A extensão para o browser da Google foi desenvolvida por Paulo Querido e é a versão mais leve, para o público, da NewsDeck - uma aplicação que foi criada há cinco anos e que começou por ser um comparativo dos jornais de economia - feita para o Jornal de Negócios, mas que evoluiu para se tornar uma web app de news intelligence dirigida aos media jornalísticos.

“Esta extensão para Chrome é um primeiro teste, tímido, de criar serviços mais leves, menos pro, adequados ao público em geral”, explicou ao TeK Paulo Querido, que se assume como jornalista-programador. O conceito entronca na estratégia da aplicação NewsDeck, que no futuro terá serviços de jornalismo dirigidos ao grande público.
A extensão NewsDeck foi lançada esta semana e usa como inspiração o NewsPix, que tem o código aberto, e que serviu para base o conceito e tecnologia de frontend, mas usa o processamento de artigos feito pela aplicação originalmente desenvolvida por Paulo Querido, e que usa vários canais.
Para já o funcionamento é muito simples e o resultado também: a cada separador aberto é mostrada uma foto e um titulo de um dos media que têm ligação ao NewsDeck. Se clicar vai diretamente para o artigo, mas pode também “seguir” a intenção inicial e navegar para outra página qualquer.

Já está prevista uma atualização na próxima semana, e evolução para um modelo de mosaico, assim como versões para outros browsers, a começar pelo Firefox, mas seguindo-se o Safari e o sucessor do Internet Explorer.
Há também um serviço associado para parceiros, que pode fornecer informação direta sobre o tráfego gerado pela extensão do Chrome.

 

Do jornalismo para a programação
A primeira aplicação para jornalismo que ajudou a programar data de 1982, mas só nos últimos seis anos esta se tornou a atividade principal de Paulo Querido. “Em 2009 fiz um mini-site das eleições desse ano para o Público. Deveras incipiente — mas estavam lá os conceitos, e a informação, que hoje encontramos nos mini-sites do género: sínteses gráficas da combinação das sondagens, notícias relacionadas, jornalismo estruturado, opinião abalizada”, explica em resposta ao TeK.
O NewsDeck (a web app) e uma aplicação que programou para a Lusa em 2014 são considerados pelo próprio os seus melhores trabalhos.
E o que levou Paulo Querido para os caminhos da programação? “Atrai-me a possibilidade de criar novas formas de apurar a qualidade do jornalismo e de ajudar a mudar a relação do jornalismo com os seus públicos e o meio em que se insere. A Lei de Moore abriu uma imensidão de soluções para a informação e o papel do jornalista consiste tanto em noticiá-las como em usá-las. Atrai-me a novidade e a experimentação. Desde a informatização do Diário Popular nos anos 80 à infografia digital no Expresso nos anos 90, tenho tido o privilégio de experimentar (e moldar) o que os outros vão usar anos depois”, sublinha.
A ligação é direta e natural e por isso Paulo Querido tem até “alguma dificuldade em entender a minha singularidade na matéria”. “É manifesto que a grande maioria dos jornalistas não vê, como eu vejo, a programação como mais uma forma de lidar com a informação de forma a torná-la notícia, reportagem ou análise”, justifica.

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