Vermos o smartphone substituir o computador de forma absoluta é algo que ainda vai demorar uns anos a acontecer, isto se chegar efetivamente a dar-se esta substituição. O que acontece é que os utilizadores mais exigentes e que profissionalmente usam máquinas muito bem equipadas não conseguem cumprir as suas tarefas com o que um terminal móvel proporciona a vários níveis.

Mas por que razões colocamos esta possibilidade, sequer? Porque são já vários os smartphones de topo que incluem modos desktop (também chamados de modo PC) que conseguem concretamente transformar a interface a que temos acesso quando ligamos o terminal móvel a um monitor externo convencional.

A galeria abaixo apresenta os (poucos) terminais que estão a conseguir fazê-lo de forma convincente, e o segredo está na porta USB-C que existe no smartphone e na porta HDMI que está em qualquer monitor lançado recentemente. A “ponte” é, naturalmente, um cabo/adaptador de USB-C para HDMI. E com alguns “pormenores” importantes e adicionais.

Mas podemos usar o smartphone para substituir o PC? Sim e não. Como já referimos, num uso mais exigente do ponto de vista dos recursos, colocar um terminal móvel a executar programas que requerem um computador poderoso é um cenário impossível de equacionar, sequer.

Contudo, é perfeitamente legítimo ponderar estes smartphones em modo PC/Desktop para uma utilização “banal” do computador, aquela que se baseia em reprodução de vídeo e música, navegação nas redes sociais, internet e programas de produtividade como os que compõem o Office da Microsoft, por exemplo.

Um smartphone topo de gama está equipado em termos de hardware a um nível completamente à alturas destas tarefas, desde que os referidos modos e interfaces consigam reproduzir num ecrã externo tudo o que normalmente vemos no ecrã do smartphone. Mas é aqui que existem diferenças, pois a “projeção” não é um mero “espelho” dos conteúdos que surgem no painel do terminal móvel.

Samsung vs. Huawei...

São duas as marcas que têm de momento smartphone habilitados a executar estes modos, como pode ver pela galeria de sugestões acima: a Samsung e a Huawei. E ambas desenvolveram uma interface especial que faz com que seja possível, por um lado, usar as apps nativas do smartphone e, por outro, algumas apps desenvolvidas por terceiros.

Email, browser, acesso às lojas de apps, YouTube e outros players multimédia, ferramentas do Office como o Word e o Excel… São muitas as aplicações que estão otimizadas para uma utilização nestes ambientes. Isto ao nível do software.

Depois, no que toca a hardware, há outros pontos a ter em conta. Principalmente o teclado e o rato, periféricos que também se tornam essenciais mesmo que seja um smartphone a assumir funções de computador. Nestes casos, o mais normal é utilizarmos um teclado e um rato Bluetooth, que podem ser perfeitamente emparelhados com qualquer terminal Android ou iOS.

Mais do que um cabo USB-C-HDMI

Mas estas questão traz-nos de regresso aos “pormenores” que referimos acima: a necessidade de usarmos um cabo USB-C para HDMI para estabelecer a ligação entre o terminal móvel e o computador. Um cabo normal deste género simplifica muito o processo, é certo, mas tem uma limitação bastante grande: não permite recarregar a bateria do smartphone durante este tipo de uso.

Para solucionar este impedimento, há duas boas ideias. A primeira passa pelo uso de um cabo que é afinal uma espécie de hub que inclui várias portas e ligações – HDMI, USB, MicroUSB, USB-C (alguns modelos incluem apenas como extra uma segunda ligação USB-C destinada à recarga do terminal móvel).

Podemos usar um cabo USB-C para ligar o smartphone a este acessório, um cabo HDMI para ligá-lo ao monitor e ainda juntar à equação equipamentos USB. Até a reprodução de conteúdo de vídeo em 4K fica garantida, através de um acessório com preços entre os 20 e os 60 euros, sensivelmente.

A outra boa ideia é a que a Samsung apresenta com as estações-base DeX. Com estes equipamentos é possível recarregar o smartphone, ligá-lo ao monitor ou a um outro ecrã externo, emparelhar vários dispositivos Bluetooth e até facilitar o uso do ecrã tátil do terminal móvel como se fosse um touchpad de um portátil para controlar o que se passa no ecrã externo.

Tudo porque incluem ligações como USB-C e USB 2.0, Ethernet, HDMI… E até um sistema integrado para arrefecimento do smartphone, o que pode fazer a diferença, já que o terminal pode apresentar a tendência para sobreaquecer durante este tipo de utilização.

Funciona. Tanto que podemos mesmo recomendar com confiança qualquer smartphone do conjunto acima para este tipo de utilização, substituindo o computador. Mas repetimos: apenas para um uso “normal” que se possa dar ao PC, incluindo alguns jogos e vídeos em 4K. Os powerusers, os jogadores mais exigentes e os profissionais que precisam de desempenho elevado vão ter de continuar a recorrer a um portátil ou PC desktop bem “apetrechado”.

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