Numa época de transformação digital é inevitável que a tecnologia também tenha chegados aos transportes privados, com todas as implicações inerentes a grandes mudanças. No caso dos transportes em veículos descaracterizados (TVDE) e dos quais a Uber foi pioneira em Portugal, as reações mais negativas têm chegado por parte dos taxistas.

Pelo menos até 2015, altura em que a app taxista friendly nascida na Alemanha em 2009, myTAXI, chegou ao nosso país. Agora e depois da estreia na capital portuguesa, a plataforma marca presença também na área metropolitana do grande Porto, desde abril deste ano.

Encenámos a “corrida mais louca” em Lisboa. Só com a ajuda de apps de mobilidade (e em segurança)
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Disponível nas plataformas iOS e Google Play, a app permite um contato direto entre o cliente e os motoristas de táxis e, tal como outras plataformas do género, usa a georeferenciação para determinar qual é o táxi mais próximo da localização do utilizador. Quando o táxi é chamado, ficamos a saber qual é o nome, o número de telefone, o carro do taxista e a quantos minutos de distância é que estamos da nossa “boleia”.

Em relação ao pagamento, o “pendura” tem várias hipóteses: dinheiro, pelo terminal Multibanco do motorista, por PayPal e pela própria aplicação, através do registo de um cartão de crédito.

Na redação do SAPO TEK decidimos tentar perceber como funciona esta alternativa às chamadas telefónicas e ao estar na rua à espera de um táxi livre e encenámos a "Corrida mais Louca" em Lisboa.

Depois de uma rápida instalação da app e de termos escolhido o pagamento por cartão de crédito, marcámos a morada pretendida: Avenida 24 de Julho nr. 50, qualquer coisa como quatro quilómetros de distância.

Não demorou muito para que um Mercedes Benz E220 da MyTaxi aceitasse a viagem, que ficaria entre cinco e seis euros. Cerca de quatro minutos depois e com o relógio a marcar 13h27 já estávamos a caminho do nosso destino.

Naquela que foi a nossa primeira vez a usar a aplicação, as diferenças em relação às outras plataformas começaram logo a notar-se assim que entrámos no táxi. Aqui não nos perguntam se queremos uma garrafa de água, se a música ou o ar condicionado estão bons ou, principalmente, se temos algum trajeto de preferência.

Ao longo da viagem vamos sabendo que o nosso motorista teve apenas meio dia de formação para aprender a trabalhar com a aplicação, mas que “foi mais do que suficiente”, mostrando-se bastante satisfeito com os dois meses de utilização da app.

“Com a myTAXI conseguimos estar menos tempo parados e fazer mais serviços, por isso tudo o que nos ajudar a “pingar” mais dinheirinho é bem-vindo”, desabafa, enquanto explica que a maior parte dos taxistas não tem um salário base, ganhando uma percentagem da faturação. No seu caso, recebe 35% do total faturado no dia e o dono do táxi paga 6% à myTAXI.

Taxista há 20 anos, o nosso motorista mostra-se contra a Uber e outras plataformas por “não cumprirem as mesmas regras que nós”, refere. “E se isso acontecesse?” perguntamos. “Nesse caso, por mim tudo bem. Há espaço e mercado para toda a gente, mas eles têm é que deixar de estar ilegais e pagar as mesmas formações e ter as mesmas regras e exigências que nós temos. Até lá, não acho bem”, remata.

Depois de ficarmos presos num engarrafamento no Largo do Rato, a viagem foi decorrendo normalmente até que nos deparámos com uma manifestação em frente à Assembleia da República. Aqui descobrimos uma das grandes vantagens desta aplicação: os motoristas de táxi conhecem as ruas de Lisboa como as palmas das suas mãos.

Rapidamente nos vimos entre ruelas e travessas e, 28 minutos depois de termos saído da redação do SAPO TEK, conseguimos chegar ao fim da viagem. “Por favor, faça agora o pagamento da sua viagem e peça a sua fatura ao condutor”, aparece escrito num aviso na app.

O taxímetro marcava 8,65 euros, mas, a um movimento do taxista, sobe para os 9,45€. "Porquê?" perguntamos, ao que nos responde que é o "suplemento da chamada" (?). Depois de introduzir o valor na aplicação, temos que dar o OK para que o pagamento seja efetuado. A fatura é em papel e tem que ser pedida ao motorista.

No final, a experiência não se revelou muito diferente da de viajar num táxi “normal” que não utilize a app daquela que é considerada a empresa líder europeia em serviços digitais de reserva de táxis.

Na Europa, a myTAXI já chegou aos 11 milhões de passageiros, totalizando mais de 76 milhões de viagens, o que representou um aumento de 450% relativamente ao ano anterior.

Veja o vídeo de resumo da experiência "sincronizada" do SAPO TEK.

 



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