Lembra-se da Corrida mais Louca, a série da Hanna-Barbera que tinha como titulo original Wacky Races? Nos desenhos animados as várias equipas usavam os estratagemas mais estranhos que tinham à mão para conseguir ganhar a corrida, e não faltavam truques sujos e a utilização de algumas das “particularidades” de cada um para ultrapassar as dificuldades, e os concorrentes.

Não recuperámos o Pedramóbil nem o Carro Tanque, nem inscrevemos o peculiar Muttley na equipa do SAPO TEK, mas esta semana partimos da ideia para testar as aplicações de mobilidade que estão à disposição dos Lisboetas para se deslocarem na cidade. As opções das plataformas de mobilidade são cada vez mais diversas, mas partilham muitas das características, e por isso surgem muitas vezes dúvidas sobre qual a melhor, a mais barata, a mais rápida ou a mais conveniente.

É verdade que o processo de legalização das plataformas ainda não está concluído e que o tema ainda tem de voltar a ser debatido na Assembleia da República, depois do veto de Marcelo Rebelo de Sousa, e por isso o teste não é totalmente “legal”. Mas a utilização das aplicações e dos serviços da Uber, Cabify, Taxify ou MyTaxi é bem real, assim como o número elevado de carros e condutores ligados a estas plataformas que circulam na cidade.

O SAPO TEK já tinha realizado um teste de contornos semelhantes em 2014, usando na altura as quatro apps que estavam disponíveis. Mas entretanto muito mudou, surgiram novos players no mercado e as próprias plataformas evoluíram, pelo que decidimos repetir a análise, com algumas alterações de processo.

Desta vez para minimizar os imponderáveis decidimos fazer o teste em simultâneo, e por isso à hora marcada quatro jornalistas pediram o serviço a partir da redação do SAPO TEK, tendo como destino a zona de Santos, mais propriamente a Avenida 24 de Julho. A escolha das apps foi feita considerando as aplicações que permitem chamar um carro com motorista, escolhendo as melhores opções dentro da Uber, Cabify, Taxify e MyTaxi.

Para o teste foi sorteada a app a utilizar e todos os jornalistas instalaram de novo a aplicação, ou criaram um novo registo, de forma a fazer a experiência “from scratch”. Assim conseguimos avaliar os vários aspectos da experiência de utilização, desde a instalação e configuração da aplicação – com perfil empresarial e exigência de uma fatura com número de contribuinte – até ao processo de chamar o carro, a viagem propriamente dita e a chegada ao local, com a avaliação e o pagamento.

Naturalmente há sempre alguns fatores que não controlamos, como foi o caso de uma manifestação em frente à Assembleia da República, mas tentámos fazer a experiência no modelo mais real possível. E foi fácil perceber como a diferente abordagem e utilização de ferramentas de apoio fez a diferença no resultado, na hora de chegada ao destino e no preço.

No fim de contas quem foi mais rápido? Qual a aplicação mais fácil de usar? E qual tem mais funcionalidades? E quem conseguiu fazer o trajeto com menos custos? Siga pelas histórias de cada um dos jornalistas que participaram no teste antes de ler a avaliação final.

Cabify: Quando não é o primeiro a arrancar, mas chega em primeiro. E ainda paga pouco

É apontada como o topo de gama das apps de transporte no que ao serviço diz respeito, mas é encarada com algum “receio” na altura de pagar. Desta vez tudo coincidiu pelo melhor numa corrida “boa e barata” com a Cabify.

A Cabify chegou ao mercado português fez muito recentemente dois anos, e apesar de não ter sido a primeira, não deixa de ser popular. É verdade que a ideia geral é que é mais cara do que a concorrência e mais “demorada”, porque haverá menos carros com motorista disponíveis, mas (por uma incrível coincidência ou não) acabou por ser a aplicação que ofereceu um melhor serviço, entre as quatro que a redação do SAPO TEK testou.

Pela facilidade do download, definição de conta, "atendimento", tempo de viagem, preço e informação de retorno o serviço prestado por esta plataforma merece um "9", numa escala de 1 a 10.

Pode ler aqui a análise completa à Cabify.

myTAXI: a app que cabe no bolso, mas que pode pesar na carteira

A myTAXI distingue-se das concorrentes por trabalhar exclusivamente com táxis, apontado como um sector tradicional. A app quer mostrar que o segmento dos táxis também pode ser disruptivo e inovar, mas, para o SAPO TEK a inovação não saiu barata.

Disponível nas plataformas iOS e Google Play, a app permite um contato direto entre o cliente e os motoristas de táxis e, tal como outras plataformas do género, usa a georeferenciação para determinar qual é o táxi mais próximo da localização do utilizador. Quando o táxi é chamado, ficamos a saber qual é o nome, o número de telefone, o carro do taxista e a quantos minutos de distância é que estamos da nossa “boleia”.

No final, a experiência não se revelou muito diferente da de viajar num táxi “normal” que não utilize a app daquela que é considerada a empresa líder europeia em serviços digitais de reserva de táxis. Verifique aqui toda a história desta viagem e dos custos associados...

Pode ler aqui a análise completa à myTAXI.

Taxify: Simples até para um utilizador na primeira viagem

A aplicação aposta na chamada rápida do serviço, sem a necessidade de se preocupar com dinheiro para o pagamento. Mas não é o mais barato e tem margem para melhorar…

A aplicação da Taxify assume a simplicidade do pedido do serviço como prioritário, não fosse o seu lema “Com um só click obtenha a sua viagem”. E de facto, após a configuração que passa pela inserção e validação do email e número de telefone, assim como o único meio de pagamento, o cartão de crédito, a aplicação abre com o mapa do local onde se encontra. Precisará apenas de escrever o destino, seja a morada ou local, e verificar de imediato no mapa a estimativa de tempo da chegada do veículo.

A experiência geral de utilização da app Taxify foi positiva, desde a simplicidade de instalação da aplicação, ao pedido instantâneo do serviço. O tempo de espera foi curto e o tempo da viagem o estimado, perante as condições do trânsito. O valor do percurso não foi o mais económico, e dias depois do serviço continuamos à espera da fatura, e sem possibilidade de inserir o contribuinte. E porque não, oferecer mais sistemas de pagamento?

Veja aqui toda a "viagem" com a Taxify.

Uber: A experiência conta para a qualidade final do serviço

A Uber é um dos serviços mais referenciados sempre que se fala nas novas plataformas de mobilidade. A soma de experiência internacional e de “horas de voo”  foi relevante na análise do SAPO TEK.

Não sou propriamente “novata” na utilização da aplicação e conheço bem a app desde o início dos serviços em Portugal. A verdade é que tem sido muitas vezes utilizada no modo “profissional” e até no “modo família”, mas para esta experiência criei um novo perfil Uber, e tive algumas dificuldades adicionais.

Ao fim de cerca de 18 minutos estávamos no destino, e a verdade é que o valor ficou acima do intervalo definido: quase 8 euros, a que ainda acrescentei 50 cêntimos de gorjeta. A avaliação ao motorista foi de 5 estrelas, mas a pontuação final ao serviço no teste do SAPO TEK ficou pelos 8 pontos em 10, onde contou a dificuldade inicial na configuração do serviço e o custo, que foi mais elevado do que era esperado.

Veja aqui toda a "experiência" com a UBER.

Quando chega a hora de fazer as contas

Como se pode ver pelas várias análises, apesar dos conceitos partilhados pelas várias plataformas as experiências foram diferentes, entre utilizadores mais experimentados e "marinheiros de primeira viagem". Um ganho em que todos concordam é a simplicidade de utilização proporcionada pelas ferramentas, com a possibilidade de usar o smartphone para designar o destino, chamar o condutor e ter notificação da hora de chegada ao local. Também o facto de dispensar pagamento no momento é uma vantagem clara, mais ainda quando se viaja por conta de uma empresa ou em "modelo família", recebendo depois a fatura com todos os dados.

Mas apara além destas vantagens comuns, há algumas diferenças assinaladas que ficaram bem claras nas várias análises, desde a duração da viagem pela escolha de diferentes percursos, até ao custo final. Nestas corridas há sempre um fator de sorte envolvido, mas também as ferramentas de navegação hoje ajudam a contornar problemas como a manifestação que fechou a estrada frente à Assembleia da República.

E o custo? Este é para muitos o elemento mais relevante, e o certo é que saindo do mesmo local, à mesma hora, e com o mesmo destino, a Cabify foi a que conseguiu um valor mais barato, mais de metade do mais caro, a myTaxi.

Muitas vezes a escolha por um ou outro serviço acaba por acontecer mais pelo hábito do que por fatores racionais, mas diz a voz da experiência - e os resultados deste teste - que mais vale ter as várias aplicações instaladas e experimentar em cada caso qual é a mais aconselhável no momento. E não desvalorize outras formas de deslocação: os transportes públicos, os tradicionais Táxis mas também as bicicletas e carsharing. É a combinação de todas as opções que faz com que a cidade possa ter cada vez mais um sistema inteligente de deslocação os cidadãos e visitantes.

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