Os alertas vêm de diversas frentes e sobre várias consequências. Os avisos de que passar demasiado tempo em frente ao ecrã pode causar obesidade não são novos, mas vão reciclando a atenção à medida que o número de dispositivos se multiplica e que os efeitos ficam mais demonstrados.

As consequências, contudo, não são apenas ao nível físico, passando também pelo lado afetivo e um dos mais recentes alertas dados vai nesse sentido. Maria Laureano, pedopsiquiatra na Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra considera que, durante a consoada e o dia de Natal, as famílias devem limitar a utilização de telemóveis e tablets a apenas "um período de tempo" em que esta seja aceitável.

"Se os nossos filhos questionarem o porquê dessas regras devemos sentar-nos com eles e explicar-lhes a importância dos afetos e, com analogias simples, fazê-los entender que o importante é poderem brincar e rir juntos, ao invés de se regozijarem pelo número de likes de um post", referiu a especialista em declarações ao Jornal de Notícias.

Os conselhos de Maria Laureano não são alheios a estatísticas recentes, como as do estudo Crescendo entre ecrãs, que dão conta que 75% das crianças entre os três e os oito anos sabe ligar dispositivos eletrónicos e 38% acede à Internet, sobretudo através do tablet. O mesmo relatório acrescenta que 45% das crianças usa telemóvel, em 18% dos casos tendo um equipamento próprio.

Tendo em conta as estatísticas, a pedopsiquiatra afirma que não pode haver a "expectativa irrealista" de que esses dispositivos sejam completamente deixados de parte, à mesa e à volta da árvore de Natal, mas é sempre possível substituí-los por outras atividades.

Até porque considera que as vivências proporcionadas por um ecrã são "emocionalmente vazias do real contacto com o outro e sensorialmente pobres. O importante é criar "memórias" e "histórias biográficas", durante o Natal e outras épocas festivas, sublinhou ao jornal.

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