Nas últimas semanas o nome de Elon Musk tem surgido várias vezes em notícias ligadas à área da tecnologia. E isso acontece porque o empreendedor tem de facto intensificado a sua atividade, não só através da revelação de novos projetos das empresas que lidera, mas também partilhando parte da sua visão para o futuro.



Quem é afinal “este” Elon Musk de que tanto se fala? O que tem feito ele ou o que vai fazer para justificar tanto alarido em torno da sua figura empreendedora? Conseguirá Musk mudar a vida de uma grande parte da população mundial?



Diretamente para uns, indiretamente para muitos mais certamente. Basta pensar por exemplo que Elon Musk é um dos cofundadores do serviço PayPal, atualmente um dos sistemas mais usados em todo o mundo para fazer pagamentos online.



O empresário sul-americano, canadiano e norte-americano – sim, tem três nacionalidades -, não ocupa nenhum cargo diretivo no PayPal pois fez um dos negócios da década quando vendeu a empresa ao eBay por 1,5 mil milhões de dólares - isto em 2002. E o PayPal nem foi uma ideia totalmente sua, foi antes uma fusão de um banco online que Elon Musk tinha fundado com uma empresa de pagamentos online. Depois juntou o melhor das duas partes e o resultado está à vista de todos.



Pouco tempo depois de ter feito este negócio milionário colocou logo em prática uma nova ideia. Decidiu criar uma tecnológica privada ligada ao transporte aeroespacial. A Space X, como é conhecida, tem abastecido a Estação Espacial Internacional e está agora a testar um modelo de foguetões reutilizáveis que parecem saídos de um filme de ficção científica.



O último teste não correu bem, mas a ideia de pousar um rocket espacial numa plataforma que está a flutuar no meio do mar parece futurista o suficiente. Desta forma será possível reduzir os custos de enviar uma missão de abastecimento ou exploração para o espaço.



Atualmente temos ainda a Tesla Motors, possivelmente a primeira empresa a apostar no segmento de gama alta e tendo apenas o mercado dos veículos elétricos em consideração. Já existem mais fabricantes que estão a entrar neste mercado, mas a Tesla já leva uma vantagem considerável ao nível de tentativa-erro-sucesso.



O maior problema da empresa atualmente é não conseguir produzir um número suficiente de carros que consiga responder à procura dos consumidores e às exigências dos investidores.



Mas o que possivelmente surpreende mais nem é o percurso que Elon Musk fez até aqui, é tudo aquilo que ele tem planeado e revelado para os próximos anos. O homem forte da Tesla e Space X está a recolher agora todos os frutos das apostas que soube fazer no início da década passada. Mas melhor: Musk está neste momento a lançar novas sementes. Consegue imaginar o que sairá desta colheita?



As fundações da Internet em Marte

[caption]Space X Mars[/caption]

Parece contrassenso, mas é verdade: o mais recente projeto de Elon Musk não tem como objetivo direto disponibilizar Internet em Marte, mas poderá representar os pilares de construção dessa ideia.



Antes a frota de centenas de satélites que vão operar numa órbita baixa da Terra vai permitir ter Internet mais rápida, mais flexível – não dependente de “fios” - e disponível em todo o planeta.



Mas a ambição de Musk está também virada para Marte. Defende o empreendedor que será necessária uma rede de telecomunicações no planeta vermelho e que ninguém está a assumir essa tarefa atualmente.



No total o projeto ainda vai demorar cerca de cinco anos a descolar e terá um custo estimado de dez mil milhões de dólares. E a ideia parece ser tão “maluca” que a Google pondera disponibilizar mil milhões de dólares para que o projeto chegue a bom termo.



O meio de transporte do futuro

[caption]Hyperloop[/caption]

Hyperloop. Decore este nome pois um dia mais tarde quando o sistema for hipoteticamente popular e globalizado, então poderá dizer que ainda era do tempo em que o projeto era apenas um conceito.



Este novo meio de transporte consiste em cápsulas de pequena dimensão – levam apenas alguns passageiros de cada vez – e que se movimentam em túneis de vácuo. Não havendo ar, o atrito é menor e as velocidades de deslocação aumentam exponencialmente.



Se houvesse uma linha do Hyperloop que atravessasse Portugal por exemplo, seria possível ir de Melgaço, no Minho, até ao ponto mais sulista do Algarve em pouco mais de 25 minutos. Isto porque o “comboio” do futuro desloca-se a 1.285 Km/H.



O projeto já cativou engenheiros da NASA, Boeing, Airbus e Yahoo! que através de um projeto paralelo estão a ver analisar formas de tornar este conceito numa realidade.



Esta semana Elon Musk também veio a público dizer que vai criar uma pista de teste para o Hyperloop no Texas, nos EUA, e que terá um comprimento de oito quilómetros.



Gigafábrica

[caption]Tesla Gigafactory[/caption]

A maior fábrica de baterias de ião-lítio do mundo vai estar nos EUA, vai custar cinco mil milhões de dólares e vai conseguir produzir baterias suficientes para a produção de 500 mil carros elétricos anuais. E quem está a investir neste projeto?



O interesse de Elon Musk é total pois é CEO da Tesla, empresa de veículos elétricos. Além de estar a criar condições para responder à maior procura por carros elétricos, o empreendedor está a mandar vários sinais à indústria. Além de estar a apostar num negócio próprio, Musk pode estar a espicaçar as grandes fabricantes automóveis com projetos de grandes dimensões.

Em 2020 a Tesla conta estar a produzir 500 mil carros elétricos por ano. Conseguirá mais alguém acompanhar este ritmo?



E depois existem outros dois cenários: a Tesla começa a produzir baterias para outros fabricantes e a fábrica da Tesla torna-se obsoleta pois pode surgir uma nova fonte de energia limpa concorrente. Ainda que pareçam pouco prováveis, são casos que estão sempre em cima da mesa.



O Iron Man da vida real





A personagem de ficção científica Tony Stark é um multimilionário e génio da tecnologia que desenvolveu um exoesqueleto como não há nenhum em todo o mundo. Aí temos o Homem de Ferro, um super-herói que ainda hoje mexe com o imaginário de muitas pessoas.



E é justamente através da banda desenhada e dos filmes que fica-se a conhecer um pouco a forma como Tony Stark usa um interface de realidade aumentada para trabalhar. Ou será como o Elon Musk trabalha?



O guru das novas tecnologias mostrou como será o futuro do design e mostrou que isso já se faz um pouco nas empresas que gere, sobretudo na Space X. Há inclusive um ecrã tridimensional cujos elementos podem ser controlados através de gestos e que fazem lembrar em tudo os que são usados nos filmes do Homem de Ferro.



Mas as aplicações não ficam por aqui e os engenheiros da empresa privada de veículos espaciais está ainda a trabalhar com a realidade virtual e com equipamentos como os Oculus Rift para que os designers tenham as melhores e mais intuitivas perspetivas sobre o trabalho que estão a desenvolver.



Quando apresentou o novo carro da Tesla, o modelo D, em outubro do ano passado, Musk também usou um braço mecânico gigante para fazer a introdução do novo veículo. E sim, foi mais uma cena à Iron Man.

[caption]Tesla Model D[/caption]

Inteligência Artificial

Se o fim da raça humana será provocado por máquinas e robots está ainda por se saber, mas Elon Musk quer evitar este cenário a todo o custo. Apesar de apostar fortemente na tecnologia e nos sistemas inteligentes de produção, o empreendedor sul-africano tem receio de que um dia as máquinas fiquem mais inteligentes do que o homem e haja um cenário apocalíptico provocado pela “Skynet” do futuro.



Para isso o multimilionário doou 10 milhões de dólares para uma fundação que tem como objetivo tentar acautelar um cenário em que a Inteligência Artificial (IA na sigla em inglês) será capaz de suplantar as ordens humanos e até de talhar os seus próprios destinos.

[caption]Inteligência Artificial[/caption]

O executivo considera mesmo que a IA é o maior risco à existência humana e alguns investigadores da área consideram mesmo que este cenário não é descabido de todo. Por isso mais vale de facto prevenir do que remediar.



O lado negro da força


Elon Musk não é o homem e empreendedor perfeito. Sobre o primeiro plano não temos dados para falar, mas sobre o segundo existem alguns indicadores de que o empreendedor faz bastantes promessas, mas acaba por não conseguir cumprir parte delas.



Sobretudo no que diz respeito aos aspetos mais técnicos da área financeira, isto é, promete que vai produzir X, mas só consegue Y. Diz que o projeto A arranca numa data, mas afinal será apenas algum tempo mais tarde. Como escreve a Fox Business, o próprio CEO da Tesla e Space X considera-se demasiado otimista e pouco pontual.


Mas nesse mesmo artigo é possível ficar com uma ideia negativa de Musk, uma que diz que ele é um homem com mais vontade do que pernas para andar. Atualmente a Tesla nem sequer é lucrável e isso pode só acontecer depois de 2020.



E esta relação amor-ódio que parece rodear Elon Musk está atualmente bem espelhado nas ações da empresa: perderam uma grande parte do seu valor e estão a negociar abaixo dos 200 dólares. Enquanto uns defendem que a tendência é descendente, outros arriscam o seu dinheiro dizendo que esta é a melhor altura de investimento.



Goste-se ou não, Elon Musk está a criar ainda mais condições para ser um dos principais empreendedores da indústria tecnológica dos próximos anos. Ou ainda não lhe dissemos que o CEO da Tesla e da Space X pretende ter uma colónia em Marte?


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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