Numa altura em que os lares e as residências têm sido particularmente vulneráveis em plena pandemia, a empresa portuguesa Create IT lançou a plataforma e app gratuitas +Próximo para profissionais e cuidadores. A solução propõe-se a detetar precocemente casos de COVID-19 nestas instituições, com o objetivo de facilitar o trabalho de quem acompanha os utentes que pertencem a este grupo de risco. O projeto teve início em Évora, estando em expansão para outras regiões do país.

Para obterem gratuitamente a aplicação, os profissionais e cuidadores terão de se inscrever através do site. O objetivo é que, assim que tiverem acesso à app, registem dados relativos aos sintomas das pessoas. A aplicação pode, assim, ajudar "na deteção precoce de casos de infeção respiratória, permitindo salvaguardar equipas e utentes", garante Nuno Guerra, CEO da Create IT.

Para facilitar a tarefa de quem acompanha os utentes, a app permite reunir os dados em diversas escalas e consoante vários sintomas. Tosse, febre, oxigenação e de garganta são alguns deles.

Em função da sintomatologia, a aplicação classifica o utente quanto ao risco associado ao seu estado de saúde, recomendando o nível de cuidados. Para além disso, é também guardado o histórico das informações, de forma a ser possível acompanhar a evolução do utente.

Com esta monitorização, da qual fazem parte também pessoas com deficiência, é possível uma deteção precoce dos casos de infeção respiratória, nomeadamente pela aferição frequente da oxigenação do utente. Desta forma, identificam-se possíveis problemas respiratórios mesmo antes da apresentação de sintomas mais graves, o que permite aos profissionais e cuidadores anteciparem também as ações a serem tomadas.

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No algoritmo da aplicação foram consideradas as patologias típicas dos utentes que pertencem a este grupo de risco. O objetivo é “permitir que, com a ajuda da app, estas pessoas cheguem no momento certo ao hospital", explica Teresa Cardoso, diretora do serviço de Pneumologia do Hospital do Espírito Santo de Évora.

De acordo com a Create IT, a app reúne os "critérios necessários", tanto para o pré-despiste, quanto para o acompanhamento da evolução da doença nos utentes mais vulneráveis ao vírus. As recomendações efetuadas no contexto da aplicação foram criadas com base nas indicações fornecidas pelo Serviço de Especialidades Médicas e Direção Clínica do Hospital do Espírito Santo de Évora.

O projeto conta com parcerias com entidades regionais como a União Distrital das IPSS, Secretário Regional da União das Misericórdias Portuguesas e Hospital do Espírito Santo. Para além disso, também a OutSystems, Fenacerci, UDIPSSs, Confecoop, Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo e Associação Nacional de Gerontologia Social estão envolvidas neste projeto.

Em Portugal têm sido inúmeras as soluções tecnológicas desenvolvidas no combate à COVID-19, merecendo já o destaque por parte da OCDE. Um dos mais recentes projetos é a app portuguesa Stay Away, que pretende ajudar as autoridades de saúde a rastrearem as pessoas infetadas. O código da app, que se espera ser lançada até ao final de maio, vai ser disponibilizado em open source, usando um sistema que recorre à tecnologia Bluetooth.

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