A mais recente consola portátil da Nintendo tem dois ecrãs, dobra-se como uma carteira, apresenta tecnologia 3D sem recurso a óculos e nem sequer faz-se acompanhar da designação de Game Boy. Mas tudo começou há 25 anos, exatamente a 21 de abril de 1989, num gadget de ecrã verde e pequeno. Depois da estreia no país natal, apenas chegaria à Europa em setembro do ano seguinte.



Num quarto de século vendeu mais de 118 milhões de unidades nas suas várias versões. Ajudou a Nintendo a afirmar-se ainda mais como uma gigante dos videojogos, numa altura em que a empresa já arrepiava caminho com consolas domésticas como a NES.



O grande “clique” do Game Boy foi o facto de poder executar vários jogos, através da introdução de cartuchos. Até então as consolas portáteis costumavam ter um jogo “amarrado”. Outra questão crucial prendia-se com o facto de o Game Boy ter um baixo consumo energético, o que para uma consola portátil é um factor crítico.



Isso e o preço mais baixo relativamente à concorrência. Uma fórmula que a Nintendo soube aplicar de novo na Wii, tornando-se a consola mais bem sucedida da sétima geração.



Nem mesmo o grafismo mais apelativo das consolas concorrentes de empresas como a Sega e a Atari fizeram com que o Game Boy esmorecesse. Foi preciso chegar a PlayStation Portable da Sony para que a Nintendo tivesse que repensar a sua estratégia, apostando então na gama de consolas portáteis DS.



Estas últimas também já venderam milhões de unidades e a 3DS é atualmente o equipamento mais bem sucedido da empresa nipónica – também a nível de jogos vendidos. Algumas franquias perduraram no tempo e são sinónimo de portabilidade, como é o caso da saga Pokémon.



Mas outros títulos ficam como marcantes, caso do Tetris, jogos do Super Mário, F1 Race, Metroid, Castlevania e Double Dragon.



Mais marcante ainda é talvez o facto de o Game Boy ter sido concebido no seu conceito por Gunpei Yokoi, um japonês que trabalhava na manutenção de maquinaria na Nintendo, mas cujo potencial foi reconhecido pelo então presidente da gigante dos videojogos.

[caption]Game Boy[/caption]

O “joker” da Nintendo foi crucial para que o Game Boy bebesse muito da NES, havendo inclusive similaridade nos botões de controlo - o D-Pad, o botão direcional, foi invenção sua. Para os estúdios de desenvolvimento, também foi um bilhete de entrada. E o aparelho foi concebido de forma tão "idónea" que quase metade dos detentores da consola original em 1995, como escreve o The Guardian, eram mulheres.



O jornal britânico revela ainda que o Game Boy foi visto por muitos como uma oportunidade para algo mais, para explorar o segmento da produtividade – havia inclusive acessórios que permitiam os pescadores de recreio detetarem os peixes até 20 metros de profundidade.



E o legado perdura. Ainda que não seja legal, uma pesquisa rápida permite encontrar dezenas de emuladores de Game Boy para os computadores e é possível descarregar centenas de jogos em outras tantas centenas de sites. Isto não é um incentivo, é uma realidade que mostra a grandeza do sistema de jogo.



A própria Nintendo sabe que a “máquina” dos Game Boy ainda não cessou e por isso é que disponibiliza os seus próprios emuladores nas consolas mais recentes, a 3DS e a Wii U.



Para os mais saudosistas fica uma fotogaleria com alguns dos modelos que a consola portátil teve e com alguns dos jogos que marcaram várias gerações.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Nota de redação: Este artigo foi originalmente publicado a 21 de abril de 2014, data em que o Game Boy cumpria um quarto de século de existência

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