.

Com a venda da PT Portugal a Oi passou à Altice todo o negócio que tinha herdado da Portugal Telecom? 
Não. A participação que já foi da PT na Unitel vai continuar nas mãos da Oi. Já as responsabilidades e obrigações relativas a recursos humanos, trabalhadores e pensionistas da PT Portugal, passarão para o novo dono da empresa.

Quem é a Altice?
A Altice é um grupo francês, que nasceu em 2001 e que nos últimos anos se tem destacado pelas aquisições. Em França comprou o segundo maior móvel local, a SFT, e também é dona de um terço da Numericable. Está representada noutros mercados, como Israel, Bélgica, Luxemburgo, Suíça e em alguns países das Caraíbas. Em Portugal investiu primeiro na Oni e mais tarde comprou também a Cabovisão.

O que propôs a Altice? 
O grupo francês seduziu a Oi com uma proposta financeira de 7,4 mil milhões de euros, um montante que pode aumentar em mais 500 milhões de euros se forem alcançados objetivos de receita não especificados, mas que também pode sofrer ajustes em função dos valores de dívida.

Qual será a estratégia da Altice para a PT?
Em entrevista ao Diário Económico quando foi apresentada a proposta de aquisição da PT, o CEO da Altice, Dexter Goei, enumerou algumas áreas onde o grupo, alegadamente, tem intenção de investir mais. Destaque para a rede de fibra ótica e para o centro de dados da Covilhã.
É provável que venham a existir despedimentos? 
Na mesma entrevista ao Diário Económico, Dexter Goei não garantiu que a Altice não faria alterações ao quadro de trabalhadores. Mas também disse que os recursos humanos não são o problema dos custos da PT, explicando mesmo que os custos de mão de obra na PT representam cerca de 9% do valor das vendas, um número que está em linha com o habitual.

Há declarações dos responsáveis da Altice sobre a criação de 4.000 novos postos de trabalho. Como?
Este reforço seria uma consequência da transferência para Portugal dos call centers da empresa que estão noutras geografias.

Ainda antes do negócio ser concretizado a Altice anunciou um acordo com os CTT. O que vai visar este acordo?
O acordo foi apresentado como uma estratégia para "explorar sinergias" entre PT e CTT e os correios podem receber até 30 milhões de euros pelo acordo. Os detalhes estão por revelar mas já se sabe que entre os objetivos estão a otimização conjunta da rede de retalho e o desenvolvimento de negócios conjuntos na área do comércio eletrónico.

Que passos se seguem na concretização da venda?
A luz verde dos reguladores é o passo seguinte. Falta também apurar o preço final da operação, que dependerá dos valores da dívida existente e do que ficará, ou não, do lado da Oi nesse montante.

Quando se espera que o negócio esteja concluído? 
A Oi estimava num comunicado emitido já esta semana que o negócio estivesse finalizado ainda durante o primeiro semestre deste ano. Dexter Goei tem apontado os mesmos timings.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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