Grandes marcas de smartphones como a Huawei, Apple e LG já têm os seus flagships equipados com duas câmaras numa tentativa de oferecerem resultados fotográficos com uma qualidade superior aos concorrentes. Mas nem tudo tem a ver com a qualidade. Cada marca optou por dar uma utilização diferente à segunda câmara que equipa os seus smartphones topo de gama.

 

A Huawei optou por incorporar, no P10, uma câmara principal RGB de 12 megapíxeis e a secundária monocromática com 20 megapíxeis que, trabalhando em conjunto, captam duas fotografias idênticas que são posteriormente combinadas a fim de oferecer melhores contrastes e mais resolução à fotografia. A Apple apostou no zoom e utilizou a segunda câmara para oferecer aos utilizadores um zoom ótico sem ter de abdicar da resolução de imagem. A LG apostou no oposto, em vez de aproximar os objetos quis que fosse possível captar mais meio envolvente sem que fosse necessário ao utilizador deslocar-se, colocando então uma segunda câmara com um ângulo de 125º.

Uma segunda câmara, por norma, costuma ser uma grande ajuda para criar alguma profundidade de campo no que toca às fotografias de retratos ou de objetos próximos (macro). O desfoque no plano de fundo acaba por ser mais parecido ao que é criado por uma DSLR e o objeto principal ganha mais destaque na fotografia.

Também a Sony desempenha, ainda que mais indiretamente, um papel fundamental neste mundo da fotografia. Apesar de os seus smartphones não serem conhecidos por tirarem excelentes fotografias, a grande maioria dos sensores utilizados pelas maiores marcas são produzidos pela Sony e, sem dúvida alguma, o sensor e as lentes são das partes mais importantes de qualquer máquina fotográfica. É a qualidade do sensor e das lentes que vai determinar a qualidade da imagem final, os megapíxeis servem apenas para podermos ter mais detalhe quando fazemos zoom ou em casos que seja necessário imprimir uma fotografia em grande escala.

Para visualizarmos uma fotografia num ecrã de um computador tradicional basta que seja tirada, no máximo, por uma câmara com quatro megapíxeis. Isto significa que uma maior resolução não implica, diretamente, uma melhor qualidade de imagem.

Independentemente da função a que se destinam, uma segunda câmara num equipamento tão compacto como um smartphone não é uma tarefa fácil. Isto porque não existiam chips capazes de aguentar com todo o processamento e, agora, apenas os topo de gama são capazes de tal (o que acaba por elevar o preço do equipamento). Mesmo assim, o cenário pode estar prestes a mudar com empresas como a Qualcom a desenvolverem chips de média gama com capacidade suficiente para aguentar com o processamento exigido pelas câmaras duplas.

Apesar da vantagem oferecida por uma segunda câmara, que auxilia a principal para conseguir, também, captar mais luz e oferecer melhores resultados, nem sempre ter duas câmaras resulta em imagens mais bem conseguidas. Exemplo disso são o Google Pixel e o Samsung Galaxy S8 que, tendo apenas uma câmara, continuam a ser considerados como os smartphones com as melhores câmaras do mercado, tendo o mais recente HTC U11 entrado para o topo da lista no passado mês de maio.

Claro que esta tendência começa a ser desejada em smartphones de gamas mais baixas e, apesar de existirem algumas marcas chinesas que já apostaram nesta tecnologia, os resultados ainda não conseguem ser suficientemente satisfatórios. Com os novos chips de gama média é provável que as grande marcas comecem, também, a apostar na fotografia nos equipamentos de gama média e se comece a assistir a uma massificação das duas câmaras nos smartphones.

Como tudo começou

Um smartphone com duas câmaras integradas não é uma tecnologia propriamente nova. Já em 2011 a LG e a HTC tinham lançado o, respetivamente, Optimus 3D e o Evo 3D, numa altura em que a tecnologia 3D estava na berra. Estes equipamentos utilizavam duas câmaras para criar uma noção de profundidade que, aliada aos ecrãs especiais, permitem ao utilizador ter uma experiência tridimensional sem precisar de óculos.

Apesar de inovadores estes smartphones não foram muito longe e rapidamente caíram no esquecimento. Só em 2014 é que, novamente, a HTC decidiu investir nas duas câmaras e lançou o One M8 que, este sim, assemelhava-se ao que é feito hoje em dia. As duas câmaras funcionavam em simultâneo para criar uma maior profundidade de campo, permitindo assim um controle maior do foco da imagem.

A tecnologia foi esquecida por alguns anos até que a LG decidiu apresentar o seu smartphone modular, o G5, em 2016, que incorpora uma segunda câmara wide angle semelhante ao que acontece com o topo de gama mais recente da marca, o G6.